Durante o período de isolamento social, devido à pandemia do Covid-19, o Festival de Cinema de Vitória disponibiliza algumas mostras da edição de 2019 para o público assistir ou reassistir às seleções de filmes.

Com a proposta de fomentar, incentivar e valorizar a produção audiovisual do Espírito Santo, além de ser uma janela exclusiva para produções desenvolvidas por realizadores locais, a Mostra Foco Capixaba teve sua 8ª edição exibida no Centro Cultural Sesc Glória, abrindo a 26ª edição do Festival. No #FCVemCasa estão disponíveis alguns filmes desta edição da Foco Capixaba.

A curadoria da mostra foi dividida entre a cineasta e produtora oriunda do curso de Cinema da UFF, Flavia Candida; o cineasta, escritor e pesquisador na área audiovisual, Erly Vieira Jr; a mestra em Comunicação e Territorialidades pela UFES, Ursula Dart; e o programador do Cine Metrópolis, estudante de Cinema e Audiovisual da UFES e membro do Núcleo de Estudos de Curadoria do Baile-UFES, Waldir Segundo.

Ursula Dart apresenta a seleção:

“A 8ª Mostra Foco Capixaba apresenta, mais uma vez, a diversidade da produção do Estado. Embora diversa, em meio a tantos estilos e narrativas, arrisco dizer que encontro como uma linha dorsal um tecido de crítica social que se apresenta com variadas modulações em cada um dos seis títulos

que compõem a Mostra. Restou evidente que os realizadores e as realizadoras, afetados pelo processo político atual brasileiro, buscaram costurar com sensibilidade o dia a dia de nossa sociedade.

Se Minhas Mães (Gustavo Guilherme da Conceição), com imagens de família, constrói uma crítica à situação de tantas mulheres que criam seus filhos à margem do olhar da sociedade, Casa de Vó (André Ehrlich Lucas) parte também de uma situação familiar para explorar relações construídas entre pessoas de classes sociais e econômicas distintas.

Ainda sobre o trilho da crítica social, temos Guri (Adriano Monteiro) e Práticas do Absurdo (Alexander S. Buck), que acertam a mão quando abusam da ironia para realçar o racismo incrustado em nossa sociedade.

Jardim Secreto (Shay Peled) parte da história do outro para tecer uma crítica, trazendo a vida de um comerciante do centro da cidade, que se apropria de uma das esquinas de seu bairro, como extensão de sua casa e que é impedido de fazê-lo.

Intolerância e falta de comunicação, que também é trabalhada em Pescadores Urbanos (Yolanda Faustini), que apresenta ao público as várias facetas de uma cidade que parecem não se tocar. A Mostra traz, assim, filmes necessários e que, em conjunto, apresentam faces de uma sociedade em necessária reconstrução.”

Este texto faz parte do Catálogo do 26º Festival de Cinema de Vitória.

Boa sessão!

MELHOR FILME PELO JÚRI TÉCNICO – Jardim Secreto, de Shay Peled

8ª Mostra Foco Capixaba
Classificação Indicativa 16 ANOS

Minhas Mães (Gustavo Guilherme da Conceição, 10’, DOC, ES)

Um filme sobre ausências e silêncios, mas também sobre reencontros e reconciliações.

Pescadores Urbanos (Yolanda Faustini, 15’, DOC, ES)

Ensaio sobre os pescadores que resistem e mantém suas tradições pesqueiras em meio à metrópole da cidade de Vitória.

Acesse aqui.

Jardim Secreto (Shay Peled, 19’, DOC, ES)

O filme segue a vida de Eugênio Martini, comerciante do centro de Vitória, que ao longo dos anos instalou em volta da sua loja e nas redondezas do bairro, mais de 100 câmeras de vigilância.

Práticas do Absurdo (Alexander S. Buck, 16’, FIC, ES)

Cinco personagens vivenciam fenômenos que alteram a realidade de forma absurda e inesperada. Um experimento cinematográfico que busca desafiar a lógica, o senso comum e até a gravidade. Os protagonistas descobrirão que nem sempre serão compreendidos diante dos eventos repentinos que mudaram suas vidas e que as reações das pessoas ao redor podem ser igualmente absurdas. Ou até piores.

*Casa de Vó não está disponível pois ainda está em período de inscrição em festivais.

**Guri não está disponível pois a distribuição do filme está em negociação.