O Festival de Cinema de Vitória oferece o #FCVemCasa para você poder ver ou rever os filmes que fizeram parte da edição de 2019 do Festival. Esta é uma opção para o isolamento social, que vivemos, devido à pandemia da Covid-19 no Brasil e no exterior. 

Em sua 9ª edição, a Mostra Quatro Estações potencializa a discussão sobre diversidade sexual e múltiplas identidades sexuais durante o 26º Festival de Cinema de Vitória. Neste ano a mostra exibiu filmes, que representam distintas realidades dentro do Universo LGBTQI+. No #FCVemCasa exibimos alguns filmes da seleção.

A comissão de seleção da mostra é composta por um time de quatro profissionais com os mais variados backgrounds nos campos do cinema e audiovisual: Flavia Candida, curadora, cineasta e produtora; Erly Vieira Jr, cineasta, escritor, pesquisador na área audiovisual e professor da Ufes; Ursula Dart, realizadora, produtora, diretora e fotógrafa de filmes; e Waldir Segundo, Programador do Cine Metrópolis e pesquisador de cinema.

Waldir Segundo, apresenta a seleção:

“Investigando traços específicos do imaginário LGBTQI+, os filmes que compõem a 9ª Mostra Quatro Estações vêm para mostrar a nova liberdade que os realizadores adquiriram nesses novos tempos: filmes mais íntimos e pessoais, repletos de olhares e jogos táteis, distanciando-se do melodrama e dos rótulos fáceis, atendendo às especificidades de cada uma das letras que compõem a sigla. Podemos imaginar esta temporada como a junção de partes de um corpo complexo, uma espécie de Megazord se unindo para, no final, destruir o(s) monstro(s) – ou seja, as inúmeras estratégias e ameaças que a heteronormatividade lança mão para tentar controlar os corpos e desejos.

A cabeça seria Reforma, de Fábio Leal. Uma mente bastante inquieta, lutando para superar a insatisfação com o próprio corpo gordo/urso, e reconhecer que dele recebe inúmeros prazeres – aceitar e entender o próprio corpo é o primeiro passo para se libertar, ainda mais num mundo que continua vendo problemas em existir um amor diferente em corpos fora dos padrões estabelecidos. Os braços fortes do Vigia (João Victor Borges) carregam uma história de opostos: com um deles consegue erguer a difícil vida de um homem negro e periférico e com o outro tenta segurar a energia transgressora de uma “poc” afeminada. Quando esses braços se cruzam, formam uma enorme explosão colorida.

As mãos, delicadas, ficam por conta da Superpoderosa Mathilda, drag capixaba que abre seu coração sobre a arte do transformismo em um momento bem íntimo, à medida que partilha conosco a diária remodelagem do próprio corpo drag. Nosso coração é um coração que bate diferente depois de uma renovação: a protagonista de Selma Depois da Chuva precisa criar um novo vínculo com sua mãe, que agora requer seus cuidados à medida que avançam os efeitos do Alzheimer – conferindo novas reflexões às relações familiares envolvendo pessoas trans. Peixe (Yasmin Guimarães), são os dedos habilidosos, que rompem amarras e nos rendem com o toque, mas também são a boca que não se cala diante do que a ameaça, ao mesmo tempo que percorre o corpo, sedutora, ativando afetos e desejos, desreprimindo corpos e mentes, mostrando a verdadeira força da mulher sapatona, especialmente na catarse de seu canto final.

A arma, poderosa e cheia de lasers, é Tea for Two. Dirigido por Julia Katherine, o curta fala de amor e sororidade, aproximando uma mulher trans e uma lésbica, e nos lembrando o quão próximas são (ou pelo menos deveriam ser) as letras da nossa sigla, uma união capaz de derrotar qualquer adversidade e normatização que tentam nos impor – afinal, as vidas LGBTQI+ jamais cabem nos limites de qualquer caixinha, elas sempre transbordam, nos levam além.

E, respeitando as diferenças entre nós, podemos ir muito além, podemos também ser superpoderosos.”

Este texto faz parte do catálogo do 26º Festival de Cinema de Vitória, que está disponível em https://issuu.com/vitoriacinevideo/docs/catalogo-26fcv

9ª Mostra Quatro Estações
Classificação Indicativa 18 ANOS

Melhor Filme: Tea for two, de Julia Katharine

Menção Honrosa: Selma Depois da Chuva, de Loli Menezes.

Superpoderosa Mathilda (João Giry, 21’, DOC, ES)

O artista Wallace Breciani mostra alguns dos momentos importantes no processo de criação de sua obra. Enquanto cria sua personagem, Mathilda, ele compartilha motivos pessoais que o levaram a abraçar a arte de se montar e como isso tornou-se parte de sua identidade.

Reforma (Fábio Leal, 15’, FIC, PE)

Saindo com um rapaz diferente a cada dia, Francisco revela à amiga Flávia que está insatisfeito com seu corpo gordo. Ela o ouve, mas tem dificuldade para entender a dimensão do problema do amigo.

Peixe (Yasmin Guimarães, 17’, FIC, MG)

Marina é uma jovem mulher que trabalha em Belo Horizonte realizando entregas com a sua bicicleta.

Acesse aqui.

*Peixe de Yasmin Guimarães está disponível na plataforma de streaming para assinantes. 

**Selma Depois da Chuva de Loli Menezes não está disponível pois está em circulação nos festivais. 

***Vigia de João Victor Borges não está disponível pois está licenciado.

****Tea for Two, de Julia Katherine não disponibilizou o filme.