Realizadores da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas e da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, cujos filmes foram exibidos na quarta noite do 33º Festival de Cinema de Vitória participaram de debate na manhã desta quinta-feira (23), no Hotel Senac Ilha do Boi. Além dos representantes dos filmes em competição, estiveram presentes jornalistas e Viviane Pistache, curadora e crítica de cinema que atuou como mediadora do debate. Entre os assuntos discutidos, o encontro discutiu os processos criativos dos filmes e a colaboração dos diretores que atuaram em duplas.

Representante do curta-metragem Floresta do Fim do Mundo, a atriz Iracema Pankararu relatou que era um sonho de infância ser atriz de cinema e que ficou muito feliz por ter a história de sua vida, incluindo seu trabalho com reciclagem e seu desejo de se transformar em uma árvore, que deriva da crença ancestral de sua etnia de que os mortos viram animais ou árvores para proteger a floresta, que é retratado no filme. “O meu povo acredita nos encantados. E todos os meus antepassados, quando morrem, eles não vão para o céu nem para o inferno. Eles vão para a floresta e se transformam em ave, em animal, pra viver lá por baixo do rio. Quando a gente foi fazer o filme, fui eu que escolhi a floresta, pois eu tenho meus amigos que moram lá. Eu sinto que os meus encantados estão ali. Então, aquele lugar eu escolhi pra eu renascer. Eu quero ser encantada. Aqui eu vou virar uma ave ou qualquer coisa, eu vou pra floresta encantar meu espírito.”

As diretoras de um rio não é, Yurie Yaginuma e Amanda Miranda, falaram de como o curta é resultado da transposição do campo das artes plásticas e visuais para o cinema, de como suas formações nesse campo artístico influenciaram uma abordagem experimental do documentário sem a “amarra” das regras tradicionais do cinema. Elas também destacaram como se deu o processo de direção em dupla ao descreveram a facilidade de compartilhar a direção, a experimentação com duas câmeras e a criação do roteiro através de exercícios de escrita e de um diário de gravação que incorporou a própria experiência das filmagens. “A gente tentou encontrar novas maneiras de se fazer filmes, porque nas artes a gente trabalha com muitas linguagens e aprende com muitas coisas, desde a pintura,  a escrita, o vídeo, a escultura, a gente tem uma forma muito mais experimental de abordar o processo criativo. A gente embarcou nesse filme juntas com essa ideia de experimentar alguma coisa, tentar misturar a escrita. A gente já traz essa poesia com esse desejo de fazer um filme, de ver essas imagens, a fotografia e o vídeo, de estar em Regência e tentar falar um pouco desse lugar que era tão valioso pra gente”, disse a co-diretora Amanda Miranda.

Também esteve presentes no debate,  Priscyla Bettim e Renato Coelho, diretores de As Florestas da Noite, enfatizaram que o  fazer cinematográfico é um processo de encontros, afeto e relações verdadeiras, que se conecta profundamente com suas vidas e serve como uma forma de se relacionar com o mundo. Em relação ao longa, reconheceram que o filme tem inspiração no cinema experimental paulista e detalharam desafios por filmar em película, especialmente em preto e branco, que exigiu meticuloso planejamento e conhecimento técnico diante de um orçamento limitado. Um dos protagonistas filme, o ator Silvero Pereira, também contribuiu com o debate e contou que sua relação com os diretores começou por meio da atriz Veronica Valenttino, com quem trabalhou no teatro por 15 anos, e destacou o fato de o projeto absorver o universo do teatro dentro do cinema. “Uma das coisas que me encantou nesse processo foi fazer cinema a partir de uma perspectiva de roteiro e de elenco teatral. O elenco é todo vindo de pessoas do teatro, principalmente do Teatro Oficina. Isso me deixou muito encantado, porque a minha trajetória começa no teatro. Também acho genial esses dois diretores ainda hoje trabalharem com película. Ontem foi a primeira vez que vi o filme e realmente essa imagem da película na tela é algo realmente muito encantador”.

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.    

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