A tarde deste domingo (19) foi marcada pela diversidade e potência do cinema LGBTQIAPN+ na 16ª Mostra Quatro Estações, realizada na Sala Marien Calixte, 3º andar do Sesc Glória. A sessão apresentou cinco produções que evelam histórias de afeto, resistência e reinvenção. A programação contou com os filmes Ricardo, de Gino Batidão; Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho; Noites Proibidas, de Júlio Cesar; Picumã, de Sladká Meduza; e Boi de Salto, de Tássia Araújo. O ator Alex Bonini foi o apresentador da sessão.

Filme que abriu a sessão, Ricardo acompanha Gino em uma jornada de autoconhecimento. Após uma consulta com uma cartomante, o protagonista viaja para entender o que aconteceu em seu relacionamento com Ricardo. O curta experimental pernambucano transita entre o real e o sobrenatural, com a música conduzindo essa busca por respostas sobre o fim de um amor. No filme, a personagem da cartomante como um dispositivo narrativo que permite acessar camadas submersas da memória afetiva. 

Na sequência, foi exibida a animação cearense Marimbã Está Acontecendo. O curta conduz o espectador pelos sonhos de Marimbã através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes. O filme projeta um futuro possível para pessoas trans, abordando trans parentalidade, rede de apoio, infância, envelhecimento e espiritualidade. Por meio da animação, são construídos futuros imaginados, um mundo onde corpos trans existem em todas as idades e fases da vida. 

A produção capixaba da sessão, Noites Proibidas, acompanha a festa de mesmo nome em Cachoeiro de Itapemirim, que desde 2017 se tornou ponto de encontro e afirmação para a comunidade LGBTQIAPN+. O documentário percorre as trajetórias de Cris Estética e Claudia Voltz, entre outros frequentadores, mostrando como a celebração se transforma em gesto público de resistência. O filme observa como ocupar o espaço coletivo pode ser, ao mesmo tempo, diversão e posicionamento. Presente na sessão, o produtor executivo do filme, Gabriel Barbieri, ressaltou a importância da participação no Festival: “fico muito feliz pelo Festival de Cinema de Vitória incluir o nosso filme aqui nessa mostra é muito importante para a representação da nossa comunidade LGBTQIA+. A a gente tentou dar um pequeno panorama da nossa comunidade em Cachoeiro e principalmente da festa que tem o mesmo nome do documentário”.

Outra ficção da sessão foi Picumã, produção paulista que acompanha Shaiane, uma dominatriz profissional, que ao descobrir que sua peruca Picumã desapareceu, se junta a Lua em busca de Cléo, vista entrando no carro de um cliente misterioso pelas ruas da Zona Boêmia de São Paulo. O filme mistura humor, suspense e afeto em uma trama urbana sobre perda e busca, e apresenta uma narrativa que subverte expectativas, colocando uma dominatriz como protagonista de uma busca afetiva. 

Fechando a mostra, o curta piauiense Boi de Salto traz uma fábula sobre liberdade, resistência e reinvenção das tradições. Abdias, filho de Francisco e Catarina, sonha em dançar de salto alto no grupo mais tradicional de Bumba-Meu-Boi de sua cidade. Quando é impedido de participar pelo peso da tradição, decide criar sua própria tradição. O filme parte do auto popular do Bumba-Meu-Boi, mas o ressignifica: “Do boi tudo se aproveita, até o berro”. A obra celebra corpos dissidentes que desafiam o silêncio com alegria, beleza e invenção, e já conquistou os prêmios de Melhor Roteiro e Prêmio da Crítica no Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema.

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.   

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