“Esse festival é um momento muito especial na minha vida. Pra mim, ser homenageado na terra em que eu nasci, que eu escolhi morar e trabalhar, é algo muito importante. Porque  aqui é o lugar mais importante do mundo pra mim”, declarou o diretor, produtor e roteirista Rodrigo Aragão, Homenageado Capixaba do  33º Festival de Cinema de Vitória, evento que conta com  patrocínio da Petrobras e patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA

Expoente do cinema de horror brasileiro, ele recebeu o caloroso abraço do público na noite do sábado (18), no Teatro Glória lotado para prestigiar a cerimônia de homenagem ao cineasta que foi recebido no palco por seus filhos Alicia Margarida e Ramiro, e por sua esposa, a produtora Mayra Alarcón. Rodrigo recebeu o Troféu Vitória, o Caderno do Homenageado e uma jóia exclusiva criada pela designer Carla Buaiz. 

Com mais de 30 anos de carreira no audiovisual, Rodrigo Aragão é natural de Guarapari, território muito presente em seus filmes, que são frequentemente permeados de paisagens do lugar onde cresceu. Sua trajetória artística foi construída literalmente com muito sangue, suor, gosma, muita persistência e criatividade. Filho de pai mágico e dono de cinema, e mãe dona de casa com um vasto repertório de histórias para contar, Rodrigo Aragão sempre foi apaixonado pelo universo da fantasia e do terror. 

Aragão, ao lado da esposa e produtora Mayra Alárcon, e dos filhos Ramiro e Alicia. Foto: Melina Furlan- Sérgio Cardoso-Vikki Dessaune/ Acervo Galpão IBCA

Em sua fala inicial, ao subir no palco do Teatro Sesc Glória, ele ressaltou a importância de sua família ao incentivar e acolher seu sonho de fazer filmes. “Eu estou muito emocionado com esta homenagem. Muito obrigado mesmo! Eu passei metade da minha vida sonhando em fazer cinema. E a outra metade fazendo, que foi mais divertida. Realmente aconteceram muitos milagres na minha trajetória. Para um menino que nasceu lá em Jabaraí, na beira do mangue, sofrendo de TDH e dislexia, pobreza e esquisitice, e agora está aqui prestes a lançar o oitavo longa. Eu quero muito dividir esse momento nomeando alguns dos milagres e compartilhando algumas coisas que eu aprendi nessa trajetória. Primeiramente, a família que eu nasci: a paixão do meu pai pelo cinema e a minha mãe, que não gostava de cinema e achava super estranho essas coisas que eu fazia, mas, mesmo assim, ela sempre me apoiava, isso é uma grande prova de amor. O meu tio, que falava que não conseguiu seguir os sonhos da vida dele, mas eu deveria seguir os meus. Meu irmão mais velho que está aqui, o Ramon, que me levou para os cinemas quando eu era criança.”

O Rodrigo aproveitou a memória de infância para dar uma dica aos pais presentes. “E deixo essa mensagem aos pais, aos responsáveis por crianças: levem nossas crianças para o cinema. Não deixe só no celular, nada substitui a experiência de assistir a um filme numa sala de cinema. Agradeço também à família que eu criei. Essa mulher [Mayra Alarcon] que eu  encontrei vinte anos atrás, no set do meu primeiro filme, me pegou e nunca mais deixei ela me largar. E hoje é ela que faz toda a parte séria e difícil de fazer um filme. Eu fico com a parte divertida.”

Aragão também agradeceu algumas pessoas que ele considera fundamentais para a afirmação de sua trajetória profissional. “Quando eu tinha 17 anos, no meu primeiro set de filmagem, eu conheci um cara muito especial chamado Jaceguay Lins. Ele foi a primeira pessoa que leu um roteiro meu, foi a primeira pessoa que falou que eu tinha talento. A  gente passou boa parte da década de 90 em busca de fazer um projeto meu. Foram anos tentando e foi muito frustrante.  Um dia eu fiquei muito chateado e o Jaceguay colocou a mão no meu ombro e falou assim ‘Não se preocupe, não deu certo agora, mas você vai fazer muitos filmes se você não desistir. E eu vou estar aqui para te ajudar’. E ele foi  embora antes de fazer o meu primeiro filme, mas eu divido essa frase para quem está querendo fazer: se você não desistir, o único resultado possível é realizar. E outra pessoa muito importante é o cara pra mim é o Hermann Pidner,  meu amigo querido, que achou que eu tinha talento  e ele fez essa grande loucura de montar uma empresa comigo de teatro de terror quando eu tinha vinte e dois  anos e que foi na minha grande escola. Eu fali quando tinha 26 anos e, mesmo assim, ele financiou quatro filmes meus. Então, esse é um cara para quem eu devo muito.”

COLETIVA 

Rodrigo Aragão na Coletiva do Homenageado, no Sesc Glória. Foto: Melina Furlan/ Acervo Galpão IBCA

Um pouco antes de subir ao palco para receber a homenagem no palco do Teatro Sesc Glória,  Rodrigo Aragão participou da coletiva de imprensa e do lançamento do Caderno da Homenageado Capixaba, publicação impressa assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos que traz um extensa reportagem sobre trajetória artística do homenageado. Durante a coletiva ele avaliou seu modo de fazer cinema, refletiu sobre os percalços dessa escolha profissional e sua opção por realizar filmes de forma artesanal. 

“Fazer cinema no Brasil é uma grande roubada e não é um bom negócio. Mas é uma roubada maravilhosa. Se vocês forem apaixonados por isso, que vocês possam ter tanta felicidade como eu consegui fazendo filmes. Cada filme meu foi um sonho realizado e nenhum  filme meu foi igual ao outro, eu nunca repeti uma fórmula, isso me ajuda também a manter o tesão, porque cinema a gente faz com fita crepe, café e tesão. E assim, eu tento manter essas três coisas sempre. Eu pretendo continuar o máximo possível no artesanal. A inteligência artificial está fazendo coisas lindas, maravilhosas, mas não acho prazeroso pedir para um computador te entregar, não tem muito tesão. Espero que continue tendo espaço para todos os tipos de filme”. 

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.  

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