O encontro entre música e imagem ganhou destaque na 10ª Mostra Nacional de Videoclipes, realizada na Sala Marien Calixte, no 3º andar do Sesc Glória, dentro da programação do 33º Festival de Cinema de Vitória que conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
A sessão reafirmou o evento como um dos poucos no circuito audiovisual brasileiro a dedicar uma janela competitiva exclusiva para videoclipes, consolidando-se como um espaço de experimentação e fomento da produção musical e audiovisual nacional. Com a sala lotada, a mostra exibiu 20 produções, com forte presença capixaba, revelando a potência criativa e a pluralidade da linguagem videoclíptica brasileira. O apresentador da sessão, ator e diretor Alexandre Barilari, celebrou sua trajetória no festival e anunciou uma novidade desta edição: o videoclipe vencedor pelo júri técnico será contemplado com o Prêmio Stone Milk de pós-produção, equivalente a R$ 5 mil em serviços de finalização, um incentivo significativo para os realizadores.
Foram exibidos os videoclipes: Até (de Victorhugo Amorim; Taciano Faccini E Gabrielle Nalli. Artista: Ronnie Silveira; ES); Histórias Periféricas (de Luan Allen. Artista: Priscila Neres; SE), Vida Que Segue (de João Wainer. Artista: Dexter; SP); Epopeia de uma Vida Feliz (de Douglas Barros; Artista: Luno Torres; SE), Coco do Recado (de Clara Campos E Bianca Bomfim; Artista: Christine Valença & Caetana; PE/RJ/BA), A Posse é um Fato (de Murilo Munìí; Mar Fagundes. Artista: Murilo Munìí; RS); Quase Te Esqueci (de Raquel Pinheiro. Artista: Julia Branco; MG); Fino Prazer (de Tati Rabelo. Artista: Eloá Puri; ES), Astro Rei (de Gabriel Uchida; Talita Gusmão. Artista: Gabriê; RO), Planeta Marte (de João Vitor Linhares; Zéca Vieira. Artista: Cesar Soares ; RJ), Filtro (de Rayan Casagrande; Vinicius Caus. Artista: Inseton; ES), Monalisa (de Lucas Sá. Artista: Frimes; MA), Paladar (de André Castro Neto. Sthelô. Artista: Sthelô; BA), Herança (de Keila-Sankofa. Artista: Keila-Sankofa; AM), Cana Queimada de Desejos (de Ricardo Sékula; Sávio Sabiá. Artista: Sávio Sabiá; PE), Telaviva (de Rafael Sandim. Artista: Nobat; ES), Distância (de Daniel Bones. Artista: Laika no Espaço; ES), A Presa (de Tommy Bellone; Julio Camelo. Artista: Big River; ES), Tô Ligando Pra Nada (de Enzo Rodrigues. Artista: Jessica Roberts; ES) e sozinho numa bike pra 2 (de Carlo De Cásula. Artista: casü; ES).
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Alguns dos diretores estiveram presentes nas sessões. Vitor Hugo Amorim, diretor de Até, explicou que o clipe, uma criação coletiva, nasceu do desejo do cantor de poetizar sua transição da advocacia para a carreira artística. Com referências ao surrealismo na pintura e na literatura, o filme foi rodado em mais de cinco locações, incluindo mangue, piscina e o alto de uma montanha. “A gente traz referências do surrealismo, tanto na pintura quanto na literatura, e fazendo esse filme maluco. Foram mais de cinco locações: no mangue, em piscina, no alto da montanha a gente subindo com uma caminhonetezinha e, um monte de espelho, mas foi muito prazeroso fazer”.
Douglas Barros, diretor de Epopeia de Uma Vida Feliz, descreveu seu clipe como uma tentativa de passar a leveza do amor cotidiano. “Eu sou baiano, mas eu estou morando em Sergipe já tem uns 10 anos. E foi lá que a gente encontrou o Luno Torres, que é o músico, o compositor da música. E foi um encontro muito bom, porque o Luno tem um estilo musical meio psicodélico, meio surrealista. E essa música que ele fez foge um pouco disso. Ele disse que queria fazer uma música sobre amor, uma música leve sobre amor, mas que ainda tivesse uma pitada de surrealismo. A música fala sobre esses amores do nosso cotidiano, essas coisas simples que acontecem, mas que justamente por serem simples e únicas de cada um, se tornam extraordinárias.”
Mar Fagundes, diretor de A Posse é um Fato, falou sobre o trabalho colaborativo do projeto. “É um clipe coletivo de uma luta coletiva por retomada de território e moradia. Todas as pessoas que participaram da produção eram ocupantes que moravam nesses territórios. É um trabalho realmente impressionante pelas condições precárias de vida de todo mundo, mas que também era algo que todo mundo acreditava muito, porque contava muito da nossa história, porque a gente fazia parte desse coletivo já há muitos. Eu queria só fazer um pedido que é: nem casa sem gente, nem gente sem casa. Esse clipe é uma luta”.
Ryan Casagrande, diretor de Filtro, destacou a parceria com a banda Inseton. “A música só existe por causa do clipe e o clipe só existe por causa da música. Foi a primeira vez que me senti parte de um projeto musical do zero.” A obra faz uma crítica à necessidade de se encaixar em padrões, representada por um personagem de papel que vai se transformando ao longo da narrativa.
André Castro Neto, diretor de Paladar, destacou a parceria com a diretora de arte Joelma Silva, também presente na sessão, e contou que, para produzir o clipe, optou-se por fugir de um “set caótico” tendo como locação a paradisíaca praia de Corumbau, no extremo sul da Bahia, com uma pegada sci-fi e improviso. “A gente foi pra lá e teve essa ideia de improvisar algo que a gente se sentisse pertencente, que fizesse essa reflexão, inclusive, de algo de outro mundo, pra realmente fugir daquela realidade”. Nobat, artista do clipe Telaviva, explicou a metáfora do clipe: um desktop gigante dos anos 1990 que aprisiona o personagem em meio a paisagens exuberantes de Vitória. “É uma crítica ao aprisionamento que a gente vive das telas, que mediam nossa relação com o mundo.” A produtora Ana Pio complementou: “Foi gravado com orçamento zero, uma câmera e um sonho. A gente ia com o bebezinho e realizamos.”
Daniel Bones, diretor de Distância, falou sobre a proposta do clipe. “ Distância é um clipe que fala sobre quando o relacionamento de alguém está com ar, está acontecendo, mas não tem aquele amor realmente acontecendo. Uns chamam isso de liberdade, outros chamam isso de toxicidade, outros chamam isso de ‘acabou’. Mas depende de como você analisa e como você vai analisar no clipe, você decide a maneira que você vai achar sobre isso”
Tommy Bellone, co-diretor de A Presa, falou sobre a proposta narrativa do clipe. “Rodamos o clipe em São Mateus. Porque tem um cenário que condiz muito com a estética da própria banda, que é meio que um velho oeste brasileiro, meio sertão também”. O outro co-diretor, Julio Camelo, complementou: “A Presa é uma canção que conduz muito como Big River, essa banda que a gente tenta fazer um folclore sertanejo brasileiro, uma espécie de faroeste do Brasil. O clipe foi feito a várias mãos, a corte de facão. A gente foi sem glamour nenhum no carro, todo mundo junto, com todos os equipamentos amontoados um em cima do outro. Foram dois dias de filmagem, sem nenhum orçamento também e com muita vontade de ser feliz”.
Jessica Roberts, artista e co-diretora de Tô Ligado Pra Nada, emocionou a plateia ao relatar que quase desistiu da música após perder uma prima e ver o pai adoecer. “Essa galera não deixou. Fizeram de tudo, desde cenografia até roteiro. Eu tô aqui como artista para agradecer.” Outro co-diretor do clipe, Enzo Rodrigues finalizou. “É uma obra que realça a presença, a magnetizante, a força que a Jessica como artista tem. No clipe, a gente tentou pautar o dispositivo, a forma, como um objeto também inerentemente narrativo”.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
