Concepção visual será feita pela produtora cultural, crítica de arte e curadora Neusa Mendes com base no trabalho da artista radicada no Espírito Santo Nelma Guimarães

“Cinema são quadros em movimento”. Essa definição, que poderia representar as sequências de imagens estáticas que dão vida ao cinema, nas palavras da produtora cultural, crítica de arte e curadora Neusa Mendes ganha outro sentido – ainda mais literal: “para mim o cinema é a junção das artes. Tem a cenografia, o figurino, as cores, a música, tudo presente”, complementa.

As artes plásticas e visuais são terrenos mais que desbravados por Neusa, artista de formação e um dos nomes mais respeitados nessas áreas dentro do Espírito Santo e pelo país. Agora, ela também se debruça sobre sétima arte para realizar a concepção visual do 26º Festival de Cinema de Vitória, que tem lançamento no dia 20 de março de 2019 com a abertura oficial das inscrições. Na data, será realizado um evento na Casa Porto das Artes Plásticas, a partir das 19 horas, para convidados. As inscrições vão até o dia 20 de maio e poderão ser feitas pelo site www.festivaldevitoria.com.br.

Identidade do 26º Festival de Cinema de Vitória será baseada na obra da artista Nelma Guimarães. Foto: Divulgação/Elder Ferreira

Para a identidade desta edição, o festival traz outro nome das artes: Nelma Guimarães, artista mato-grossense de nascimento e capixaba de coração, que em suas obras carrega memórias afetivas em telas, objetos e bordados. “A obra de Nelma tem uma alegria, uma transcendência de pintura, colagem, uma junção de materiais que é maravilhosa. Tem a simplicidade e a sofisticação, a cor e o contraste. ‘Delicadeza’ e ‘alegria’ eu destaco como as duas palavras para sintetizar o que vamos trabalhar”, diz Neusa.

Concepção visual será feita pela produtora cultural, crítica de arte e curadora Neusa Mendes. Foto: Acervo pessoal

A “cara” da 26º edição do festival também terá outra característica. A equipe técnica que desenvolverá a aplicação da identidade será composta por mulheres, do registro fotográfico à diagramação do catálogo e demais peças gráficas. A escolha é também uma forma de valorizar o trabalho das mulheres nas artes.

“Escolhemos o mês de março, mês da mulher, para o lançamento das inscrições do Festival de Cinema de Vitória neste ano e esperamos, com isso, estimular uma maior participação feminina nas mais diversas frentes. Sobre trazer as artes plásticas para o festival, estamos muito felizes com a presença dessas duas grandes mulheres, Neusa e Nelma, e ansiosos pelo resultado desta parceria”, afirma a diretora do festival, Lucia Caus. O evento de abertura das inscrições exibirá para o público o curta-metragem “Peripatético” (15’, 2017, SP), de Jéssica Queiroz, que levou o prêmio de melhor filme pelo júri técnico da 22ª Mostra Competitiva de Curtas do festival em 2018.

Integrando este time de mulheres, a artista convidada Nelma Guimarães destaca a importância de se enxergar a arte como um todo. “Eu acho que qualquer conjunto cultural que se una é engrandecedor para todos porque todos os meios levam para uma só intenção, cada um com seu olhar. Mais do que nunca a contemporaneidade pede que todas as artes se juntem como expressão humana”, diz Nelma.

Costurando o cinema à memória
A obra de Nelma Guimarães é carregada de afetos e emoções. As memórias da artista, que antes de frequentar a escola de artes estudou enfermagem, se transformam em bordados,  pinturas e objetos como uma cadeira ou um urso de pelúcia. A agulha e a linha aparecem com frequência nas obras e colocam para fora as mais diversas lembranças.

A artista Nelma Guimarães. Foto: Acervo pessoal

Já as cores, que tanto chamam atenção na obra de Nelma, são exatamente os elementos que ela gosta de observar no cinema. “Eu gosto de imagens com riquezas poéticas, quase fantasiosas, quase infantis. Eu fui introduzida muito cedo no cinema através da minha irmã Simone, que sempre foi apaixonada por filmes. Não tenho pudores e preconceitos, vejo qualquer estilo”, conta.

Da mesma forma, com Neusa Mendes a relação com o cinema também se deu na família e quando criança, por influência do tio, dono de uma sala na pequena cidade de Mantena (MG). Das películas exibidas no “Cine Teatro Império”, ela se recorda dos filmes de faroeste e de “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman. “Minha infância e adolescência foram marcadas por essa trajetória de ir para a pracinha passear e ir ao cinema. Foi só depois de vir estudar em Vitória que outros filmes chegaram até mim. Hoje tudo o que mexe com os sentidos me toca, a sensibilidade, a estética”, diz, sem conseguir escolher ao certo seu estilo de filme favorito.

Neusa recorda que uma de suas incursões profissionais no cinema foi no filme “A Noite das Longas Facas”, de Amilton de Almeida, rodado no final dos anos 1980. Ela produziu os storyboards e o figurino, juntamente com o artista Attílio Colnago.

Neusa e Nelma, além da relação nas artes ou da similaridade dos nomes, também têm em comum o carinho pela programação do Festival de Cinema de Vitória, que acompanham desde o início como espectadoras. Agora, elas se juntam para construir parte do que será esta 26ª edição e prometem uma parceria transversal, como definiu Neusa. “O cinema traz tudo”, resume.

O 26º Festival de Cinema de Vitória tem o patrocínio do Ministério da Cidadania, através da Lei de Incentivo à Cultura, da ArcelorMittal, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE, do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA e da Ancine. Conta com apoio da Rede Gazeta e da Prefeitura Municipal de Vitória. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA).

26º Festival de Cinema de Vitória
De 24 a 29 de setembro de 2019
Local: Centro Cultural Sesc Glória e Cineclube Metrópolis
Inscrições: 20 de março a 20 de maio de 2019
Informações: www.festivaldevitoria.com.br