A noite de encerramento do 33º Festival de Cinema de Vitória, neste sábado (25), foi marcada por duas sessões especiais que celebraram a potência da produção audiovisual capixaba. O público presente no Teatro Sesc Glória conferiu a pré-estreia do longa-metragem Folclórica, de Rodrigo Aragão, seguida do primeiro episódio da série documental Admirável Mundo Gordo, de Erly Vieira Jr. e Melina Galante. A programação foi encerrada com a cerimônia de premiação do festival e foi comandada pela dupla de apresentadores formada pelos atores Silvero Pereira e Kelner Macêdo.
A noite começou com a exibição de Folclórica, longa-metragem do diretor capixaba Rodrigo Aragão, homenageado capixaba desta edição do 33º FCV que expande seu universo fantástico com uma produção que une fantasia e identidade cultural. Voltado para o público infantojuvenil, e feito inteiramente com bonecos, o filme acompanha um saci que nasceu com a perna esquerda — ao contrário de todos os outros — em uma jornada em busca de aceitação pela terra encantada de Folclórica, acompanhado por seu melhor amigo e por uma valente curupira.
Acompanhado de sua esposa, a produtora Mayra Alarcón, de seus filhos Alicia Margarida e Ramiro, além de outros familiares e parte da equipe da produção, Rodrigo Aragão subiu ao palco emocionado para compartilhar a jornada de criação do filme. Dono de uma cinematografia que cria mundos fantásticos intimamente vinculados ao Espírito Santo, o diretor celebrou a oportunidade de apresentar sua primeira produção infantojuvenil em casa.
O cineasta contou que o filme nasceu durante o período difícil da pandemia, quando seus filhos estavam em isolamento. Para contornar a falta de vida social das crianças, ele criou fantoches. Por dois anos, eles brincaram com os fantoches todas as noites, criando uma profunda intimidade com os personagens que desembocou no roteiro de Folclórica.
Em sua fala, Rodrigo destacou a artesania envolvida na produção do longa-metragem. “Foi o roteiro mais fácil que eu escrevi na minha vida, porque era muito íntimo dos bonecos. Foi maravilhoso quando a gente conseguiu dar o financiamento desse filme, foi um processo muito desafiador. Foi um ano modelando os planos, tentando fazer mecanismos, tirando o molde, e errando muito, tentando acertar, Depois de um ano a gente começou a fazer os cenários, a montanha, as árvores. Tudo nesse filme é artesanal, ele não tem nada de computação gráfica. Todas as árvores, todas as flores, tudo foi feito a mão. Então foi quase um ano e meio para a gente começar a filmar. É desesperador trabalhar um ano e meio todo dia, ter um minuto de filme pronto”.
ADMIRÁVEL MUNDO GORDO

Na sequência, o público conferiu a pré-estreia do primeiro episódio de Admirável Mundo Gordo, série documental capixaba dirigida por Erly Vieira Jr. e Melina Galante. A produção coloca artistas gordos do Espírito Santo no centro de suas poéticas e propõe um novo olhar sobre corpos transbordantes. Composta por cinco episódios de cerca de 25 minutos cada, a série investiga como pessoas gordas são frequentemente excluídas ou estereotipadas em diferentes contextos sociais e midiáticos. A ideia nasceu das experiências vividas pelos próprios diretores, ambos gordos, e de observações sobre como corpos grandes são retratados no audiovisual.
A co-diretora Melina Galante não pode estar presente, mas participou da pré-estreia por meio de uma saudação gravada em vídeo e destacou a importância do Festival de Cinema de Vitória enquanto janela para os realizadores capixabas e afirmou que a série “é a realização de uma frustração da juventude, uma frustração da infância, de não poder se ver na tela de maneira justa, humana e prazerosa”.
Juntamente com o diretor Erly Vieira Jr., subiram ao palco o elenco de personagens e parte da equipe técnica da série. Em sua apresentação Erly frisou que a obra busca romper com os rótulos usuais impostos a pessoas gordas, mostrando suas vidas além do corpo. Ele também afirmou que a série põe em destaque artistas e profissionais criativos de diversas áreas, focando em suas potências, belezas e existências multifacetadas.
“Entendendo também que se o mundo não é desenhado para que as pessoas gordas caibam nele, todos os dias estamos criando estratégias, várias delas, para poder viver de uma forma mais inclusiva. Essa série traz esse conjunto de pessoas maravilhosas e abundantes. São pessoas do meio artístico, criativas, que são referências pra gente como pessoas que se colocam enquanto existências gordas exuberantes”. O diretor concluiu com um convite à autenticidade e ao empoderamento. “Não é a gente que tem que caber no mundo. É o mundo que tem que ser grande o suficiente para dar conta dos nossos desejos e dos nossos sonhos”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
