A segunda noite do 33º Festival de Cinema de Vitória, que aconteceu no domingo (19), exibiu quatro filmes na telona montada no Teatro Glória. A primeira sessão da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas contou com os filmes Irmã, de Anderson Bardot; Fronteriza, de Nay Mendl e Rosa Caldeira; e Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi. A noite foi encerrada com a exibição de Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar, filme da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas.

A sessão foi aberta com a ficção capixaba Irmã (foto). No filme, as personagens Iara e Elisa estão conectadas pelas águas de uma cachoeira ancestral — as mesmas águas que batizaram seus pais na fé evangélica — em uma jornada interior para quebrar o ciclo de violência. O diretor Anderson Bardot celebrou a exibição no festival e compartilhou a emoção de ver o filme na tela do Teatro Glória. “O tema do filme perpassa a ideia de religião. E aos corpos LGBTs, muitas vezes, é negado o lugar do divino, o lugar da espiritualidade. E já me senti excluído em diversas denominações religiosas. E de alguma maneira, esse lugar aqui é um templo, é a minha igreja. Então faço reverência aos deuses do teatro, aos deuses das artes cênicas, aos deuses da imagem e do som, que, por coincidência ou não do destino, reuniram essa diversidade de rostos, de caras, de fenótipos, de formas, de histórias, de culturas. Isso aqui, em cima do palco, com 33 anos de festival, na cidade de Vitória, representa o cinema brasileiro”.

Na sequência, a ficção paranaense Fronteriza (foto), de Nay Mendl e Rosa Caldeira, transportou o público para a Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. O filme acompanha Lucca, um jovem homem trans da periferia de São Paulo, em uma viagem em busca do pai que nunca conheceu. Os diretores falaram sobre a importância de ocupar a tela com narrativas que atravessam fronteiras geográficas e identitárias. “A gente tá muito feliz e emocionado de estar aqui hoje neste palco do Festival de Cinema de Vitória. É a nossa primeira vez aqui. Fronteriza é um filme gestado há um tempo. Foi gravado no Paraguai e no Brasil, na cidade de Foz do Iguaçu. Foi uma loucura fazer esse filme, porque ele se propõe a falar sobre as fronteiras, as fronteiras que existem entre as identidades, entre os países e as linguagens cinematográficas. E a gente se colocou nesse desafio de fazer um filme em dois países com uma equipe muito diversa. Com pessoas do Brasil, do Paraguai, da Bolívia, de Cuba, da Venezuela”.

Encerrando a sessão de curtas, a ficção Tião Personal Dancer (foto) tem como protagonista um dançarino profissional que faz seus atendimentos em casas de dança de Goiânia. Subiram no palco para representar o filme o diretor Aristótelis Tothi, o roteirista Bruno Victor e o distribuidor Uilton Oliveira e, em suas falas, destacaram que o filme buscou explorar como homens gays em certos contextos encontravam na dança um refúgio e uma forma de expressão segura.
O diretor Aristótelis Tothi comentou sobre a escolha de colocar em cena personagens mais velhos em um filme sobre desejo. “Eu costumo dizer que é um filme que fala do desejo, porque eu sinto o desejo de assisti-lo. É um filme sobre a persistência do prazer”, disse o diretor Aristótelis Tothi.

A noite foi encerrada com a exibição de Virtuosas (foto), da diretora catarinense Cíntia Domit Bittar, um dos sete filmes da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. O longa utiliza humor ácido, horror e absurdo para questionar os discursos contemporâneos de autoaperfeiçoamento feminino, o empreendedorismo emocional e os valores relacionados à ascensão da extrema direita. A trama acompanha um grupo de mulheres ultraconservadoras que se reúne em um retiro sob os comandos de uma líder carismática interpretada pela atriz Bruna Linzmeyer.
Quem subiu ao palco para representar o filme foi Maria Galant Melgarejo, que é atriz no filme. “ Fiquei muito contente com a seleção do Festival de Cinema de Vitória, é um festival que eu acompanho há muitos anos. O nosso filme é um filme de terror, é um filme sobre os monstros que habitam a gente, os perigos de a gente não prestar atenção no que está acontecendo à nossa volta. É um filme de suspense muito divertido, espero que vocês gostem”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
