A quinta noite do 33º Festival de Cinema de Vitória, que aconteceu na quarta-feira (22), no Teatro Glória (Sesc Glória), contou com as sessões da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, exibindo os filmes Ajude os Menor, de Janderson Felipe e Lucas Litrento; Floresta do Fim do Mundo, de Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança; e um rio não é, de Yurie Yaginuma e Amanda Miranda; além da exibição do longa-metragem As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. Também foi exibido o trailer de Folclórica, longa-metragem de Rodrigo Aragão que fará pré-estreia noite de encerramento do FCV.

A noite teve homenagem ao grande Luiz Carlos Barreto. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

A noite começou com a homenagem ao produtor, diretor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto, o Barretão, que faleceu na manhã de quarta-feira (22). As apresentadoras da noite, a influencer Bryce Caniçali e a jornalista Renata Rasseli, destacaram a importância de Barreto para o cinema brasileiro. A dupla falou sobre o seu legado como diretor de fotografia, de dois dos maiores marcos do Cinema Novo, Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe, 1967, de Glauber Rocha.  

Como produtor, Barreto foi responsável por obras fundamentais que marcaram gerações, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto – uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro – Bye Bye Brasil (1980), de Cacá Diegues, e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Além disso, Barretão, que também foi um dos sócios-fundadores do Canal Brasil, assinou a direção de fotografia de dois longas dirigidos por seus filhos e que foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto.

SESSÃO DE CURTAS

A 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas foi aberta com a produção alagoana Ajude os Menor, que dialoga com o faroeste clássico para apresentar a rotina de um entregador de aplicativo que, durante o almoço com amigos pedreiros em um prédio em construção, se depara com uma briga. Gravado em preto e branco, o curta transforma o cotidiano do canteiro de obras em um território de disputa de poder, onde a violência estrutural se manifesta nas relações de trabalho e nas masculinidades em confronto.

Exibição do filme Floresta do Fim do Mundo. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

Em seguida, o público conferiu a ficção fluminense Floresta do Fim do Mundo, filme que apresenta uma narrativa que transita entre o real e o onírico para abordar a resistência indígena no contexto urbano. A obra acompanha Suely, uma mulher indígena que divide seus dias entre um pequeno apartamento em uma grande cidade e sonhos nos quais se comunica com uma floresta. Representando a obra, a atriz Iracema Pankararu subiu ao palco e emocionou o público presente ao narrar a sua jornada de recuperação de um câncer que a deixou acamada por três anos e ao expressar seu contentamento e surpresa por estrear no cinema pela primeira vez com quase 60 anos. 

Ainda segundo a atriz indígena, o filme reflete sua própria vida: sua chegada na cidade grande e sua crença na força dos encantados. “O Floresta é o Fim do Mundo é uma alerta para todos nós, de que a gente tem que proteger a natureza. É um filme baseado em história um pouco da minha vida. Quando cheguei ao Rio de Janeiro trabalhei na reciclagem e depois eu inventei fazer artesanato com o próprio lixo. Eu sempre tive sonho de morrer e virar uma encantada, de preferência naquela floresta que vocês vão ver no filme. O nosso povo acredita muito na força dos encantados. E graças ao Senhor do Universo e à força dos encantados que eu estou aqui hoje, participando do festival. Eu estou muito feliz, só tenho que agradecer ao festival, que me recebeu muito bem”.

Equipe do curta um rio não é. Foto: Melina Furlan – Vikki Dessaune/ Acervo Galpão IBCA

Encerrando a sessão de curtas, a produção capixaba um rio não é apresenta uma narrativa pós-humanista multiespécie na região da vila de Regência, em Linhares (ES). O documentário traz a escuta dos moradores, da chuva, do vento, da paisagem, e expressa a presença sutil dos corpos no espaço personificando o próprio Rio Doce sendo atravessado pelo antropismo.  “A gente quis fazer um filme contando como as pessoas de lá e os seres não-humanos reconstroem as suas histórias, como que eles acreditam em outros mundos, outros modos de fazer mundos. A gente deve urgentemente ouvir os povos das águas, os povos dos rios, os povos das florestas”, disse a co-diretora Yurie Yaginuma. 

SESSÃO DE LONGAS 
Os diretores de As Florestas da Noite e o ator Silvero Pereira na exibição do longa no 33º FCV. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

Por fim, a noite foi encerrada com a exibição do longa-metragem paulistano As Florestas da Noite, um dos sete filmes da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. O filme acompanha fragmentos de histórias de amor, delírios e separações que cintilam durante a noite no submundo do centro de uma metrópole. Com um elenco que inclui Silvero Pereira, Helena Ignez, Verónica Valenttino, Beatriz Bittencourt e Carlos Francisco, o filme imprime à paisagem paulistana no grão da película, criando uma atmosfera onírica e fantasmagórica.

Priscyla Bettim e Renato Coelho – que subiram ao palco com o ator Silvero Pereira – falaram sobre o processo de construção do filme onde buscaram retratar a cidade como um território de devaneios.  “É sempre uma emoção viver essa sala cheia  tá numa sessão tão bonita com essas pessoas, assim, é realmente muito emocionante mesmo. Nosso filme que tem a ver com o clima de São Paulo, tem muito a ver com os encontros, aqueles encontros que, às vezes, acontecem no meio da noite, mesmo que breves, mas que reverberam ao longo da vida”, falou a co-diretora Priscyla Bettim. 

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.  

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