Realizadores da 15ª Mostra Foco Capixaba e da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, cujos filmes foram exibidos na noite de abertura do 33º Festival de Cinema de Vitória participaram do primeiro debate desta edição na manhã deste domingo (20), no Hotel Senac Ilha do Boi. Com a presença de jornalistas e com a mediação da curadora e crítica de cinema Viviane Pistache, o encontro discutiu como os filmes exploram a memória histórica, as questões sociais contemporâneas e as identidades locais. O evento, apoiado por importantes patrocinadores e parceiros, ressaltou a riqueza e os desafios da produção audiovisual no Espírito Santo.
O Festival, que transforma a cidade de Vitória na capital do cinema brasileiro, conta com patrocínio da Petrobras e patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
Em sua fala inicial, Viviane Pistache ressaltou que a sua atuação enquanto curadora do FCV tem lhe possibilitado aprofundar-se na história e nas produções contemporâneas do cinema capixaba e destacou a relevância de mapear e divulgar as obras regionais: “é um privilégio muito grande conhecer um pouco mais a história do cinema daqui”.

Gustavo Guilherme da Conceição, diretor de Cinema, Poema e Gangrena, falou sobre as peculiaridades da realização de seu filme que, essencialmente, faz uso das imagens de outros filmes: “O processo de pesquisa foi longo até finalizar o projeto devido à necessidade de autorização para uso dos filmes, de como estava a guarda desses filmes, muitos deles estavam em más condições de preservação. O filme é sobre como a opressão do período da ditadura reflete
Carolina Campista, diretora da ficção Superfície, ressaltou que o seu filme fala sobre amizade e liberdade: “é um filme que nos provoca muito a pensar na liberdade, principalmente a liberdade mulher. Superfície surgiu a partir de uma imersão que eu fiz em diários de adolescentes dos anos 2000. Eu fiz essa leitura de histórias que eram reais e fui acompanhando o crescimento daquelas relações, o crescimento da introspecção daquelas pessoas. Acompanhando também como muitas relações que eram superficiais, elas ficam mais profundas e outras que às vezes eram mais profundas, mas que se perdem no caminho”.
A diretora do documentário Liberdade de Morar, Penha Souza falou de suas motivações para concepção do filme que foi realizado como trabalho no Curso de Rádio e TV do CEET Vasco Coutinho. “Sou arquiteta de formação, então, esse filme começou, na minha cabeça, já tinha um tempo. Então, surgiu a oportunidade quando eu estava finalizando o curso. E aí entrei em contato com algumas instituições que fazem trabalhos em ocupações e prestam serviços para moradia. Liberdade de Morar foi feito para refletir as ocupações do nosso estado. O Centro de Vitória é um lugar com muitos prédios abandonados, a ocupação Chico Prego ocupou um desses edifícios que estavam abandonados há muito tempo, que já foi uma escola e ficou abandonada e, enfim, tava virando um problema aquele espaço vazio. Depois da ocupação, o espaço passou a ser cuidado, pois aquelas pessoas realmente cuidam daquele espaço e fazem dele uma casa mesmo. E é por isso que elas lutam. Essa é a causa do movimento das ocupações”.

Em sua fala, Estevão Ribeiro, um dos diretores de Salve, Rainha! (ao lado de Fabio Carvalho), explicou que seu filme é baseado em um conto seu que narra o retorno de uma mulher trans para casa e sua reconciliação com a irmã. O curta adota uma abordagem novelesca para tornar a trama acessível, focando no amor, perdão e na rica cultura do congo capixaba. “Escrevi sobre uma mulher trans que volta, que era um movimento muito comum nos anos 80 e 90 das pessoas irem para fora e depois voltarem. Sou capixaba e moro no Rio de Janeiro, então eu me sentia deslocado, e quanto mais longe você está de sua própria ilha, literalmente dessa ilha [Vitória], você consegue ver o tamanho dela. Então, uma das coisas que a gente sentia falta era de me aprofundar na cultura local, no Congo, nas minhas histórias que eu vivia na infância, nas histórias que eu vivia até a vida adulta”. O codiretor Fabio Carvalho também esteve presente no debate.
Representando o longa-metragem A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai, a produtora Mariana Carpenter Genescá descreveu o processo de concepção e realização do documentário que envolveu oficinas audiovisuais com as crianças de Guaribas, no Piauí, permitindo que elas cocriassem cenas e narrativas de forma espontânea e lúdica: “a gente ficou duas semanas lá, primeiro fazendo essa oficina com as crianças, e a partir daí começa o que nós chamamos de filme. O filme está fazendo uma trajetória muito linda. Nós já exibimos ele em Guaribas para as meninas, esse era o nosso objetivo principal. O filme fez sua estreia mundial no Festival de Berlim como filme de abertura da Mostra Generation, que é uma mostra voltada para jovens e crianças. A gente conseguiu levar três meninas, que também foi uma coisa muito importante para a gente, com todo o desafio logístico envolvido. Foram as três principais, que são a Manuzinha, a Manu e a Sofia”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
