A quarta noite do 33º Festival de Cinema de Vitória, que aconteceu na terça-feira (21), no Teatro Glória (Sesc Glória), contou com as sessões da 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, exibindo os filmes Mercado Central, de Tássia Dhur; Assalto, de PH Martins; e A Tragédia da Lobo-guará, de Kimberly Palermo; além da exibição do longa-metragem Malaika, de André Morais, da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. As apresentadoras da sessão foram a cantora Tamy e a jornalista Simone Zucolotto.

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A diretora Tássia Duarte apresentando o filme Mercado Central. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

A sessão de curtas foi aberta com a produção maranhense Mercado Central, de Tássia Dhur. O filme se passa em um açougue, onde pessoas desaparecem sem deixar rastros em meio a um clima de mistério. A obra aborda gravidez e violência de forma visceral, tendo como palco um espaço onde uma mulher enfrenta a hostilidade. “Estou muito feliz de estar aqui no Festival de Cinema de Vitória, que é um dos festivais mais importantes do Brasil. O filme vem de uma memória muito afetiva. Um dos personagens principais é o próprio mercado, que foi demolido há mais ou menos uns três meses.”

 

O diretor PH Martins e equipe do curta-metragem Assalto. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

Em seguida, o público conferiu a ficção capixaba Assalto, que acompanha os irmãos Maria Alice e Jorge, que, para pagar dívidas, resolvem se tornar assaltantes. O filme é um retrato contundente da violência cotidiana no interior do Espírito Santo. Ao subir no palco, o diretor PH Martins falou da sua relação com o FCV e agradeceu aos vários profissionais envolvidos com a realização do curta. “O Assalto nasce primeiro como uma longa-metragem, que inclusive está em desenvolvimento atualmente, e aí surgiu a oportunidade de fazer um curta para exercitar o cinema de gênero”. Segundo ele, embora o longa original incluísse personagens baseados em seus avós — que foram a inspiração inicial para a história —, no curta eles não faziam sentido para a narrativa. O diretor mencionou que, ao longo do processo de finalização, perdeu os dois avós, e dedicou a sessão a eles.

A dupla Kimberly Palermo e Lícia Ferro falando sobre A Tragédia da Lobo-Guará. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

Encerrando a sessão de curtas, a animação carioca A Tragédia da Lobo-Guará apresentou a jornada de uma lobo-guará sentimental que vaga pelo Brasil em busca de um novo lar após perder tudo. O filme transforma a violência ecocida no ponto de partida para uma jornada improvável, mas semeadora de liberdade política. Estiveram presentes na sessão Kimberly Palermo e Lícia Ferro, diretora e diretora de arte, respectivamente, além de duas  “atrizes”, as bonecas manipuláveis da protagonista Lobo Guará e uma crocodila. Com um tom de deboche e afeto, elas falaram das dificuldades materiais para fazer o filme, mas também como conseguiram transformar essa adversidade em potência criativa e identidade do curta. “A Tragédia do Lobo Guará nasceu do sofrimento. O filme começou como uma ilusão: a gente tinha cinco mil reais que ganhamos de um prêmio de um outro filme e pensamos ‘nossa, somos ricas!’ E aí as duas idiotas e um punhado de gente que resolve fazer um filme de stop motion com três vezes o tamanho. Daí, nós tivemos que formar a UFF, e aí começamos um processo longo, árduo, épico, de três anos, fazendo essa porcaria desse filme”.

COMPETITIVA DE LONGAS 

A noite foi encerrada com a exibição do longa-metragem paraibano Malaika, de André Morais, um dos sete filmes da 16ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. O filme acompanha a delicada jornada de autodescoberta de uma adolescente albina no interior nordestino, construindo uma narrativa poética, enigmática e queer sobre pertencimento, diferença e amadurecimento. O diretor expressou sua gratidão por participar do FCV, que considera um dos mais importantes do país. Ele apresentou o filme como uma produção coletiva e representativa da Paraíba, envolvendo mais de 120 artistas do estado – tanto na frente quanto atrás das câmeras.

O diretor André Morais apresentando o longa Malaika. Foto: Melina Furlan – Vikki Dessaune/ Acervo Galpão IBCA

“Malaika é uma fábula sobre a história, uma jornada de autodescoberta de uma adolescente albina, filha de uma mulher negra, movendo transformações internas, envolvendo estruturas. E esse filme não seria possível sem a presença luminosa das protagonistas. Primeiramente, Vitória Bianco, que é uma jovem atriz albina, que faz o seu primeiro trabalho artístico nesse filme, com muita alma, com muita entrega. E junto com ela, ao lado dela, que é o esteio material emocional desse filme, Norma Góes, uma atriz maravilhosa, que interpreta a mãe. E elas duas são o farol emocional desse filme. Eu quero dedicar essa sessão a elas, a toda a equipe paraibana, e saudar aqui a presença da Paraíba nesse festival”

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.  

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