A potência do cinema de experimentação esteve presente na 15ª Mostra Corsária, que aconteceu na terça-feira (21), na Sala Marien Calixte, no 3º andar do Sesc Glória, dentro da programação do 33º Festival de Cinema de Vitória (FCV), que conta com  o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet.  A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.   

A sessão reuniu cinco curtas-metragens que transitam entre o documentário e o experimental, abordando temas como memória afetiva, identidade de gênero, espiritualidade e as materialidades da imagem. A exibição apresentou os curtas Filme-Copacabana, de Sofia Leão; Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos; Trivakra, de Sofia Angst; Vim e Irei como uma Profecia, de Fábio Rogério; e Depois Levanta Voo ou Abisma-se, de Marcus Neves, Aline Dias e GEXS.

Sofia Leão, diretora do curta Filme-Copacabana, na 15ª Mostra Corsária. Foto: Melina Furlan/ Acervo Galpão IBCA

O primeiro filme da sessão foi o documentário carioca Filme-Copacabana, obra que propõe uma investigação sobre a memória afetiva e a paisagem urbana do Rio de Janeiro. Presente na sessão, a diretora Sofia Leão expressou grande satisfação em estar no FCV. “Estou muito feliz de poder estar aqui também. É um filme que a gente fez, eu fiz como TCC da UFRJ, do curso de comunicação social. É um filme bem de guerrilha. Eu fui a diretora, roteirista, fotógrafa, montadora, produtora. Enfim, aquele filme que você tem que fazer 500 funções para fazer funcionar. E foi um filme que a gente fez durante muito tempo. Eu pesquisei durante um ano todos os filmes possíveis feitos em Copacabana para fazer a pesquisa do TCC. E mais um ano de gravação e mais sete meses de montagem. Então, foi um processo bem longo para ele estar aqui hoje. Quero que vocês vejam e sintam, mas é uma sinfonia urbana. É um filme muito inspirado nas vanguardas do início do século XX. E é um filme que busca refletir sobre esse bairro que é tão retratado no cinema, mas também pensar quem são as próximas pessoas que vão continuar retratando esse bairro”.

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O segundo filme exibido foi o curta fluminense Diálogo Bulbul, obra experimental que  traz uma proposta de construção coletiva que desafia os limites da linguagem audiovisual. Esse filme convoca memórias sonoras e visuais em um remix insurgente para evocar a potência criativa do povo preto. Outra produção experimental da sessão foi Trivakra, curta-metragem que conduz o espectador por uma viagem alquímica e hipnótica de metamorfose molecular. O filme parte de um lampejo de memória de infância, onde o corpo infantil e sua transformação molecular são explorados pela artista . O segundo documentário da sessão, Vim e Irei Como uma Profecia, é uma obra sergipana que aborda questões de espiritualidade e existência a partir de uma perspectiva poética e sensível. O filme é exitoso aborda um tema profundo e dá voz a narrativas que escapam dos estereótipos tradicionais.

Fechando a mostra, a produção capixaba Depois Levanta Voo ou Abisma-se traz uma proposta que transita entre a experimentação e a reflexão sobre existência e movimento. Aline Dias, uma das diretoras do curta, falou do processo de desenvolvimento. “O filme é uma conversa, eu recebi alguns primeiros minutos de uma composição sonora. E a partir dessa escuta, eu produzi as imagens, devolvi pra eles mais imagens silenciosas e eles continuaram a composição, então foi um diálogo, uma troca. A convite do Cine Muses, a gente produziu esse trabalho, que foi apresentado com a performance ao vivo em dezembro, ano passado, no Cine Metrópolis. E eu tô bem contente de estar aqui”. Outro diretor do filme, Marcus Neves, também presente na sessão juntamente com outros integrantes do Grupo de Experimentação Sonora, o GEX – projeto de extensão da Ufes que também assina a direção do curta. 

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.   

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