Um tributo à atriz Anna Karina e atravessamentos da vida do diretor. Dessa forma podemos resumir, brevemente, o curta-metragem Sem Título # 8 : Vai Sobreviver, de Carlos Adriano, que será exibido no dia 23 de setembro, sexta-feira, às 19 horas, dentro da programação da 26ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, janela que faz parte do 29º Festival de Cinema de Vitória

De acordo com o realizador, Sem Título # 8 : Vai Sobreviver faz parte de uma série de filmes que contam parte da sua história recriando esses momentos com imagens do cinema. “Sem Título # 8: Vai Sobreviver integra a série que articula minha história pessoal à história do cinema através do gênero da “reapropriação de arquivo” (filmes que reciclam e ressignificam imagens e sons alheios), gênero que trabalho desde meu terceiro filme (1997)”.

“Se em Sem Título # 8: Vai Sobreviver Anna Karina dança ao som do hino gay de Gloria Gaynor, em “Sem Título # 1: Dance of Leitfossil” (premiado com o Troféu Vitória na 4ª Mostra Corsária do 22º Festival de Cinema de Vitória, 2015) Fred Astaire e Ginger Rogers dançam ao som de um fado à la Fernando Pessoa. Este procedimento de deslocamento e intervenção de con/textos envolve um estranhamento que já foi definido como “beleza inesperada”. A citação de Jacques Derrida sobre o que é a poesia, que serve de epígrafe a “Sem Título # 8: Vai Sobreviver”, é crucial para entender o filme e funciona como uma espécie de senha-manifesto de todo o meu cinema – ou de toda a minha cinepoética”, explica ele.

O diretor conta que a edição do trabalho foi sendo pensada ao longo dos anos até sua finalização. “O filme começou a ser feito em 2016 e a montagem terminou em 2021. Não trabalhei nele todos os dias desses 5 anos, mas é um filme que viveu comigo durante este tempo todo – mesmo que eu não o tocasse, ele me tocava. A montagem exigiu um processo de trabalho complexo e elaborado. É possível dizer que o processo de produção durou 39 anos, pois “Viver a Vida” (1962, Jean-Luc Godard; de onde reempreguei os planos de Anna Karina) foi um dos filmes que, em 1982, me fez decidir querer fazer, pensar e viver cinema”.

Sobre a seleção para o evento, Carlos Adriano destaca sua presença dupla no festival. “Tenho dois filmes-poemas selecionados no 29º Festival de Cinema de Vitória: Sem Título # 8: Vai Sobreviver  na Mostra Competitiva e Tekoha na Mostra Corsária. Não sei se é o único caso nesta edição, o fato (ou o feito) de um mesmo realizador ter dois filmes selecionados no festival. Evidentemente, é algo que alegra qualquer um e é coisa de que qualquer um se orgulha”.

As produções exibidas na 26ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas concorrem ao Troféu Vitória nas  categorias de Melhor Filme (Júri Técnico), Melhor Filme (Júri Popular), Prêmio Especial do Júri, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Contribuição Artística e Melhor Interpretação. 

O 29º Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio do Ministério do Turismo, através da Lei de Incentivo à Cultura e também com o patrocínio da EDP, através da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba. Conta com o apoio da Rede Gazeta e da TV Educativa ES. E conta com o apoio institucional do Canal Like, da Carla Buaiz Jóias e do Cine Metrópolis. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA).

SEM TÍTULO #8: VAI SOBREVIVER
Carlos Adriano
EXP, Cor/Preto e Branco, MOV H264, 12’, SP, 2022
Sinopse: Um tributo à atriz Anna Karina (1940-2019), através de sua atuação em Viver a Vida (1962, Jean-Luc Godard). Este foi o filme que, em 1982, fez Carlos Adriano decidir “querer fazer, pensar e viver cinema”. A montagem deste trabalho começou em 2016 e terminou em 2021. Mas pode-se dizer que vem sendo montado há 40 anos. Sem Título #8 dialoga com Sem Título #1: Dance of Leitfossil, o primeiro filme da série “Apontamentos para uma AutoCineBiografia (em Regresso)”.
Classificação Indicativa: Livre