A pluralidade do cinema negro foi destaque da 11ª Mostra Cinema e Negritude, que aconteceu na terça-feira (21), na Sala Marien Calixte, 3º andar do Sesc Glória, dentro do 33º Festival de Cinema de Vitória, que conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
A sessão foi apresentada pela jornalista Daniela Carla e exibiu cinco curtas-metragens que colocam em cena diferentes facetas da experiência negra, abordando afetos, paternidade, ancestralidade e identidade . A programação contou com os filmes FAÇA UMA POSE, de Alek Lean; Encantos para Omo e Iyá, de Antonio Balbino; Às Compras, de Luiz Guilherme Assis; O Pai da Rainha de Angola, de Rodrigo França; e Dentro do meu peito mora um cão, de Gabriel Afonso.
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O curta experimental carioca FAÇA UMA POSE abriu a sessão com uma proposta que desafia os limites entre o corpo, a arte e o olhar do outro. Em apenas cinco minutos, o filme convida o espectador a refletir sobre as possibilidades de existência e representação do corpo negro na cena audiovisual. O segundo curta foi Encantos para Omo e Iyá, ficção do Distrito Federal que aborda a ancestralidade como elemento central da formação familiar e acompanha a ida de três personagens a um local sagrado.

Na sequência foi exibido a ficção carioca Às Compras acompanha a rotina de uma mãe que leva seu filho ao mercado. O filme aborda as sutilezas das relações familiares e a construção da identidade infantil a partir do olhar paterno, revelando como pequenos gestos do cotidiano carregam significados profundos. Presente na sessão, o diretor Luiz Guilherme Assis celebrou a curadoria do festival por reunir histórias negras que fogem do estereótipo esperado e apresenta seu filme como uma obra que, embora aborde as mazelas do povo negro, é fundamentalmente sobre esperança. “Acho muito importante a gente também poder contar essas histórias, porque só a gente pode contar essas histórias. A gente fala que o cinema tá muito batido, tá muito repetitivo, as histórias são muito iguais. Mas tem muitas histórias sendo contadas ainda, a gente não pode ter medo de contar nossas histórias, porque elas precisam ser ouvidas, precisam ser vistas, precisam ser conhecidas, porque as pessoas não conhecem”.
Outra ficção da mostra foi o curta paulista O Pai da Rainha de Angola. O filme narra a história de Ravi, um homem negro que decide adotar Thelminha, uma menina negra de sete anos. Durante o processo de adaptação entre pai e filha, Ravi compartilha fragmentos de sua trajetória, revelando afetos, memórias e aprendizados. Em resposta, a menina também se revela, apresentando ao pai sua verdadeira identidade: Zuri, a rainha de Angola. O filme propõe uma reflexão sensível sobre paternidade solo e o papel fundamental do resgate das ancestralidades afrodescendentes na formação e no fortalecimento da identidade de crianças negras. O filme marca a estreia de Dandara Arcebispo, nova revelação mirim da teledramaturgia brasileira.

Fechando a mostra, a ficção mineira Dentro do meu peito mora um cão acompanha Josué, jovem que não consegue dormir em uma cidade explorada pela mineração. Cercado por montanhas, medos e frustrações, ele reflete incessantemente sobre os desafios do início da vida adulta. O diretor Gabriel Afonso, que também assina o roteiro e protagoniza o curta, estava presente na sessão e apontou que o filme traz uma dimensão autobiográfica. “Venho de Nova Lima, Minas Gerais, que é uma cidade que é muito impactada pela mineração e isso, de certa forma, atravessa também a história do filme. Mas, prioritariamente, eu acho que o filme fala muito sobre a angústia de ser um corpo preto, jovem, numa cidade que não oferece muito recurso para você sonhar, para você imaginar, para além do que já foi preconcebido para você. Estou muito feliz de estar aqui, minha primeira vez no festival, meu primeiro filme de ficção. Também tem sido um ano de primeiras vezes muito especiais. Espero que vocês gostem e que, de alguma maneira, a mensagem chegue para cada um de vocês, gente.”
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
