Memória, identidade e crise climática foram os temas dos curtas-metragens da 9ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental, realizada na tarde da última segunda-feira (20), na Sala Marien Calixte (Sesc Glória), durante o 33º Festival de Cinema de Vitória.  Com apresentação de Alexandre Barillari e a curadoria assinada pelo cineasta e ambientalista Jefferson de Albuquerque Júnior, pelo videomaker e crítico de cinema Lobo Pasolini, e pela diretora e produtora Margarete Taqueti, a sessão exigiu seis filmes que abordam a relação entre ser humano e natureza a partir de diferentes perspectivas, gêneros e linguagens em filmes do Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais, que mescla animação, documentário e ficção. 

O filme que abriu a sessão foi a animação paraense Umassuma, Lascas de memória, de Andrei Miralha e Guaracy Britto. O filme acompanha um homem que cultiva uma relação única com as árvores desde a infância, desenhando-as, dando-lhes nomes e tendo-as como amigas. Quando a samaumeira Umassuma é destruída, ele é tomado pelo luto e por memórias poéticas que revelam a profunda conexão entre sua vida e a árvore centenária. “

Na sequência o público assistiu ao documentário paranaense Thayara, de Mila Leão, retrata a rotina de uma mulher indígena da etnia Kaingang que se apresenta com a família em escolas no contexto do Dia dos Povos Indígenas para complementar a renda, enquanto reflete sobre suas raízes e tenta equilibrar identidade e sobrevivência no ambiente urbano.

O ator Alexandre Barillari foi o apresentador da mostra. Foto: Sérgio Cardoso/ Acervo Galpão IBCA

Outro documentário da sessão foi a produção gaúcha Um Planeta no sul do mundo, de Lucas Furtado, conecta a destruição dos pampas – cada vez mais arenosos devido às mudanças climáticas – com a superfície de Marte, despertando o interesse de pesquisadores de Astrobiologia.

A mostra também contou com um representante capixaba na mostra: um vídeo-ensaio Valor é tempo. Esse curta investiga a região da Praia do Suá, em Vitória, como território de disputa entre o ritmo ancestral da pesca artesanal e a aceleração imposta pela urbanização e pelo mercado imobiliário. 

O lirismo e a inventividade infantil são a tônica da ficção baiana Bijupirá, de Eduardo Bocalletti, que também foi exibido na sessão. O curta narra a história de Tomé, um menino que vive com um pescador em alto-mar e questiona sua própria origem ao ouvir sobre a rémora, um peixe que vive grudado ao tubarão-baleia. Em um ato impulsivo, ele se perde no oceano e, ao ser resgatado, descobre o elo que o une a seu guardião. 

Finalizando a sessão, a animação mineira Concreto, de Sheila Rodrigues e Andresa Amaral, parte de um projeto escolar para transformar, com a magia do cinema, o espaço da escola – hoje dominado por concreto armado, grades e zinco – em um ambiente verde e cheio de vida, como na época dos avós e pais dos alunos.

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e  do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte IBCA

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