Um dos maiores produtores de cinema do Brasil, o cearense Luiz Carlos Barreto, o Barretão, será o homenageado nacional do 25º Festival de Cinema de Vitória. Com 90 anos de idade, ele receberá o Troféu Vitória e o abraço do público no palco do Teatro Carlos Gomes, no dia 6 de setembro, às 19 horas.

Barretão acumula mais de 70 filmes ao longo da carreira de 73 anos. Sua estreia no cinema já antecipa a importância que ele teria no desenvolvimento da Sétima Arte no Brasil: o cearense foi co-roteirista e produtor de O Assalto ao Trem Pagador (1962), dirigido por Roberto Farias, longa-metragem dos mais importantes na cinematografia nacional.

Barretão é reconhecido como um nome chave do Cinema Novo. Surgido no início dos anos 1960 no Brasil, o movimento subverteu as práticas do cinema tradicionalmente feito no país, deslocando o foco para a realidade social brasileira ao retratar temas como violência, fome e controle da religião. Exemplo dessa abordagem é Vidas Secas (1963), adaptado do clássico da literatura de Graciliano Ramos por Nelson Pereira dos Santos , cuja produção e direção de fotografia são assinadas por Barretão.

Também a cargo da fotografia e da produção, Barretão marcou o cinema ao lado do diretor Glauber Rocha com Terra em Transe (1967), filme premiado em mostras nacionais e internacionais, como os festivais de Cannes, na França, e Havana, em Cuba. Outro sucesso do Cinema Novo que teve a marca de Barretão como produtor foi Como Era Gostoso o Meu Francês (1971), de Nelson Pereira dos Santos, longa aclamado no Brasil.

Jornalismo e futebol
Antes de se destacar no cinema brasileiro, porém, Luiz Carlos Barreto já atuava como jornalista, desde os 17 anos. No fim dos anos 1940, chegou a jogar futebol no juvenil do Flamengo, mas teve que se alistar no Exército e não pôde seguir a carreira nos campos.

Mas Barretão não ficaria longe das quatro linhas. Em 1950, entraria no quadro de repórteres da revista “O Cruzeiro” e seria escalado para cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O cearense ficaria na revista até 1964, onde foi correspondente internacional em Paris, na França. Além do jornalismo e do cinema, ele enveredou pela área das Letras, graduando-se pela Universidade de Sorbonne enquanto trabalhava como repórter na Europa.

Família do cinema
Radicado no Rio de Janeiro desde 1947, Luiz Carlos Barreto está à frente da produtora LC Barreto há 55 anos, ao lado de sua esposa, Lucy Barreto. O casal inspirou nos herdeiros a paixão pelo cinema. Em 1976, Barretão produziu o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, obra dirigida por seu filho, Bruno Barreto. O longa foi recordista de público no Brasil, com 12 milhões de espectadores.

Com O Que é Isso, Companheiro? (1996), dirigido por Bruno, a família Barreto levaria o Brasil ao Oscar com uma indicação de Melhor Filme Estrangeiro, assim como havia acontecido com O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto, filho mais novo de Barretão.

Luiz Carlos Barreto no set de “O Quatrilho”, filme de Fábio Barreto. Foto: Adriana Francios

Paula Barreto, filha de Luiz Carlos, também é produtora de cinema – Lula, O Filho do Brasil (2009), por exemplo, tem sua assinatura na produção. Atualmente, ela trabalha, ao lado do pai, em um documentário sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em março deste ano.

Recentemente, Barretão produziu as séries Toda Forma de Amor, de Bruno Barreto, Em Busca de Anselmo, O Negro no Futebol Brasileiro, além dos longas Amor Sem Fronteiras, Ela Disse, Ele Disse, Quem Matou JK, Viúva Negra e Querubim Trovão.

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), a 25ª edição do Festival de Cinema de Vitória acontece de 3 a 8 de setembro deste ano em Vitória-ES. Este evento tem o patrocínio do BRDE, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), da Ancine e da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. E conta com o apoio institucional da Rede Gazeta e do Canal Brasil.

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