Uma narrativa sensível sobre questões sociais e íntimas — como as relações que atravessam a fé evangélica e a subjetividade das pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil —, a ficção Irmã, do diretor Anderson Bardot, apresenta a história de duas irmãs conectadas pelas águas de uma cachoeira ancestral que embarcam em uma jornada interior para romper ciclos de violência. Com uma linguagem contemplativa e delicada, o curta-metragem foi selecionado para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória e será exibido no dia 19 de julho de 2026, no Sesc Glória.

Com protagonismo de Kaiow Carvalho, o filme conta ainda com Diô Batista, Arthur Leão, Maria Alice Gonçalves, Jorge Guilherme Gomes, Maria Eliza Queiroz, Duda Serqueira e Marcos Santos. A obra já teve sua estreia no Cine Glauber Rocha (Salvador), durante a XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, onde foi premiada como Melhor Filme na Mostra Competitiva Nacional de Curtas.

Anderson Bardot é conhecido por trazer para o protagonismo audiovisual pessoas que estão à margem — pessoas pretas, indígenas, trans e travestis. Sobre a importância dessa escolha, ele afirma: “Aquilo que não encontro na tela vira possibilidade de cinema nas minhas mãos. E, dessa vez, eu parti de temas já muito explorados: pessoas LGBT+ em conflito dentro de espaços religiosos. Então decidi torcer esses elementos por um viés autoral, buscando um filme radicalmente brasileiro e capixaba, que propusesse um outro olhar — mais existencial — e que não ridicularizasse pessoas evangélicas, mas as convidasse para uma conversa franca.”

O diretor também reflete sobre as escolhas narrativas que conferem a Irmã sua marca autoral: “Sinto que Irmã tem muito a contribuir para debates que atravessam o Brasil hoje. E, para além das questões sociais e políticas, acredito que o filme se sustenta pela sensibilidade na linguagem — é um cinema de risco. Tudo poderia ter dado errado, mas não deu. Porque ali há paixão, afeto, comprometimento, criatividade, ética e disciplina. Talvez seja também o meu filme mais contemplativo e delicado. Cada obra que faço é um chamado para um desafio interno, uma necessidade de transformação. Nesse caso, me propus a tensionar uma linguagem mais acessível sem abrir mão da minha poética, abordando temas espinhosos.”

Em Irmã, a água, o ar, a terra, o vento e o éter — ou o mistério, o invisível, a própria magia do cinema — aparecem como vetores estético-narrativos essenciais. O filme busca resgatar um sentido de respeito à natureza das coisas. Para Bardot, “céu”, “plano espiritual”, “paraíso” e “pátria celestial” não podem servir como justificativa para a negação ou destruição do ser-no-mundo.

Segundo o diretor, os personagens que lhe interessam “são corpos à margem, peças soltas num sistema capitalista em ruínas, em processo de libertação — mental e física — das formas que lhes foram impostas antes mesmo de nascerem. Me interessa pensar a vida para além do trabalho e dos dogmas. Acredito que o processo de se encontrar não precisa necessariamente passar por validações institucionais — sejam elas acadêmicas, religiosas ou familiares. Mas, se fomos pré-moldados por essas estruturas, é fundamental questionar como e por que isso aconteceu. No fim, precisamos ter a vida em nossas próprias mãos para poder reinventá-la.”

O diretor também ressalta que não há romantização na trajetória de seus personagens. “É importante dizer que não há aqui qualquer intenção de romantizar esse percurso: existe dor, muita dor. Mas existe também a possibilidade de escutá-la, de elaborar com ela. Podemos, a partir dessa dor, inventar novas rotas de bem-viver. E, principalmente, perceber que essa busca não é solitária. Quando você se expõe em toda a sua plenitude — ainda que imperfeita —, encontra outras pessoas atravessando caminhos semelhantes. Não há transformação sem solidariedade. Por isso, este filme é, antes de tudo, uma carta de irmã para irmã.”

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e  do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.

33º Festival de Cinema de Vitória
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Quando: 19 de julho de 2026, 19h
Local: Sesc Glória
Entrada Gratuita
Irmã 
Anderson Bardot
(FIC, Cor, ES, 25’, 2026)
Classificação indicativa: 14 anos
Sinopse: Iara e Elisa estão conectadas pelas águas de uma cachoeira ancestral — as mesmas águas que batizaram seus pais na fé evangélica. Por meio de memórias familiares, Iara convida sua irmã para uma jornada interior, determinada a quebrar o ciclo de violência que a manteve cativa por tanto tempo.

Fotos: Divulgação

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