A 11ª Mostra Mulheres no Cinema, que será realizada na segunda-feira (19), às 14 horas, na Sala Cariê Lindenberg (Sesc Glória), durante o 33º Festival de Cinema de Vitória, reúne cinco curtas-metragens dirigidos exclusivamente por mulheres. Vindos de diferentes estados brasileiros, essas produções apresentam narrativas que subvertem polarizações de gênero.

A curadoria da mostra é assinada pela pesquisadora, roteirista e crítica de cinema Viviane Pistache. No texto de apresentação, Pistache destaca que a seleção, feita a partir de um universo de quase 500 curtas com direção feminina inscritos, é “um gesto curatorial de aposta estética e política”. Segundo a curadora, os filmes “exigem como complemento a ação de um Outro, como caleidoscópio do masculino que se deixa enquadrar por um female gaze” .

INTIMIDADE E AFETO

A mostra abre com Nadar em Aquários, de Mariana Correa. Essa ficção gaúcha apresenta um casal gay que, sozinhos em uma pousada à beira-mar, acordam sempre na mesma manhã, condenados a repeti-la para sempre. “A diretora descortina a intimidade de um casal gay numa atmosfera onírica e tempestuosa, abrindo os pulsos de uma relação entre um negro e um PCD, como derradeira tentativa de adiar o imperativo da desistência”, analisa a curadora.

Do Rio de Janeiro, Batata Frita na Chuva, de Ninah Nogino, acompanha uma noite de chuva em uma lanchonete administrada por duas meninas trans em uma comunidade entre o rural e o urbano. “A diretora abre a câmera num dia chuvoso, para fritar memórias de um casal gay, acompanhar a vida laboral de duas travestis negras num food truck”, escreve Pistache.

EXPERIMENTAÇÃO, CORPORALIDADE E ESPIRITUALIDADE INDÍGENA

Núbia, de Barbara Bello, é uma obra experimental que parte de uma leitura improvável de Triste Madrugada, de Núbia Lafayette, sobre uma sequência de scrolls de páginas eróticas. “A diretora traz um cinema dominatrix como armadilha interessante para capturar a cinefilia masculina. Assumindo a direção de fotografia e a edição, a diretora se desnuda e convoca a cumplicidade dos amantes em cena”, explica a curadora.

Lactação, de Fernanda Taddei, é um “filme de bruxa” que pesquisa gestos e imagens que extrapolam as partituras patriarcais de (auto)representação do corpo que cuida, amamenta e pare. “A diretora usa registros de seu processo de engravidar e amamentar para subverter e ampliar a noção de Milf, enquanto fetiche. O prazer e a beleza da amamentação se revelam na intimidade do lar”, explica a curadora.

Fechando a programação, a produção Maira Porongyta – o Aviso do Céu da diretora indígena Kujãesage Kaiabi. Nessa ficção, Itaarió, criador do mundo e o mais poderoso entre os deuses do povo Kaiabi, convoca um conselho de divindades para evitar adiar a finitude da humanidade, refém do masculino violento.

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e ArteIBCA.

33º Festival de Cinema de Vitória
11ª Mostra Mulheres no Cinema 
Quando: 22 de julho, 14h
Local:  Sala Cariê Lindenberg – 2º andar (Sesc Glória) 
11ª MOSTRA MULHERES NO CINEMA
  • Nadar em Aquários (Mariana Corrêa, FIC, RS, 18’)
  • Batata Frita na Chuva (Ninah Nogino, EXP, RJ, 10’)
  • Núbia (Barbara Bello, EXP, MG, 12’)
  • Lactação (Fernanda Taddei, EXP, SP, 17’)
  • Maira Porongyta – o Aviso do Céu (Kujãesage Kaiabi, FIC, MT, 20’)

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