O 33º Festival de Cinema de Vitória tem investido na qualificação dos profissionais do audiovisual, o que amplia o alcance do evento para além das telas. Uma das ações de destaque foi a Oficina de Roteiro e Direção de Documentário, ministrada pelo cineasta, professor e curador Bertrand Lira, que aconteceu ao longo de quatro encontros, de terça (21) a sexta-feira (24), no Sesc Glória. Essa foi uma das atividades formativas mais disputadas do 33º FCV – o que reflete a procura por cursos específicos voltados à narrativa documental no Brasil.
Diferente de outras formações que separam as etapas de criação, a oficina de Bertrand Lira propôs uma abordagem integrada entre roteiro e direção. Para ele, no documentário essas duas dimensões estão ligadas — e o roteiro já deve conter indicações sobre os modos de abordagem, tratamento fotográfico e estratégias de realização. “No documentário, quem elabora o roteiro já elabora uma possibilidade de realização e direção. Você já coloca os modos de abordagem que vai trabalhar no filme, como é que vai trabalhar determinado tema, que tipo de tratamento fotográfico. E, de certa forma, você já está dirigindo, indicando como você vai dirigir seu filme”, explica Bertrand.
Segundo ele, muitos alunos chegaram à formação sem conhecer as diferentes modalidades do documentário e os tipos de abordagem do real — lacuna que a oficina buscou preencher com teoria, análise de casos práticos e troca de experiências. A turma era composta majoritariamente por estudantes e profissionais de jornalismo e audiovisual, com perfis diversos e projetos em diferentes estágios de desenvolvimento. O oficineiro destacou o envolvimento da turma como um dos pontos altos da experiência: “Uma participação bem afetiva, com perguntas, com depoimentos. Fiquei muito contente por isso, pela participação e pelo interesse deles e delas. Acredito que vai ser muito útil para eles, que estão cheios de ideias e de projetos”, disse Lira.

Essa percepção foi compartilhada por Jefferson Teófilo (foto acima, de branco), editor audiovisual e um dos participantes da oficina. Ele avaliou que os encontros ampliaram sua compreensão sobre o gênero e trouxeram conceitos que ele desconhecia ou não sabia como aplicar em seu trabalho. “A oficina do Bertrand com certeza vai me auxiliar a entender os desafios do gênero e a aprimorar os conceitos nos futuros projetos. Muita coisa eu não conhecia ou não sabia onde usar em determinado trabalho”, conta Jefferson. O participante também destacou a condução do ministrante como um diferencial. “O que mais me chamou atenção foi a expertise do Bertrand. Ele é um cara com muita noção do gênero e uma baita referência nesse campo. Os trabalhos que ele nos mostrava, a forma como ele explicava como tudo aquilo foi feito, os desafios… Com certeza foi isso que mais me chamou atenção: a forma dele conduzir a aula e o jeito que ele fazia para que tudo não fosse apenas pro campo da teoria”, avaliou o participante.
Com uma trajetória consolidada no cinema documental — Bertrand Lira dirige curtas, médias e longas premiados no Brasil e no exterior, além de ter publicado livros sobre linguagem cinematográfica —, o cineasta trouxe para a oficina não apenas conhecimento técnico, mas também vivência prática e sensibilidade para lidar com os desafios do gênero. Para ele, a alta procura e o engajamento da turma confirmam uma demanda reprimida por formações específicas em documentário. E o saldo, segundo avalia, foi extremamente positivo: “Eu passei material para eles, houve uma troca muito rica. Fiquei muito gratificado com essa participação, com o interesse, e acredito que vai ser muito útil para eles, que estão cheios de ideias e de projetos”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
