Um sonho recorrente de Denilson Baniwa em que ele despertava perdido entre a ideia de ser uma pessoa ou ser uma árvore. É desse relato onírico que nasce Floresta do Fim do Mundo, curta-metragem dirigido por Baniwa e Felipe M. Bragança, selecionado para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória. A obra, que estreou no Festival de Berlim em fevereiro de 2026 e agora começa a circular pelo Brasil, será exibida no dia 22 de julho de 2026, no Sesc Glória.
Floresta do Fim do Mundo faz parte de uma trilogia de obras audiovisuais que surgiu de muitas conversas que os dois diretores tiveram ao longo dos últimos três anos. “Essa mistura de seres sonhados remetia a elementos de narrativas míticas do povo Baniwa e também nos lembrou da obra do filósofo italiano Emanuele Coccia, cujo livro A Vida das Plantas, propõe uma espécie de imaginação vegetal como caminho de uma renovação do nosso estar no mundo”, contam os diretores.
O processo criativo misturou ficção científica, poéticas Baniwa e afetos contemporâneos em torno de uma ideia central. “A partir daí, mergulhamos em um processo de criação que misturava ficção científica, poéticas Baniwa e afetos contemporâneos para tentar tocar uma ideia central: para adiar o fim do mundo, para citar Krenak, é preciso ouvir novas vozes, novos corpos e novas formas de inteligência, afeto e desejo.O ‘fim do mundo’ então, pode ser, por fim, uma revolução silenciosa e já em processo. Uma revolução vegetal.”
O processo de produção do filme foi marcado pelo diálogo, escuta e busca por uma dramaturgia mágica e política, que misturasse reflexão espiritual com tensão narrativa: “Misturar aspectos do cinema contemporâneo e das artes visuais indígenas contemporâneas, expandir nossos gestos, era algo que nos inspirou imensamente em um processo de criação que foi marcado pelo diálogo, pela escuta e pela busca de uma certa dramaturgia mágica e política que misturasse reflexão espiritual com uma suave tensão narrativa.”

A escolha da atriz protagonista, Iracema Pankararu, também trouxe força simbólica ao projeto: “Trabalhar com a artesã Iracema Pankararu como nossa protagonista, Suely, foi um gesto que trouxe o estranhamento e o mistério que buscavamos no retrato de uma personagem à deriva entre dois mundos e dois corpos.”
As filmagens aconteceram em apenas quatro dias, no Rio de Janeiro, em locações que incluíram a própria casa da atriz – em sua estreia no cinema. Os diretores destacam um lugar especial onde parte das cenas foi filmada: a Aldeia Vertical, um edifício dentro do Condomínio Popular Zé Kéti, no Estácio, Zona Central do Rio de Janeiro – espaço que é um espaço de convergência para culturas indígenas.
“Este edifício é todo ocupado por pessoas indígenas de diversas partes do Brasil – artistas, artesãos e ativistas – que se reuniram neste espaço para viver e que fizeram deste lugar um ponto de referência espontâneo e natural para pessoas e culturas indígenas brasileiras encravado no coração urbano do Rio de Janeiro.”
Floresta do Fim do Mundo fez sua estreia no Festival de Berlim em fevereiro de 2025 e já circulou por alguns festivais internacionais. Os diretores celebram a oportunidade de exibir a obra em solo brasileiro. “O incrível Festival de Cinema de Vitória é uma dessas primeiras paragens – o que nos deixa muito animados e ansiosos para as exibições.”
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
33º Festival de Cinema de Vitória
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Quando: 22 de julho de 2026, 19h
Local: Sesc Glória
Entrada Gratuita
Floresta do Fim do Mundo
Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança
(FIC, Cor, RJ, 25’, 2026)
Classificação indicativa: 14 anos
Sinopse: Suely, uma mulher indígena, divide seus dias entre um pequeno apartamento em uma grande cidade brasileira e sonhos nos quais se comunica com uma floresta. Entre danças românticas em um bar suburbano, o som pesado das máquinas em uma fábrica de reciclagem e as vozes misteriosas de uma natureza impaciente, Suely se conecta a segredos sobre si mesma que a colocam em meio a mudanças radicais para o futuro do mundo como o conhecemos.
Fotos: Divulgação
