O que acontece depois que o tratamento contra o câncer termina? Como retomar a vida cotidiana após passar uma experiência dessa? É essa a inquietação que move O que Faço Com Isso Agora Que Acabou? , curta-metragem das diretoras Julia Uliana e Natália Dornelas, selecionado para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória. Esse curta-metragem ficcional será exibido no dia 20 de julho de 2026, às 19h, no Sesc Glória.
A ideia para o curta surgiu a partir de uma experiência pessoal da diretora Julia Uliana, que teve um linfoma de Hodgkin e percebeu uma lacuna nas narrativas sobre a doença: “Quando tive um linfoma de Hodgkin, percebi que se fala muito sobre o câncer em si, mas pouco sobre o período de remissão da doença. Existe todo um retorno à vida cotidiana, uma tentativa de entender quem você é depois do que aconteceu e também uma mudança na forma como as pessoas passam a olhar para você. Foi dessa inquietação que surgiu ‘O que faço com isso agora que acabou?’.”
Julia também destaca a vontade de criar uma nova abordagem sobre o câncer no cinema, fugindo dos clichês. “Também havia uma vontade de criar uma nova perspectiva sobre o câncer no cinema. A doença geralmente aparece como um destino fatal ou aquele plot twist que existe para emocionar, punir ou redimir os personagens. A gente queria fazer um filme diferente, que flertasse com o humor e a metalinguagem para falar de cura e da vida que continua.”
Um dos aspectos mais marcantes do processo do filme foi a direção em dupla. “A gente pensou o filme inteiro juntas, desde a pré até a finalização, em muitas reuniões, conversas e ensaios com a equipe. O processo de montagem também foi bem interessante, foi realmente um espaço de experimentação. Foi ali que entendemos melhor a metalinguagem do filme.”

Uma das curiosidades da produção envolve a construção de um cenário que engana o olhar do espectador. “Construímos um tomógrafo em cima do palco do teatro. A equipe de arte criou uma estrutura cenográfica que, no enquadramento, ficou muito parecida com um equipamento real de exames de imagem. Depois, o próprio filme revela que se trata de um cenário.”
Para as diretoras, a seleção para o festival é motivo de grande alegria e reconhecimento. “Ficamos muito felizes com a seleção. O Festival de Cinema de Vitória é um espaço muito importante para o cinema capixaba e nacional, então é muito especial estrear o filme nesta edição. Acho que, depois de todo o processo de fazer um filme, o que a gente mais quer é compartilhar com o público.”
A exibição do filme no 33º FCV também carrega um valor afetivo ainda maior. “É muito especial que a estreia do filme aconteça no Espírito Santo, ainda mais no mesmo lugar em que ele foi gravado, o Sesc Glória. É como se o filme estivesse voltando para onde nasceu. E poder viver essa estreia aqui também permite compartilhar esse momento com a equipe e com todas as pessoas que participaram, direta ou indiretamente, da realização do filme!”
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
