No #FCVemCasa para você poder ver ou rever os filmes que fizeram parte da edição passada do Festival de Cinema de Vitória. Pensamos em você que está em casa isolado socialmente em face à pandemia da Covid-19 no Brasil e no exterior. 

No Brasil, segundo dados do IBGE, a população negra constitui mais de 50% da população. Ainda assim, o que é produzido na televisão, cinema, teatro e em outras formas de arte, apresenta narrativas criadas, em sua maioria, por e para pessoas brancas. Com a realização da Mostra Cinema e Negritude, o Festival de Cinema de Vitória contempla exclusivamente a produção de cineastas negros e negras pelo quarto ano consecutivo, sendo janela para um cinema com muita potência e narrativas indispensáveis para debater a temática da negritude.

A seleção foi feita pelo jornalista Leonardo Vais e pela gestora cultural Thaís Souto Amorim. Os curadores apresentam a mostra:

“Em um país como o Brasil, em que as narrativas cinematográficas são majoritariamente construídas por homens brancos, hetrossexuais e cisgêneros, conforme divulgou em 2018, a Agência Nacional de Cinema (Ancine), no “Informe Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016”, que identificou a falta de falta de representatividade de negros e mulheres na produção de longas-metragens brasileiros, pensar uma curadoria temática, como é o caso da mostra “Cinema e Negritude”, é o equivalente a dar início a uma grande reportagem.

Embora os números ainda não sejam os mais animadores e ainda precise de ajustes para a engrenagem da máquina funcionar a contento, desde a retomada do cinema brasileiro, na metade da década de 1990, homens e mulheres negras começaram a dar voz às suas próprias narrativas, um marco desta quarta edição da mostra, que contempla exclusivamente a produção destes cineastas.

O primeiro passo é investigar uma série de curtas-metragens inscritos para o Festival de Cinema de Vitória e produzidos das formas mais diversas – que inclui desde financiamento coletivo até patrocínio público, além de recursos próprios e produções acadêmicas – o que demonstra um potencial criativo – em sua maioria – de uma nova geração de realizadores, além de uma necessidade urgente de apresentar novas narrativas para o audiovisual do país por meio dos mais diversos gêneros fílmicos.

Para dar conta dessa pluralidade, a seleção de curtas-metragens precisa apresentar uma narrativa que valorize os filmes dentro das suas individualidades, tanto técnica quanto esteticamente, mas que também dialoguem entre si criando uma continuidade ao apresentar os pontos de convergência e as particularidades do povo preto por meio do audiovisual.

Os cinco filmes que compõem a mostra apresentam alguns olhares sobre narrativas cotidianas do povo preto. Santos Imigrantes é um curta experimental que atualiza o mito de Exu e a intolerância pela qual as religiões de matrizes africanas passam. Kairo é uma ficção sensível sobre a perda e dos atravessamentos que acometem a população negra.

Do Dia Em Que Mudamos A Rota é um documentário que fala de território, pertencimento e memórias a partir da nova rota de aviões. Sem Asas trata da violência, da tensão e da dureza cotidiana em que vive o povo preto. Motriz fecha a seleção. O documentário trata da saudade, de luta, solidão e alegria, e da sororidade entre mulheres negras.

Considerando-se a variedade de saberes apresentados nesses filmes, é possível  transcender a simples utilização do cinema como estímulo audiovisual, mas como uma ferramenta que ilustra e reflete a realidade. Boa reflexão!”

Este texto faz parte do catálogo do 26º Festival de Cinema de Vitória, que está disponível em https://issuu.com/vitoriacinevideo/docs/catalogo-26fcv

4ª Mostra Cinema e Negritude
Classificação Indicativa 12 ANOS

Melhor Filme pelo Júri Técnico – Sem asas, de Renata Martins
Menção Honrosa – Motriz, de Tais Amordivino

Kairo (Fabio Rodrigo, FIC, 1′, SP)

Em uma escola na periferia de São Paulo, a Assistente social Sônia precisa retirar o garoto Kairo, de nove anos, da sala de aula para ter uma conversa difícil.

Santos Imigrantes (Thiago Costa, FIC, 7’, SP) 

Santos Imigrantes é um curta independente que conta com a participação do ator Weslley Baiano e lida com as religiões de matriz africana no Brasil a partir da presença marcante do orishá Exú como um personagem. Você já ouviu a palavra de Exú hoje? 

Do Dia em que mudamos a rota (Diego Nunes, DOC, 10’,ES)

Um pequeno relato dos habitantes de Jardim da Penha, bairro que abraça o aeroporto de Vitória no dia em que percebemos que a rota dos voos irá mudar.

*Motriz de Tais Amordivino, está com contrato de exclusividade que não permite deixá-lo disponível em nenhuma plataforma online. 

** Sem Asas de Renata Martins, não está autorizado para exibição online.