Diante ao avanço do Coronavírus (COVID-19) no Brasil e com o isolamento social, o Festival de Cinema de Vitória lançou uma opção para curtir os filmes da edição passada, que aconteceu em 2019, em Casa.

Para abrir espaço para o debate sobre sustentabilidade e questões ambientais, o 26º Festival de Cinema de Vitória realizou a 2ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental, no Centro Cultural Sesc Glória. E agora disponibiliza alguns dos seus filmes para você assistir em casa durante a pandemia do Covid-19.

A curadoria da Mostra Ambiental ficou a cargo da cineclubista e realizadora Margarete Taqueti e do ambientalista, cineasta e produtor Jefferson de Albuquerque Junior. Foram exibidos filmes de curta-metragem nos gêneros animação, documentário, experimental e ficção, das regiões sudeste e nordeste, com temática ambiental.

Os curadores apresentam a mostra:

“Nossas indagações socioambientais estão apoiadas no conceito do biólogo e escritor Humberto Maturana, para quem o ser humano é um sistema que define, constrói e modifica sua própria organização a partir de seu comportamento e suas ideias. Nessa relação criativa, meio-sistema, é que emerge o social. Aqui entendido como domínio de condutas relacionais fundadas na emoção originária da vida.

A emoção fundante do social – o amor – é o elemento estrutural da fisiologia humana, porque, “O amor é a emoção que constitui o domínio de condutas relacionais em que se dá a operacionalidade da aceitação do outro como legítimo outro na convivência”.

A Mostra Ambiental 2019 assume a responsabilidade de apresentar um tecido social diversificado e singular naquilo que nos identifica – criar laços, somar ou dividir – para o resgate das emoções do que é humano. Emoção, neste caso, são as disposições corporais dinâmicas que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos.

Poética do Barro é uma animação com proposta bastante amadurecida, que inova nos recursos expressivos propostos e técnicas, como a animação em argila em diálogo e aprendizado com a tradição artística de populações tradicional mineira – hoje, majoritariamente exercida por Onde foi parar a nossa empatia? mulheres – de maneira criativa e não figurativa aborda conteúdo socioambiental.

Menino pássaro. Bem produzido, com elenco convincente e roteiro baseado em fatos reais publicados na imprensa, o filme se apresenta como “um olhar de um diretor negro para a branquitude do cidadão brasileiro”.

S/N (Sem Número) permeia a mudança da paisagem urbana em constante transformação à falta de identidade, pertencimento e memória dos cidadãos que habitam nessa paisagem.

Glória é um filme experimental poético confessional e íntimo que aborda a ocupação urbana em áreas de riscos à habitação humana, com um sensível olhar feminino.

Em vídeo gravado para o Prêmio PIPA de Arte Contemporânea, a artista descreve o que vem a ser a prática artística de experiência instalativa ao afirmar: “Entendo o meu corpo-flor como uma encruzilhada, mas também compreendo essa encruzilhada como diálogo formado por saberes que se distanciam, mas que eu faço conversarem: junto saberes da psicologia, da medicina, da macumbaria, da feitiçaria, curandeirismo, arte, química e o que eu julgar necessário para eu produzir sobrevivência”. Essa junção de técnicas afirmativas em produções artísticas é o que Castiel Vitorino Brasileiro denomina como Experiências Instalativas em Quarto de Cura.

Com depoimentos sobre o grave contexto de violência e destruição ambiental no Maranhão e imagens registradas por um cinegrafista Guajajara de um encontro inesperado com povos isolados, Ka’a zar ukyze wa – Os Donos da Floresta em Perigo é um alerta do povo Guajajara pela proteção dos Awá Guajá isolados da floresta.

Boa sessão!”

Este texto faz parte do Catálogo do 26º Festival de Cinema de Vitória.

2ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental

Classificação Indicativa 10 ANOS

Melhor Filme pelo Júri Técnico – Ka’a zar ukyze wà – Os Donos da Floresta em Perigo, de Flay Guajajara, Edvan dos Santos Guajajara e Erivan Bone Guajajara

Poética do Barro (Giuliana Danza, ANI, 6′, MG)

O curta-metragem “Poética de Barro”, animado em stop motion com argilas do Vale das Viúvas de Maridos Vivos (Jequitinhonha/MG). Baseado no trabalho de ceramistas mineiras e com trilha original composta por instrumentos de cerâmica, retrata a saga de uma pequena criatura que precisa sobreviver às vicissitudes da vida. Resta saber se todas as barreiras serão transpostas.

Acesse aqui

Glória (Yaminaah Abayomi e Nádia Oliveira, EXP, 6’, RJ)

Das lágrimas aos tsunamis, toda água tem a mesma origem e um só fim.

Ka’a zar ukyze wà – Os Donos da Floresta em Perigo (Flay Guajajara, Edivan dos Santos Guajajara, Erisvan Bone Guajajara, DOC, 14’, SP/MA)

A terra indígena Araribóia, no Maranhão, é uma das mais ameaçadas da Amazônia. É o território do povo Guajajara e também de um grupo de indígenas isolados, os Awá Guajá. O filme é um alerta e pedido de socorro dos Guajajara pela proteção das florestas e de seus parentes Awá Guajá. Um dos últimos povos caçadores e coletores do mundo, cujo modo de vida depende essencialmente da floresta, está com os dias contados se a destruição continuar.

Menino Pássaro (Diogo Leite, FIC, 15’, SP)

Gabriel se instala ao lado de uma árvore em um bairro nobre da cidade de São Paulo. Clarisse acompanha atônita e inerte o tratamento dado a Gabriel, ao mesmo tempo em que leva uma vida estagnada e dependente da mãe.

senha: meninopassaro2018

Quarto de Cura (Castiel Vitorino Brasileiro, DOC, 4’, ES)

Documentário sobre a experiência instalativa Quarto de Cura. Realizada pela artista Castiel Vitorino Brasileiro, no Morro da Fonte Grande, em Vitória, Espírito Santo.

S/N (Sem número) (Renata Malta, FIC, 10’, PE)

Um homem tenta retornar à sua casa, lugar que acredita ter sido substituído por uma farmácia.