Filme apresenta um olhar histórico sobre o país e apresenta material inédito do personagem Zé do Caixão na 23ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas

Zé do Caixão roga uma praga. Mas não é propriamente uma maldição, e sim uma espécie de “bendição”. Tendo como ponto de partida o registro audiovisual de um passeio com um dos personagens mais emblemáticos do audiovisual produzido no país, A Praga do Cinema Brasileiro, de William Alves e Zefel Coff, apresenta um recorte particular sobre o cinema enquanto espelho da sociedade.

O filme é um dos selecionados para 23ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 26º Festival de Cinema de Vitória, que acontece entre os dias 24 e 29 de setembro, no Centro Cultural Sesc Glória.

A ideia do curta-metragem surgiu do encontro entre os diretores com José Mojica Marins, nos anos 2000, e guardado a pedido do mestre do terror nacional. “Ao final [da filmagem] eu me dirijo ao Zé e pergunto o que ele queria que eu fizesse com o material filmado e ele me respondeu ‘Guarde e espere eu pedir para usar’” relembra William, que recebeu a autorização para retornar a esse material apenas em 2018.

Segundo o diretor, um dos maiores desafios foi criar um roteiro a partir do material gravado 18 anos atrás. “Nas discussões sobre de que forma utilizar o que tínhamos em mãos buscamos construir uma estética que dialogasse com as imagens e com o discurso implícito que o Zé do Caixão havia nos deixado. Era um ato político do Mojica Marins, encarnado no seu personagem mítico”.

Os diretores então começaram a investigar o que o havia acontecido no Brasil dos anos 2000 para trás e construíram uma narrativa a partir da produção audiovisual brasileira que, ao mesmo tempo, da extensão do discurso de Mojica e faz um apanhado histórico do país, além de reavaliar e atestar a qualidade da produção brasileira.

“Resolvemos recorrer ao cinema nacional e ver quais diretores estavam atentos a isso, para nossa surpresa nos deparamos com filmes que nunca chegaram ao grande público, filmes tidos como ruins, mal produzidos e toda aquela balela de que o cinema brasileiro era uma porcaria, uma praga que não prestava para nada”.

Entre os trechos que o público pode conferir durante o filme estão Eternamente Pagu (1997), Norma Benguell; Hitler 3º Mundo (1968), José Agrippino de Paula; A Casa dos Irmãos Naves (1967), Luís Sérgio Person; A Idade da Terra (1980), Glauber Rocha; e ABC da Greve (1990), de Leon Hirszman.

Sobre ser um dos selecionados para a 26º Festival de Cinema de Vitória o diretor afirmou que “é uma honra, a curadoria do Festival demonstrou com essa seleção, não só sensibilidade estética, mas principalmente política”. E finalizou: “Utilizamos o cinema nacional como instrumento de diálogo e reconhecemos esse cinema como um apontador de caminhos que precisam ser refletidos”.

A Praga do Cinema Brasileiro será exibido durante a 23ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, que faz parte da programação do 26º Festival de Cinema de Vitória. A mostra acontece entre os dias 25 e 28 de Setembro no Centro Cultural Sesc Glória.

Debate

Além de assistir aos filmes, o público terá a oportunidade de participar dos debates sobre as produções junto aos realizadores. O bate-papo da 8ª Mostra Foco Capixaba, 23ª Mostra Competitiva de Curtas e 9ª Mostra Competitiva de Longas será mediado pelo jornalista Fillipo Pitanga, e acontecerá sempre no dia posterior a exibição, no Hotel Senac Ilha do Boi, às 10 horas. Os debates da 4ª Mostra Mulheres no Cinema e da 4ª Mostra Cinema e Negritude acontecerão na sequência da exibição dos filmes, no Centro Cultural Sesc Glória. Os eventos são abertos ao público.

O 26º Festival de Cinema de Vitória tem o patrocínio do Ministério da Cidadania, através da Lei de Incentivo à Cultura, da ArcelorMittal, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE, do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA e da Ancine, conta com o copatrocínio da EDP e do Banestes, com o apoio da Rede Gazeta, da AdoroCinema, da Ceturb ES, da Prefeitura Municipal de Vitória e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur-ES). O Festival conta também com o apoio institucional do Centro Técnico do Audiovisual – CTAv, da Mistika, da CiaRio, da Link Digital, do Centro Cultural Sesc Glória, da Jangada VOD, do Canal Brasil e da Carla Buaiz Jóias. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte.

Serviço
23ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Data: 25 a 28 de Setembro
Local: Teatro Glória (Centro Cultural Sesc Glória) 
Entrada franca

A PRAGA DO CINEMA BRASILEIRO (William Alves e Zefel Coff, EXP, DF): Com a pedra da 3ª força, Zé do Caixão vai ao passado, na virada do milênio, em 2/2/2000 para evitar o terror político do Brasil instituído pelo capetal e seus capetalistas, infiltrados nos setores estratégicos que arrastou o país para o 5º dos infernos com as bênçãos dos boizebus, das diabas e dos satanazes dos três poderes. Zé do Caixão abre um portal para os infernos do passado, onde liberta antigos filmes sequestrados pelo Capetal, pois estes trazem a luz, as palavras dos profetas que tudo sabiam.

Confira a lista dos filmes selecionados para a 23ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas:

– ARQUITETURA DOS QUE HABITAM (Daiana Rocha, EXP, ES)
– OS MAIS AMADOS (Rodrigo de Oliveira, FIC, ES)
– SANGRO (Tiago Minamisawa, Bruno H Castro e Guto BR, ANI, SP)
– DÔNIARA (Kaco Olímpio, FIC, GO)
– PERPÉTUO (Lorran Dias, FIC, RJ)
– REFÚGIO (Shay Peled e Gabriela Alves, DOC, ES)
– A PRAGA DO CINEMA BRASILEIRO (William Alves e Zefel Coff, EXP, DF)
– NEGRUM3 (Diego Paulino, DOC, SP)
– O ÓRFÃO (Carolina Markowicz, FIC, SP)
– GUAXUMA (Nara Normande, ANI, PE)
– RISCADAS (Karol Mendes, DOC, ES)
– FARTURA (Yasmin Thayná, DOC, RJ)
– TEMPESTADE (Fellipe Fernandes, FIC, PE)
– QUANDO ELAS CANTAM (Maria Fanchin, DOC, SP)
– SOBRADO (Renato Sircilli, FIC, SP)
– O PÁSSARO SEM PLUMAS (Tati Rabelo e Rodrigo Linhales, ES)
– COR DE PELE (Lívia Perini, DOC, PE)