Vindos de diferentes regiões do país – do litoral capixaba ao sertão piauiense, da metrópole paulistana ao interior paraibano –, as obras que compõem a 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, do 33º Festival de Cinema de Vitória, revelam um cinema atento aos deslocamentos e pertencimentos, às identidades em disputa e às múltiplas formas de resistência que emergem dos territórios e de seus habitantes .
A mostra competitiva acontece de 18 a 24 de julho, sempre a partir das 19h, no Teatro Glória (Sesc Glória), exibindo uma produção por noite. As sessões reúnem uma seleção de sete filmes que desenham uma cartografia afetiva, inventiva e política do cinema brasileiro atual. O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal, com realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA. Toda programação é gratuita.
A Comissão de Seleção da mostra é formada pela jornalista e produtora cultural Leila Bourdoukan e pelo pesquisador e professor de cinema e audiovisual Gilberto Alexandre Sobrinho. De acordo com a dupla de curadores, “os sete filmes reunidos nesta seleção evidenciam a diversidade geográfica e estética, definindo o estado da arte do nosso cinema atual, com obras que aproximam tradição e contemporaneidade, memória e futuro, realidade e imaginação”.
PROTAGONISMO FEMININO

A presença feminina atravessa de maneira decisiva esta seleção, com quatro dos sete filmes dirigidos exclusivamente por mulheres ou tendo codireção feminina. Mulheres indígenas, adolescentes, artistas, trabalhadoras rurais, mães, meninas em formação e profissionais urbanas ocupam a tela como protagonistas de suas próprias histórias .
A documentarista Eliza Capai, do Rio de Janeiro, assina A Fabulosa Máquina do Tempo, filme que observa e interage com a infância e adolescência de meninas do sertão piauiense, revelando e escutando os sonhos, reflexões e desafios de uma geração que busca reinventar seu futuro .
A perspectiva das mulheres alcança seu ápice em Virtuosas, da catarinense Cíntia Domit Bittar, que utiliza humor ácido, horror e absurdo para questionar os discursos contemporâneos de autoaperfeiçoamento feminino, as verdades questionáveis dos coaches, o empreendedorismo emocional e os valores relacionados à ascensão da extrema direita, do ponto de vista da estratificação dos lugares sociais das mulheres .
O filme A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, será exibido no sábado (18). Já Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, tem sessão no domingo (19).
CINEMA INDÍGENA E ATIVISMO ESPIRITUAL

O Espírito Santo é representado por A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, documentário dirigido pelo cineasta indígena guarani Wera Djekupe. A obra registra a trajetória espiritual de seu povo em busca da Terra Sem Males, a partir das histórias e registros de sua bisavó. O filme traz um capítulo desconhecido para o grande público sobre as lutas dos povos originários, com o ativismo espiritualista de Tatatxi Ywarete, uma liderança indígena feminina .
A sessão de A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete, de Wera Djekupe, acontece na segunda-feira (20).
SÃO PAULO EM DOIS OLHARES

O estado de São Paulo marca presença com duas produções de abordagens distintas. As Florestas da Noite, dirigido por Priscyla Bettim e Renato Coelho, é uma ficção noturna fragmentada e imprevisível que propõe uma experiência cinematográfica esteticamente relevante e desafiadora.

Já o documentário Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, adota o estilo cinema direto para acompanhar artistas da Cracolândia e da Favela do Moinho, transformando música em resistência em um universo onde o espaço cultural Teatro do Container luta para existir.
O longa-metragem As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, será exibido na quarta-feira (22). Já Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan, fecha a mostra na sexta-feira (24).
NORDESTE EM DESTAQUE

O cinema do Nordeste segue como um dos grandes protagonistas da cena atual. O piauiense Cícero Filho apresenta Babaçu Love, um filme que mistura road movie, comédia dramática e musical popular para retratar a cultura e os embates das quebradeiras de coco e dos pequenos circuitos de forró entre Piauí e Maranhão, em uma narrativa arretada com suas reviravoltas .

Da Paraíba, o diretor André Morais traz Malaika, que acompanha a delicada jornada de autodescoberta de uma adolescente albina no interior nordestino, construindo uma narrativa poética, enigmática e queer sobre pertencimento, diferença e amadurecimento em um ambiente tóxico que insiste em manter estruturas arcaicas de comportamento e poder .
A projeção de Malaika, de André Morais, no 33º FCV será na terça-feira (21). Já Babaçu Love, de Cícero Filho, tem sua sessão programada para quinta-feira (23).
MOSAICO DE VOZES
A curadoria da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas também ressalta como a diversidade de gêneros dos filmes selecionados afirma a potencialidade do nosso cinema. “Entre documentários observacionais, ficções dramáticas, narrativas fantásticas, comédias e road movies, os filmes recusam fronteiras rígidas e experimentam diferentes formas de contar histórias. Em comum, compartilham o interesse por personagens que enfrentam processos de transformação. Mais do que um panorama regional, a seleção revela um país plural, contraditório e profundamente criativo”, concluem os curadores .
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
33º Festival de Cinema de Vitória
16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas
Quando: de 18 a 24 de julho de 2026, 19h
Local: Sesc Glória (Teatro Glória)
Entrada Gratuita
16ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE LONGAS
- A Caminhada Sagrada de Tatatxi Ywarete (Wera Djekupe, DOC, ES, 75’)
- A Fabulosa Máquina do Tempo (Eliza Capai, DOC, RJ, 72’)
- As Florestas da Noite (Priscyla Bettim e Renato Coelho, FIC, SP, 76’)
- Babaçu Love (Cícero Filho, FIC, PI, 125’)
- Entre o Sucesso e a Lama (Cristiano Burlan, DOC, SP, 86’)
- Malaika (André Morais, FIC, PB, 85’)
- Virtuosas (Cíntia Domit Bittar, FIC, SC, 86’)
