Justificativa do juri
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Júri Oficial: André Fischer, Carol Benjamin, GG Fákọ̀làdé
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi (FIC, GO, 23’)
Justificativa: O filme vencedor se apresenta com uma naturalidade provocadora. O elenco dá vida a personagens que não cabem em estereótipos, com a segurança de quem já não precisa provar nada. Tem um humor certeiro e uma sensualidade que nos envolve em um universo bastante específico, como se fizéssemos parte dele. Um filme que normaliza o que deveria ser banal e ainda não é. E que faz isso seduzindo e nos pegando de surpresa até o último minuto. Um filme sobre a possibilidade, ainda rara nas nossas telas, de corpos negros e maduros serem sujeitos de afeto, onde envelhecer não significa renúncia, e o desejo finalmente encontra espaço para se realizar plenamente.
Troféu Vitória – Melhor Direção
Aristótelis Tothi, por Tião Personal Dancer (FIC, GO, 23’)
Justificativa: O desejo é também uma construção. Há cenas que não nos comovem apenas pelo que mostram, mas porque foram conduzidas com tal precisão que, quando acontecem, parecem inevitáveis. O cinema é também a arte de criar expectativas, sustentar a espera e confiar no tempo. É a partir dessa arquitetura invisível que uma cena deixa de ser desfecho e se transforma em acontecimento. Pela condução precisa do conjunto do elenco e pela capacidade de edificar um instante de suspensão, beleza e liberdade, o Júri Técnico concede o prêmio de Melhor Direção da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas a Aristótelis Tothi, por Tião Personal Dancer.
Troféu Vitória – Melhor Roteiro
Kimberly Palermo, por A Tragédia da Lobo-Guará, de Kimberly Palermo (ANI, RJ, 18’)
Justificativa: Por sua fluidez narrativa que vai do absurdo ao nonsense, este filme nos faz rir da falta de controle sobre a imprevisibilidade da vida. Não se levar a sério é a melhor forma de estar em uma jornada, mesmo que ela seja trágica. Pelo uso criativo da metalinguagem e pela inevitabilidade do destino, o Júri Técnico da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas concede o prêmio de Melhor Roteiro a Kimberly Palermo, por A Tragédia da Lobo-Guará.
Troféu Vitória – Melhor Fotografia
Andie Freitas, por Irmã, de Anderson Bardot (FIC, ES, 25’)
Justificativa: Acreditamos que a fotografia traduz, a partir da sensibilidade, o que o corpo escreve com o gesto. O gesto do corpo no espaço escreve uma biblioteca. Do que queremos nos livrar e como queremos nos lembrar? As imagens construídas por essa fotografia nos conduzem a sentir a liberdade sem medo de olhar para trás, como quem passeia por um álbum de família ou como quem lembra de um grande amor. Fotografar é escrever com a imagem uma história de desobediência. Pela inventividade à serviço da narrativa na construção dos planos, o Júri Técnico da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas concede o prêmio de Melhor Fotografia a Andie Freitas, por Irmã.
Troféu Vitória – Melhor Contribuição Artística
Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr., por Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr. (FIC, RJ 13’)
Justificativa: Há filmes que escolhem contar uma história. E há filmes que escolhem, antes de mais nada, uma forma. E é através dela que tudo o mais se revela. O vencedor do Prêmio de Contribuição Artística usa um gênero feito para o escapismo e o vira do avesso. Uma narrativa fora do padrão, com imagens sem a menor intenção de perfeição e que propõe um novo território estético para o cinema queer brasileiro. Desejo explícito, sem pudor de se mostrar. A velhice avançando sem disfarce. O luto revestido com humor. O excesso, aqui, é ferramenta de sobrevivência afetiva e também de invenção de linguagem.
Troféu Vitória – Melhor Interpretação
Arthur Batista Leão, por Irmã, de Anderson Bardot (FIC, ES, 25’)
Justificativa: Uma interpretação que acontece para além da palavra. Nela, o olhar atravessa a violência sem se reduzir a ela, preservando a esperança mesmo diante da dor. Em seu primeiro trabalho no cinema, este jovem ator revela uma maturidade artística incomum, sustentando com impressionante delicadeza uma personagem marcada por conflitos profundos, sem jamais perder o espanto da infância. Pela extraordinária força de sua presença em cena, o Júri Técnico concede o prêmio de Melhor Interpretação da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas a Arthur Leão, por Irmã.
Troféu Vitória – Prêmio Especial do Júri
O Que Faço Com Isso Agora Que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas (FIC, ES, 14’)
Justificativa: Ao borrar as fronteiras entre memória e invenção, representação e experiência, este filme faz do próprio processo de criação um modo de elaborar a vida. Aqui, a metalinguagem deixa de ser um recurso formal para se tornar a própria matéria da narrativa, revelando uma rara convergência entre forma e conteúdo. Pela ousadia de quebrar todas as paredes para dar conta de uma experiência limítrofe, o Júri Técnico concede o Prêmio Especial do Júri da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas a O Que Faço com Isso Agora que Acabou?, de Julia Uliana e Natália Dornelas.
Menção Honrosa
Espírito São – O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa, Breno Chamon (DOC, ES, 14’)
Justificativa: Navegando entre a ficção e o registro, respirando a paisagem local, este filme compreende que preservar uma tradição, às vezes, exige reinventá-la. E transforma a memória em matéria viva, propondo um novo território de investigação, onde luz e escuridão, som e silêncio se articulam para revelar aquilo que permanece, mesmo quando parece prestes a desaparecer. Por propor novas formas de lembrar e compreender o patrimônio cultural, convertendo a experimentação estética em gesto de resistência e transmissão, o Júri concede a Menção Honrosa da 15ª Mostra Foco Capixaba a Matheus Costa e Breno Chamon, por Espírito São, Lugar de Toda Fé.
16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas
Júri Oficial: Fabio Meira, Simone Yunes, Vinicius Arneiro
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (DOC, ES, 75’)
Justificativa: Ao revisitar a trajetória de uma liderança xamânica por meio da oralidade, da escuta e da experiência compartilhada, o filme faz da memória o princípio de sua narrativa e da sonoridade um elemento fundamental de evocação. Entre território, espiritualidade e ancestralidade, afirma o cinema como espaço de presença, transmissão e continuidade.
Troféu Vitória – Melhor Direção
Priscyla Bettim e Renato Coelho, por As Florestas da Noite (FIC, SP, 76’)
Justificativa: Por conduzir com excelência o desafio de conferir unidade e coerência estética a uma narrativa de estrutura episódica, articulando com sensibilidade todos os elementos da mise-en-scène. Pelo delicado e preciso trabalho de direção de atores e pela integração harmoniosa entre fotografia, direção de arte e trilha sonora, fazendo com que cada peça desse filme singular encontre seu lugar em um conjunto coeso, original e consistente.
Troféu Vitória – Melhor Roteiro
Priscyla Bettim, por As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (FIC, SP, 76’)
Justificativa: Pela construção de uma narrativa que encontra unidade em sua estrutura fragmentada, conduzindo diferentes personagens e situações com sensibilidade e originalidade. Ao criar um espaço fértil para a atuação, o roteiro possibilita interpretações marcantes e autênticas, fundamentais para a força e a singularidade do filme.
Troféu Vitória – Melhor Fotografia
Carol Quintanilha, por A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (DOC, RJ, 72’)
Justificativa: Por dar forma, cor e sensibilidade ao universo lúdico construído pelas crianças do filme, enfrentando com maestria tanto os desafios visuais mais complexos quanto os mais sutis. A fotografia traduz em imagens o imaginário e a fantasia criadas por elas, transformando sua visão de mundo em uma experiência cinematográfica envolvente e poeticamente realizada.
Troféu Vitória – Melhor Contribuição Artística
A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywareté, de Marcelo Guarani (DOC, ES, 75’)
Justificativa: Mais do que representar uma cosmovisão indígena, A Caminhada de Tatatxi Yuareté produz cinema a partir dela. Ao deslocar o centro da enunciação para os próprios Guarani, a obra realiza um gesto contracolonial em que estética, narrativa e autoria se tornam indissociáveis. Sua maior contribuição artística está em afirmar que a perspectiva não é apenas um ponto de vista, mas uma linguagem.
Troféu Vitória – Melhor Interpretação
Veronica Valenttino, por As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (FIC, SP, 76’)
Justificativa: A atuação de Verónica Valenttino alia rigor técnico e radicalidade poética. Sua composição suspende qualquer chave psicológica para afirmar um corpo que produz sentido pela força de sua própria presença, na fronteira entre o visível e o fantasmagórico. Ao fazer do mistério uma forma de conhecimento, sua interpretação expande os limites entre performance, cinema e ritual.
Menção Honrosa
Malaika, de André Morais (FIC, PB, 85’)
Justificativa: Por construir, com delicadeza e rigor estético, um retrato sensível da adolescência a partir do olhar de uma jovem albina em processo de amadurecimento. Por revelar as marcas de um Brasil atravessado por desigualdades e invisibilidades, o júri decide outorgar menção especial ao filme Malaika, de André Morais.
Menção Honrosa
Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan (DOC, SP, 86’)
Justificativa: Por registrar com olhar generoso um momento histórico e político que aborda o abandono do Estado a corpos pobres e periféricos, colocando luz em artistas inviabilizados e revelando momentos memoráveis de entrega artística avassaladora, o júri decide outorgar uma menção especial para o filme Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan.
16ª Mostra Quatro Estações
Júri Oficial: Erly Vieira Jr, Douglas Soares e Marina Abranches
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho (ANI, CE, 13’)
Justificativa: Pela potência narrativa de se contar as próprias histórias e os desejos de futuro, sem a necessidade de reencenar as mesmas violências, e trazendo novas perspectivas e imaginários para as existências Trans, o Prêmio de Melhor Filme da 16ª Mostra Quatro Estações vai para a animação “Marimbã Está Acontecendo”.
Menção Honrosa
Picumã, de Sladká Meduza (FIC, SP, 19’)
Justificativa: Pela construção narrativa de um universo denso e conduzido com excelência técnica, ao mesmo tempo que faz uso de um humor-travesti recheado de acidez e sagacidade, e contando com um elenco afiadíssimo, nossa Menção Honrosa vai para “Picumã”
15ª Mostra Foco Capixaba
Júri Oficial: André Fischer, Carol Benjamin, GG Fákọ̀làdé
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico e Júri Popular)
Liberdade de Morar, de Penha Souza (DOC, ES, 21′)
Justificativa: O direito ao sonho é fundamento da constituição cinematográfica. O sonho é capaz de preencher a falta, a lacuna: ele escapa pela brecha. O sonho é o arqueólogo que inventa, remonta, remixa e aprofunda o que é superficial. Assim, de uma hora para outra, ele nos faz investigar, descobrir — ou melhor, lembrar — que sempre esteve ali, junto de nós. E a gente sempre volta para ele. Às vezes viramos rainhas. Às vezes sonhamos acordadas com os nossos castelos. A única coisa que o sonho nos dá é a certeza de que nunca vai nos abandonar ou nos expulsar. Dentro desse espaço perecível de liberdade, mora a convicção de que, sempre que estivermos juntas, ali será o nosso lar. É justamente dessa matéria que Liberdade de Morar faz cinema. Sem transformar suas personagens em símbolos ou vítimas, o filme constrói, por meio de uma escuta atenta e do respeito ao tempo dos encontros, um espaço onde o sonho deixa de ser abstração para ganhar corpo, voz e território. Ao acompanhar mulheres que inventam coletivamente um lugar para viver, revela que morar também é pertencer. É por essa força cinematográfica e política que o Júri oficial concede o prêmio de Melhor Curta da 15ª Mostra Foco Capixaba a Liberdade de Morar, de Penha Souza.
15ª Mostra Corsária
Júri Oficial: Daniela Zanetti, Douglas Soares, Gui Castor
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Filme-Copacabana, de Sofia Leão (DOC, RJ, 12’)
Justificativa: Pela atualização da memória das imagens cinematográficas no retrato de um país, alcançado por meio de uma pesquisa aprofundada de diversos registros imagéticos, além do rigor da montagem e do desenho sonoro que constrói sentidos que vão além de um território específico, construindo registro pro futuro, o prêmio de melhor filme vai para “FILME-COPACABANA”, de Sofia Leão.
Menção Honrosa
Vim e Irei Como Uma Profecia, de Fábio Rogério (DOC, SE, 15’)
Justificativa: Pelo modo como estabelece o diálogo e encontro de gerações, por meio da experimentação estética que subverte modos canônicos de representação e pensamento no campo cinematográfico, tensionando as possibilidades da linguagem audiovisual, decidimos conceder uma menção honrosa para o curta “Vim e Irei como uma profecia”, de Fábio Rogério.
13ª Mostra Outros Olhares
Júri Oficial: Erlon Paschoal, Margarita Hernández, Thiago Moulin
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Grão, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa (FIC, RS, 24’)
Justificativa: Um filme com uma proposta estética rica em sua linguagem, que aborda um tema de relevância social com olhar crítico.
Menção Honrosa
Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior (FIC, RO, 15’)
Justificativa: Um filme com uma temática simples, mas bem solucionado e que aborda o racismo e o preconceito social.
11ª Mostra Mulheres no Cinema
Júri Oficial: Gabriela Gastal, Leandra Moreira, Tati Rabelo
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Núbia, de Barbara Bello (EXP, MG, 12’)
Justificativa: Pela coerência da trilha sonora, pelo destaque para a instigante textura da fotografia e por sua absoluta conexão com o tema da mostra, o júri elegeu como melhor filme a videoarte Núbia.
11ª Mostra Cinema e Negritude
Júri Oficial: Paulo Sena, Yasmine Evaristo, Tamires Batista
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França (FIC, SP, 12’)
Justificativa: Pela sensibilidade ao construir imagens sobre as infâncias negras, as parentalidades e as relações com espaço urbano – que desloca nosso olhar do sentido tradicional e aponta o acolhimento – em uma metrópole arrematada por um desenho sonoro simbólico que transforma assistir ao filme em um abraço coletivo.
Menção Honrosa
Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso (FIC, MG, 24’)
Justificativa: Pela organicidade do corpo de atores, pela forma cuidadosa e sensível com que a masculinidade negra foi abordada e pelo gesto de sonhar com fins que se convertem em recomeços.
10ª Mostra Nacional de Videoclipes
Júri Oficial: Gabriela Gastal, Fabríccio, Patrícia Bragatto
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Monalisa, de Lucas Sá. Artista: Frimes; MA
Justificativa: Diante de uma sessão tão diversa e inspiradora, este júri destaca a obra que se sobressaiu pela harmonia entre narrativa visual e composição musical. Pela originalidade marcante de seu roteiro e pela execução com humor e uma pitada de terror, o prêmio de Melhor Videoclipe vai para ‘Monalisa’, dirigido por Lucas Sá.
Menção Honrosa
Até, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli. Artista: Ronnie Silveira; ES
Justificativa: O júri concede uma menção honrosa pela originalidade do roteiro, esmero na direção de arte e uma montagem fluida que dialoga perfeitamente com a canção. a indicação vai para ‘Até’, de Victorhugo Amorim, Taciano Faccini e Gabrielle Nalli.
9ª Mostra Cinema Nacional de Cinema Ambiental
Júri Oficial: Adriana Jacobsen, Margarita Hernández, Yasmine Evaristo
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Bijupirá, de Eduardo Boccaletti (FIC, BA, 14′)
Justificativa: Em uma mostra marcada pela maneira como a humanidade se relaciona com o meio ambiente, o filme escolhido se destaca pela articulação poética de suas imagens, envolvendo o homem enquanto parte pulsante da natureza.
8ª Mostra do Outro Lado – Cinema Fantástico
Júri Oficial: Bernadette Lyra, Margareth Galvão, Gabriele Stein
Troféu Vitória – Melhor Filme (Júri Técnico)
Ybi, de Eliza Telles e Begê Muniz (FIC, AM, 16’)
Justificativa: Pela temática escolhida pertinente às situações do planeta sem perder a fantasia do fantástico. Pelo bom uso da câmera através da escolha de planos e ritmo de narrativa que atende a categoria do fantástico, Pela fotografia em suas nuances que acompanha a narrativa do filme. Com um título que significa terra que leva a necessidade de regeneração do planeta explícita no filme. Além da construção exímia da personagem Maria como menina indígena, que soa como a esperança do futuro do planeta. Nós elegemos o filme Ybi de ELIZA TELLES E BEGÊ MUNIZ, como melhor curta da mostra Do lado de Cinema Fantástico.