A temática da diversidade sexual e de gênero sempre esteve presente na programação do Festival de Cinema de Vitória. Acompanhar as transformações sociais sempre fez parte da seleção apresentada pelas comissões de seleção ao longo dos 27 anos de evento. 

Agora, um recorte especial dessa produção audiovisual, será exibido dentro da Mostra Panorama Diversidade, que integra a programação do Festival de Cinema de Vitória: Panorama Diversidade 27 Anos, projeto que conta com recursos da Lei Aldir Blanc, e que acontece a partir de 24 de fevereiro, às 19 horas, e segue até 26 de março, em formato online e gratuito, no Canal de Youtube do Festival

Com curadoria do cineasta, pesquisador e professor do curso de Cinema e Audiovisual da Ufes, Erly Vieira Jr; e do produtor audiovisual, editor e curador Waldir Segundo, a mostra apresenta oito curtas-metragens.  “Para este programa, pensamos no foco de diversidade sexual e de gênero, entrelaçando filmes de diversas épocas para apresentar um pouco de como foi se desenvolvendo o cinema LGBTQIA+ brasileiro” explica a dupla. 

Filmes 

A mostra abre com o curta-metragem Montação, de Wan Viana. O documentário apresenta reflexões sobre o universo das drag queens. Tailor, de Calí dos Anjos, é um documentário animado sobre pessoas trans, feito por pessoas trans. Selma Depois da Chuva, de Loli Menezes, fala da relação de uma mãe com sua filha trans. O Olho e o Zarolho, conta a história de Matheus e suas duas mães. Depois de Tudo, de Rafael Saar, aborda o dia a dia de um casal de homens na terceira idade.  One Man Show, de Lobo Pasolini, é uma videoarte queer/ camp. Peixe, de Yasmin Guimarães, é um filme sobre a liberdade do corpo feminino. Fechando a seleção, Manaus Hot City, de Rafael Ramos, é um curta que se passa no Norte do Brasil e fala da força da amizade.  

Texto da Curadoria Mostra Panorama Diversidade 

Para este programa, pensamos no foco de diversidade sexual e de gênero, entrelaçando filmes de diversas épocas para apresentar um pouco de como foi se desenvolvendo o cinema LGBTQIA+ brasileiro. Abrimos o programa com Montação, que aborda como o conceito de drag reinventa as fronteiras de gênero, seguido de Tailor, que aborda o universo de um  desenhista trans sob a ótica de um cineasta também trans. Em seguida, falamos de famílias: uma mulher trans e sua mãe (Selma Depois da Chuva), a maternidade num casal de lésbicas (O Olho e o Zarolho) e o cotidiano de um casal de homens na terceira idade, num relacionamento ainda dentro do armário (Depois de Tudo).

Para discutir como se transformaram as formas de representar o desejo nesses 27 anos de Festival, trazemos filmes de duas épocas distintas: a irreverência queer/camp de um clássico dos anos 90 (One Man Show) e, das safras mais recentes, um manifesto-sapatão sobre a liberdade e o prazer do corpo feminino (Peixe). Encerrando o programa, um filme amazonense que fala de amizade, inquietude, melancolias e anseios a partir de um banquete de sensações: Manaus Hot City.

Erly Vieira Jr e Waldir Segundo 

Panorama Diversidade 27 Anos 

O Festival de Cinema de Vitória: Panorama Diversidade 27 Anos é um projeto retrospectivo que apresenta 21 curtas-metragens exibidos no Festival de Cinema de Vitória ao longo de quase três décadas de existência. 

A programação foi dividida em três programas: Mostra Panorama Brasil, que trata da diversidade de temas associados ao Brasil; Mostra Panorama Espírito Santo, que joga luz sobre o cinema produzido no Estado que sedia o evento; e Mostra Panorama Diversidade, que trata da diversidade sexual e de gênero. 

Com realização do Instituto Brasil de Cultura e Arte, o projeto conta com recursos da Lei Aldir Blanc, via Edital de Seleção de Projetos e Concessão de Prêmio Artes Integradas 2020, por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult ES), direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA
PANORAMA DIVERSIDADE 27 ANOS
MOSTRA PANORAMA DIVERSIDADE

Montação (Wan Viana, ES, DOC, 2016, 15’)

Dentre tantas possibilidades, ser drag ainda é exacerbar o feminino. No curta, seis indivíduos se reúnem para um dia de muita maquiagem, brilho e reflexões sobre seus próprios corpos e tudo o que deles transbordar a partir da Montação.

Tailor (Calí dos Anjos, RJ, DOC, 2017, 10’)

Tailor é um cartunista transgênero que compartilha em sua página na internet experiências de outras pessoas trans e seus desafios dentro da sociedade. Um documentário animado sobre pessoas trans, feito por pessoas trans.

Selma Depois da Chuva (Loli Menezes, SC, 2019, FIC, 12’)

Selma é uma mulher trans que construiu sua vida afastada da família. Um dia ela recebe um chamado para ir ao encontro de sua mãe idosa, que sofre de Alzheimer e precisa de tratamento. Nesse encontro, perdidas entre memórias confusas, as duas mulheres lembram dores e desejos esquecidos, e revisitam culpas e afetos perdidos.

O Olho e o Zarolho (Juliana Vicente e René Guerra, 2013, FIC, 16’)

Matheus tem duas mães. Sua mãe número 1 entra em crise ao ver os seus desenhos. O Olho e o Zarolho é uma fábula sobre a família moderna.

Depois de Tudo (Rafael Saar, 2008, FIC, 12’)

Depois da despedida, a espera. Depois da espera, a volta. Depois de tudo, o que mais querem é estar juntos e um dia basta para esperarem pelo próximo.

One Man Show (Lobo Pasolini, ES, EXP, 1991, 1’)

Vídeo performance, pioneiro da vídeo-arte no ES, representante de uma era quando o ethos era ‘uma ideia na cabeça e muita atitude na execução’.

Peixe (Yasmin Guimarães, MG, FIC, 2019, 17’)

Marina é uma jovem mulher que trabalha em Belo Horizonte realizando entregas com a sua bicicleta.

Manaus Hot City (Rafael Ramos, AM, FIC, 2020, 13’)

Dois amigos se encontram para comer um bodó. A conversa entre eles percorre as cores e os cheiros das casas, no calor da cidade. Alguém fica e alguém parte. 

Serviço:
Festival de Cinema de Vitória: Panorama Diversidade 27 Anos
Quando: 24 de fevereiro, às 19 horas. Disponível até o dia 26 de março
Onde: Canal de Youtube do Festival de Cinema de Vitória
Online e Gratuito