O documentário Liberdade de Morar dá protagonismo a vozes que, por vezes silenciadas, insistem em existir com coragem e beleza. A obra acompanha a Ocupação Chico Prego, no Centro de Vitória, e nos coloca diante da potência coletiva de mulheres que fazem do cotidiano um campo de luta e de afeto, que edificam territórios de resistência e de cuidado. Selecionado para a 15ª Mostra Foco Capixaba do 33º Festival de Cinema de Vitória, o curta-metragem da diretora Penha Souza será exibido no dia 18 de julho de 2026, no Sesc Glória.

As trajetórias das moradoras, apresentadas em narrativas de caráter íntimo e vibrante, expõem as contradições do direito à moradia no Brasil, onde o acesso à cidade permanece estruturalmente desigual. Liberdade de Morar aborda tanto a materialidade do território ocupado quanto às projeções de futuro de seus habitantes. Trata-se de um documentário que articula sensibilidade narrativa e compromisso com a realidade social, evidenciando a urgência de políticas públicas habitacionais ao mesmo tempo que registra as estratégias de resistência e organização comunitária — especialmente as protagonizadas por mulheres.

O filme foi produzido dentro da disciplina de Produção Experimental, orientada pelo professor Haroldo Vidal, no Curso Técnico de Rádio e TV do CEET Vasco Coutinho, em Vila Velha, e partiu do desejo dos estudantes de discutir o direito à moradia e as realidades das ocupações urbanas na Grande Vitória. 

A ideia do filme surgiu naturalmente dos interesses da diretora pelas políticas públicas relacionadas ao urbanismo. Em sua primeira formação, em Arquitetura e Urbanismo, Penha Souza engajou-se nas discussões sobre territorialidades, o que a levou a conhecer movimentos e associações como a “Onze 8”, que presta assessoria técnica em arquitetura e urbanismo para famílias e comunidades em vulnerabilidade social, incluindo o apoio à Ocupação Chico Prego.

A definição da ocupação que comporia o assunto aconteceu quando a equipe visitou a Ocupação Chico Prego e conheceu Rafaela, sua coordenadora. “Quando conhecemos Rafaela e nos deparamos com sua fala potente, com conhecimento e organização dentro de movimentos de luta por moradia, vimos a importância de sua trajetória e o quanto ela conversa com o início de outras ocupações da Grande Vitória. Para além disso, notamos o quanto essa história pode ser a história de tantas outras pessoas quando percebemos a fragilidade da legislação diante de questões sociais como a moradia.”

O processo de produção do documentário foi marcado pelo envolvimento coletivo dos alunos em todas as etapas, desde a pesquisa até a realização audiovisual. “Algo marcante dessa etapa de produção foi perceber a relação da equipe com a ocupação, que aconteceu de forma muito natural e bonita. As moradoras e moradores da ocupação se dedicaram e se dispuseram a compartilhar suas histórias e vivências, e a equipe buscou realizar o trabalho da forma mais respeitosa possível pois o nosso objetivo era conseguir traduzir para o filme a potência, força e dedicação que a gente percebia em cada dia compartilhado. Alguns dos momentos mais divertidos da etapa de produção do filme foram as interações com as crianças da Ocupação Chico Prego, ver a curiosidade delas com os equipamentos e a vontade de participar! Essa vontade delas de fazer parte do filme nos rendeu momentos maravilhosos!”

A seleção para o 33º Festival de Cinema de Vitória foi recebida com surpresa e alegria pela diretora e pela equipe. “O Festival de Cinema de Vitória tem uma importância imensa especialmente para o cenário do cinema capixaba, onde temos a oportunidade de prestigiar em variedade e qualidade trabalhos que estão sendo realizados no momento, bem como perceber a identidade do cinema capixaba se estabelecendo. E para além disso, por se tratar de um festival nacional, conseguimos ter acesso à diversas obras em mostras que nos revelam a potência e diversidade do cinema nacional. Fazer parte dessa programação é de lavar a alma! Especialmente levando um filme e uma causa que me são tão caros.”

A expectativa para a exibição no festival é muito boa. “Enquanto grupo nós acreditamos demais no trabalho que fizemos, embora o nosso filme seja fruto de um trabalho final de curso técnico, colocamos muita dedicação em cada uma das etapas, e exibir no Festival de Vitória vai ser muito recompensador. ‘Liberdade de Morar’ só foi possível por conta do esforço coletivo de uma turma, e principalmente pelo esforço coletivo de uma ocupação que acreditou nesse projeto e se dispôs a compartilhar um pouco de suas vidas. Exibir nosso filme no centro de Vitória, mesmo bairro que a ‘Chico Prego’ está presente, é para a gente uma realização muito grande!”

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e  do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte IBCA.

33º Festival de Cinema de Vitória
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Quando: 18 de julho de 2026, 19h 
Local: Sesc Glória
Entrada Gratuita
Liberdade de Morar 
Penha Souza
(DOC, Cor, ES, 21’, 2025)
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: “Liberdade de Morar” é sobre o chão onde se pisa, mas também sobre os sonhos que se plantam. É cinema que documenta com o coração e pensa com os pés no barro. Um registro que escancara a urgência de políticas públicas, mas também revela os modos singulares com que a vida insiste, principalmente quando é a partir das mulheres que a luta se organiza. Aqui, ocupar é verbo de existência. E resistir é ato cotidiano de criação.
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