A sexta noite do 33º Festival de Cinema de Vitória, que aconteceu nesta quinta-feira (23), no Teatro Glória (Sesc Glória), contou com a última sessão da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, exibindo os filmes Espírito São – O Lugar de Toda Fé, de Matheus Costa e Breno Chamon; Morfeu e Caronte, de Luiz Ulian e Jocimar Dias Jr.; e Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; além da exibição do longa-metragem Babaçu Love, de Cícero Filho, da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. Os apresentadores da noite foram os atores Suzy Lopes e Silvero Pereira.

A sessão de curtas foi aberta com a produção capixaba Espírito São – O Lugar de Toda Fé, documentário que investiga as manifestações da fé no Espírito Santo. O curta é uma ficção experimental que apresenta uma visão poética e mitológica através da perspectiva do Rio Doce e da memória do Caboclo Bernardo. O diretor Matheus Costa agradeceu pela oportunidade de apresentar o filme FCV e destacou a importância do festival. “O Caboclo Bernardo é um personagem notório na história do Espírito Santo que foi responsável por salvar a vida de uma centena de pessoas que tiveram o infortúnio de naufragarem no mar ali perto da região de Regência”. Também subiram ao palco Lucas Ramos e Maxsuel Ramos, respectivamente, roteirista e ator do filme.

O segundo filme da noite foi a ficção fluminense Morfeu e Caronte, um musical sensível que explora diferentes formas de viver e envelhecer como pessoas LGBTQIAPN+ a partir da história de um trisal de homens gays. Um dos personagens enfrenta um diagnóstico de demência, revisitando memórias de sua vida ao lado de seus dois amores. O filme utiliza referências musicais dos anos 1930 e diálogos com a mitologia grega para construir uma narrativa sensível sobre memória, perda e companheirismo.
“A gente espera que o filme toque vocês como nos toca, como nos tocou desde o primeiro momento que a gente começou a fazer ele a muitas mãos, ele feito artesanalmente por muita gente que botou muito afeto ali. É uma história muito sensível a gente quis imaginar formas diferentes de se viver e de envelhecer sendo uma pessoa LGBT”, disse o co-diretor Luiz Ulian. “O filme é um musical de bichas velhas, que se amam, vivendo situações que vem junto com o envelhecimento. A gente queria fazer um musical pra essas pessoas que a gente está vendo agora envelhecer. A gente queria fazer um musical também como se fosse uma carta pra gente no futuro”, destacou o co-diretor Jocimar Dias Jr.

Encerrando a sessão de curtas, a ficção carioca Samba Infinito acompanha Ângelo, um gari que, durante o Carnaval do Rio de Janeiro, enfrenta o luto pela perda da irmã enquanto cumpre suas obrigações de trabalho. Em meio à folia dos blocos de rua, ele encontra uma criança perdida e decide ajudá-la. O filme é fruto de uma coprodução entre Brasil e França, e conta com participações especiais de Gilberto Gil e Camila Pitanga. Um dos produtores do curta, Rafael Teixeira, explicou que é a terceira parte de uma trilogia de filmes de Leonardo Martinelli que utiliza a música para abordar a ocupação do espaço urbano no Rio de Janeiro: “Esse espaço que é um espaço de história, mas que ao mesmo tempo é um espaço de potência do presente. O filme se passa no carnaval, que é um momento de ocupação do espaço urbano com muita música e fantasias”.
SESSÃO DE LONGAS
A noite foi encerrada com a exibição do longa-metragem piauiense Babaçu Love, de Cícero Filho, um dos filmes da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. Com duração de 125 minutos, esse road movie encerrou a programação da noite com comédia dramática, protagonizada por mulheres fortes, que aborda lutas, amor materno, sonhos e superação. O filme conta com a participação do ator e influenciador digital Whindersson Nunes e apresenta uma visão única da cultura do coco babaçu.

Babaçu Love busca dar visibilidade a histórias e personagens que raramente ocupam o centro do cinema brasileiro. O diretor e parte do elenco e da equipe do filme estiveram presentes na sessão que marcou a estreia longa-metragem no circuito de festivais. “Há 13 anos, era impensável estar aqui hoje, em cima desse palco, num festival, que pra mim é um dos maiores do país com apresentadores que eu admiro bastante. O filme é uma história das minhas vivências. Eu sou o contador do meu lugar. Lá naqueles rincões esquecidos do meu Deus, faço questão de estar lá para contar essas histórias”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
