Janela que tem a proposta de observar a construção de novos mundos a partir de experiências particulares, a 7ª Mostra Outros Olhares realizou o debate na tarde desta quarta-feira (25), com mediação do jornalista e crítico de cinema, Filippo Pitanga; e da doutoranda em psicologia e cinema pela USP e crítica de cinema para o portal Geledés, Viviane A. Pistache

Participaram do bate-papo os realizadores Victor di Marco e Marcio Picoli, do documentário O Que Pode um Corpo?; Vinicius Elizario, de Rebento; Janaina Oliveira Refem e Rodrigo Dutra, de Joãosinho da Goméa- O Rei do Candomblé; e Sérgio Silva, de Estamos Todos na Sarjeta, mas Algum Olham Para as Estrelas

De acordo com o realizador Victor di Marco, o filme O Que Pode um Corpo? “surge de uma necessidade que eu encontrei em visualizar a minha vivência e meu corpo em tela. Pessoas com deficiência são invisíveis na arte e sempre que tem alguma visibilidade é a partir do olhar de pessoas sem deficiência”. 

A partir desse entendimento vieram as vivências que norteiam o curta-metragem. “Como conseguir fazer com que as pessoas passassem a perceber corpos com deficiência como potentes, e como fazer com que a gente saísse desse campo de visão do ‘herói’ e do ‘coitado’. A partir do nosso encontro quanto trabalho, a gente achou que a partir do documentário a gente conseguiria sensibilizar um pouco mais as pessoas” 

Já Vinicius Elizario falou das relações de paternidade e masculinidades que atravessam seu curta. “Rebento parte muito de um resgate de uma paternidade que foi muito quebrada. Eu não tive um pai ausente, mas tive um contexto de paternidade que traz muito dessa masculinidade tóxica de um não afeto pleno. Eu trago isso muito filme, como as mulheres de minha família, principalmente minha mãe e minha avó, foram importantes para determinadas decisões de minha vida e como as mulheres são importantes para decisões de Pedro e de Zoi dentro do filme”. 

Sérgio Silva, de Estamos Todos na Sarjeta, mas Algum Olham Para as Estrelas falou das primeiras motivações para realizar o curta. “O filme surgiu a partir de muitas coisas, mas principalmente, da amizade com a Izabél Zuaa, quando  eu fiz assistência de direção do filme As Boas Maneiras. Eu também tinha um desejo de filmar com muitos daqueles atores com quem eu já tinha trabalhado em outros filmes, em outras situações”. 

Janaina Oliveira Refem, de Joãosinho da Goméa- O Rei do Candomblé, falou da memória do personagem título do seu curta, que era morador do mesmo bairro que a diretora. “Eu ouvi muitas histórias sobre o terreiro de Seu João na minha infância. Quando o Rodrigo me convida para co-dirigir e fazer a pesquisa sobre o seu João, eu descubro esse personagem incrível, riquíssimo tanto para a história da religião de matriz africana no Brasil quanto pra história artística também da cultura negra, no teatro e na dança. Realmente foi um reencontro apaixonante”. 

Ela também destacou o lado positivo das sessões online, em função da pandemia do Covid-19, e a chance de. “A potência do festival ser online é incrível, porque nem todo mundo que está nos assistindo poderia estar em Vitória. Então isso a gente tem que reconhecer”. 

O 27º Festival de Cinema de Vitória conta com o Patrocínio do Ministério do Turismo, através da Lei de Incentivo à Cultura, e do Banestes. Conta com o apoio da Unimed Vitória, da Rede Gazeta, do Canal Brasil, da Stella Artois e da Suzano. Conta também com o apoio institucional do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), da Tower Web, da Dot, da Link Digital, da Mistika, da ABD Capixaba, da Carla Buaiz Jóias, do Findes, do Sesi Cultural e da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA).

Confira na íntegra o Debate 7ª Mostra Outros Olhares