Uma adolescente na fronteira entre a infância e a vida adulta, entre o masculino e o feminino, com a pele branca de uma pessoa albina e toda uma ascendência negra. É dessa travessia identitária que nasce Malaika, longa-metragem do diretor André Morais, selecionado para a 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas do 33º Festival de Cinema de Vitória. A obra será exibida no dia 21 de julho de 2026, no Sesc Glória.
A inspiração para Malaika veio de uma exposição de fotografia que despertou no diretor o interesse pela condição de invisibilidade social de pessoas albinas no Brasil. “A primeira inspiração surgiu após ter presenciado uma bela exposição do fotógrafo mineiro Gustavo Lacerda, em que ele retrata pessoas albinas de várias partes do país, com idades e biotipos diversos. Fiquei intrigado em ver fotografias de pessoas tão singulares, mas numa condição de certa invisibilidade social.”
A partir desse estranhamento, André Morais passou a construir uma personagem complexa e multifacetada. “A partir daí, surgiu o desejo de escrita de uma personagem na fronteira entre adolescência e vida adulta, masculino e feminino, com uma pele branca de uma albina e com toda uma ascendência negra. A solidão como algo intrínseco de seu estado no mundo.”

A busca pela protagonista do filme rendeu um daqueles encontros que parecem escritos pelo destino. O diretor lançou uma seletiva de elenco nas redes sociais para o Brasil inteiro. “O primeiro material que assisti foi o de Vitória Bianco, um vídeo lindo em que ela falava sobre sua relação com a arte e como se compreendia como pessoa albina no mundo. E ela morava na minha cidade: João Pessoa.”
A emoção do encontro imediato foi inevitável. “Assim que assisti, já senti que tinha encontrado a Malaika. Acredito que, de alguma maneira, eu escrevi a personagem para ela, sem sequer conhecê-la. Desses movimentos belos e inesperados da vida.”
Foram oito anos de trabalho entre as primeiras linhas de roteiro e o lançamento do filme no Festival de Biarritz, na França. O diretor descreve a magnitude e o caráter coletivo da empreitada como ”Um trabalho intenso de aprofundamento narrativo alinhado às etapas de produção, financiamento, gestão de equipe, finalização e agora o lançamento em festivais. É um trabalho que envolve mais de 120 artistas do estado da Paraíba, na frente e atrás das câmeras. Um exemplo forte das políticas de descentralização do audiovisual no nosso país”.
Para André Morais, a presença no Festival de Cinema de Vitória carrega um significado duplamente especial: é a primeira vez que participa como realizador, depois de ter integrado o júri em edições anteriores. Ele faz questão de exaltar o trabalho da equipe do festival:
“Pude presenciar de perto o extremo comprometimento das pessoas que produzem esse festival a tantos anos, com zelo e amor ao cinema brasileiro. Fazer parte dessa história honra a trajetória do filme. Estou de coração aberto. Desejoso de uma bela exibição e que o público de Vitória possa se conectar emocionalmente com nossa história.”
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
