{"id":72208,"date":"2026-07-20T15:18:08","date_gmt":"2026-07-20T18:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/festivaldevitoria.com.br\/33fv\/?p=72208"},"modified":"2026-07-22T16:15:26","modified_gmt":"2026-07-22T19:15:26","slug":"tensoes-de-genero-e-religiosidade-foram-a-tonica-do-segundo-dia-de-debate-do-33o-festival-de-cinema-de-vitoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/festivaldevitoria.com.br\/33fv\/2026\/07\/20\/tensoes-de-genero-e-religiosidade-foram-a-tonica-do-segundo-dia-de-debate-do-33o-festival-de-cinema-de-vitoria\/","title":{"rendered":"Tens\u00f5es de g\u00eanero e religiosidade foram a t\u00f4nica do segundo dia de debate do 33\u00ba Festival de Cinema de Vit\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizadores da primeira sess\u00e3o da <strong>30\u00aa Mostra Competitiva Nacional de Curtas <\/strong>e da <strong>16\u00aa Mostra Competitiva Nacional de Longas, <\/strong>cujos filmes foram exibidos na segunda noite do <strong>33\u00ba Festival de Cinema de Vit\u00f3ria<\/strong> participaram de debate edi\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 desta segunda-feira (21), no Hotel Senac Ilha do Boi. Al\u00e9m dos representantes dos filmes em competi\u00e7\u00e3o, estiveram presentes jornalistas e <strong>Viviane Pistache, <\/strong>curadora e cr\u00edtica de cinema que atuou como mediadora do debate. Entre os assuntos discutidos, o encontro tratou da representa\u00e7\u00e3o da masculinidade e suas fragilidades, da religi\u00e3o no cotidiano e na conforma\u00e7\u00e3o de valores, das identidades diversas (n\u00e3o-bin\u00e1rias, transmasculinas, negras), da repress\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o dos corpos, e da relev\u00e2ncia social e pol\u00edtica do cinema brasileiro contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em sua fala introdut\u00f3ria, Viviane Pistache observou que os filmes exibidos na v\u00e9spera trouxeram reflex\u00f5es sobre f\u00e9 e sobre o papel do masculino em diferentes contextos. Ela destacou como cada obra lidou com falhas ou tens\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao ideal de masculinidade: em <strong>Irm\u00e3<\/strong>, a figura paterna gera desgaste dentro da fam\u00edlia; em <strong>Fronteriza<\/strong>, a aus\u00eancia do pai abre espa\u00e7o para a constru\u00e7\u00e3o de novos v\u00ednculos afetivos e formas alternativas de parentesco. Em <strong>Ti\u00e3o, Personal Dancer <\/strong>a representa\u00e7\u00e3o de um masculino negro e sedutor na velhice, ressaltando a beleza presente nessa fase da vida. E, por fim, <strong>Virtuosas<\/strong> que, embora n\u00e3o tenha personagens homens, carrega fortemente a sombra de uma exig\u00eancia masculina de perfei\u00e7\u00e3o sobre o feminino. Com essas provoca\u00e7\u00f5es, ela deu in\u00edcio \u00e0 conversa e, em seguida, convidou os realizadores a se apresentarem antes de abrir perguntas espec\u00edficas para cada produ\u00e7\u00e3o. Outro aspecto que chamou a aten\u00e7\u00e3o nos filmes debatidos foi a met\u00e1fora da &#8220;\u00e1gua&#8221; surge como um fio condutor que perpassa a ancestralidade, o tempo e a fluidez das identidades nas produ\u00e7\u00f5es em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Roteirista, produtor, diretor e montador da fic\u00e7\u00e3o <em>Irm\u00e3<\/em>, Anderson Bardot disse que a \u00e1gua funciona como elemento central e met\u00e1fora estruturante do seu filme e representa a continuidade entre gera\u00e7\u00f5es, a passagem do tempo, a transforma\u00e7\u00e3o lenta (como a eros\u00e3o das pedras) e a dissolu\u00e7\u00e3o de ideias fixas, como certas no\u00e7\u00f5es de masculinidade. \u201cA forma que esse filme tem \u00e9 uma forma de \u00e1gua, \u00e9 uma forma de um rio. O filme nasce dessa primeira ideia da \u00e1gua em si, porque o nosso corpo \u00e9 formado de \u00e1gua. E se o nosso corpo \u00e9 fumado de \u00e1gua, muita gente veio antes da gente. Essa \u00e1gua que pertence aos corpos do nosso antepassado, nossos ancestrais, de alguma maneira retornaram para suas fontes. E se elas retornarem para suas fontes, quando a gente entra dentro de uma cachoeira, a gente est\u00e1 tomando banho com os nossos ancestrais, de alguma forma\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosa Caldeira, diretor de <em>Fronteriza<\/em>, descreveu a constru\u00e7\u00e3o de seu filme como um processo vivo e aberto, que foi transformando ao longo do tempo \u2013 gravado em um momento, editado com outra cabe\u00e7a \u2013 e que abra\u00e7a suas imperfei\u00e7\u00f5es como parte de sua liberdade criativa: \u201cAcho que o filme investiga a masculinidade nesse sentido, de esse personagem estar procurando esse pai, essa masculinidade idealizada, esse encontro entre um transmasculino e um homem cisg\u00eanero gay. Foi um processo livre de coisas que estavam inquietando a gente na \u00e9poca e que hoje em dia sinto que a gente tem uma vis\u00e3o um pouco diferente. Talvez a gente reivindique para al\u00e9m da masculinidade, porque mulheres e cisg\u00eaneros tamb\u00e9m s\u00e3o atravessadas pela masculinidade, mas como que na verdade, essa experi\u00eancia transmasculina traz essa perspectiva de que a gente est\u00e1 falando sobre g\u00eanero&#8221;. O diretor e ator Nay Mendl tamb\u00e9m esteve presente no debate.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fic\u00e7\u00e3o <em>Ti\u00e3o Personal Dancer<\/em><strong> <\/strong>explora o desejo queer entre homens negros maduros em um ambiente heteronormativo (o forr\u00f3), usando a figura do &#8220;personal dancer&#8221; e a busca por um espa\u00e7o seguro de manifesta\u00e7\u00e3o de afeto. O diretor Arist\u00f3telis Tothi contou que o ponto de partida para a constru\u00e7\u00e3o do filme foi o universo do forr\u00f3 e a figura de um personal dancer (Ti\u00e3o), observado desde a adolesc\u00eancia. O que inicialmente era um interesse etnogr\u00e1fico por espa\u00e7os de conviv\u00eancia de pessoas mais velhas se deslocou para uma investiga\u00e7\u00e3o mais profunda sobre os desafios da performance masculina \u2013 especialmente para homens negros e maduros em contextos heteronormativos. Nesse curta, a narrativa se constr\u00f3i a partir de camadas afetivas e sensoriais: o desejo n\u00e3o \u00e9 tratado como algo imediato, mas como algo que se constr\u00f3i e se consolida em espa\u00e7os de seguran\u00e7a \u2013 como o banheiro do forr\u00f3, que paradoxalmente se torna um lugar de encontro e ruptura de protocolos. \u201cA gente est\u00e1 trabalhando masculino, mas eu tamb\u00e9m me interessava por entender sobre os desafios dessa performance. Para al\u00e9m desse campo da sedu\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m desse jogo de flerte que acaba criando uma hist\u00f3ria. Mas era um desejo com que isso pudesse acontecer, com que isso pudesse ser tamb\u00e9m meio galopante, esse efeito de crescente, mas que fosse dentro desse espa\u00e7o que tivesse uma seguran\u00e7a para que essa demonstra\u00e7\u00e3o Para, antes de tudo, preparar esse tempo para o que a gente chama dessa camada afetiva: de possibilitar que dois homens maduros, negros, se encontrem, possam sentir esse tes\u00e3o, possam manifestar essas vontades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No debate, o filme <em>Virtuosas<\/em> foi representando por Maria Galant Melgarejo, que integra o elenco da fic\u00e7\u00e3o. Segundo ela, o longa-metragem n\u00e3o apenas denuncia o estere\u00f3tipo, mas tamb\u00e9m convida o espectador a perceber como ele mesmo pode estar reproduzindo vis\u00f5es reducionistas sobre grupos religiosos. A narrativa, assim, se constr\u00f3i como um olhar atento ao presente, capturando fen\u00f4menos que muitas vezes passam despercebidos, e trazendo-os para o centro do debate cinematogr\u00e1fico. \u201cVirtuosas fala desse&nbsp; ideal de mulher, dessa busca por uma coisa que a gente nunca alcan\u00e7a. O filme tamb\u00e9m fala muito do lugar onde as coisas acontecem dessa forma e a gente d\u00e1 poder para as pessoas porque a gente subestima elas. A constru\u00e7\u00e3o da imagem que a gente tem da igreja evang\u00e9lica no Brasil como um todo \u00e9 uma vis\u00e3o muito distanciada, o que subestima essas pessoas a um estere\u00f3tipo que existe, mas que \u00e9 um estere\u00f3tipo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>33\u00b0 Festival de Cinema de Vit\u00f3ria<\/strong> conta com o patroc\u00ednio da <strong>Petrobras<\/strong> e da <strong>Vale<\/strong> e com o copatroc\u00ednio do <strong>Banestes<\/strong>, atrav\u00e9s da <strong>Lei Rouanet<\/strong>. Conta com o apoio da <strong>TV Gazeta<\/strong>, da <strong>Carla Buaiz Joias<\/strong>, do<strong> Canal Brasil<\/strong>, do <strong>F\u00f3rum dos Festivais<\/strong>, da <strong>Stone Milk<\/strong>, da <strong>Conecta Acessibilidade<\/strong>, da <strong>TVE Esp\u00edrito Santo<\/strong> e do <strong>Canal Like<\/strong>. Conta tamb\u00e9m com o apoio cultural da <strong>Vol Service<\/strong> e a parceria do <strong>Sesc Esp\u00edrito Santo<\/strong>. A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 da <strong>Galp\u00e3o Produ\u00e7\u00f5es<\/strong> e do <strong>Instituto Brasil de Cultura e Arte<\/strong> \u2013 <strong>IBCA<\/strong>. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizadores da primeira sess\u00e3o da 30\u00aa Mostra Competitiva Nacional de Curtas e da 16\u00aa Mostra Competitiva Nacional de Longas, cujos filmes foram exibidos na segunda noite do 33\u00ba Festival de Cinema de Vit\u00f3ria participaram de debate edi\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 desta segunda-feira (21), no Hotel Senac Ilha do Boi. 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