O ano era 1985. A boy band porto-riquenha Menudo era um fenômeno musical e invadiu o Brasil com uma turnê avassaladora, que contabilizou 18 shows para um público de aproximadamente dois milhões de pessoas. O impacto cultural causado pela ‘MenudoMania’ é o que investiga a série Não Se Reprima, que será exibida no Canal Brasil, produzida pela Elixir Entretenimento e dirigida por Rafael Terpins, que terá seu primeiro episódio exibido com exclusividade na Sessão Especial do 33º Festival de Cinema de Vitória. A sessão acontece na sexta-feira (24), às 19 horas, no Sesc Glória.
Por meio dos ex-integrantes Ricky Meléndez, Johnny Lozada e Raymond Acevedo, a série aborda em quatro episódios os bastidores da fama e do trabalho intenso a que esses meninos de 12 a 16 anos eram submetidos. As historiadoras Joana Salem Vasconcelos, Samantha Quadrat e Mary del Priore, junto com a jornalista Carolina Trevisan, contextualizam a Menudomania na complexa cena sociopolítica de 1985, ano marcado pela morte do presidente Tancredo Neves.
O impacto do Menudo foi tão grande que atingiu mercados tão distantes quanto Japão e Indonésia, criando um fenômeno fonográfico que originou no mercado adolescente a criação de produtos variados, desde figurinhas a sabonetes. No Brasil, a influência do grupo ainda está presente em artistas distintos como Preta Gil e João Gordo, que odiava o fenômeno, e músicos como André Abujamra e Clemente, que vivenciaram a efervescência dos anos 1980.
A juventude brasileira abraçou as coreografias do grupo, ressignificando o refrão “Não Se Reprima” num país recém-saído de uma ditadura militar repressora. A produção também mostra a incapacidade do país em lidar com megashows na época, resultando em várias hospitalizações e duas mortes. Por outro lado, as integrantes do fã-clube MenudoBR provam que o sonho não acabou. Elas continuam a viajar pelo mundo para acompanhar os shows dos cinquentões que não esqueceram as coreografias de sua juventude.
“Ninguém havia mergulhado de fato no fenômeno que foi a chegada do Menudo ao Brasil em 1985, justamente quando o país atravessava uma ebulição histórica. Em meio à saída da ditadura, à presença crescente de mães no mercado de trabalho e à formação de uma geração tutelada pela televisão, nasceu uma engrenagem cultural e emocional tão intensa, tão contraditória e tão irresistível que só os anos 1980 poderiam ter produzido”, explica o diretor Rafael Terpins.
CANAL BRASIL
O Canal Brasil é o canal que mais coproduz cinema no país, com mais de 470 longas-metragens coproduzidos. No ar há mais de 27 anos, reúne uma programação diversa com programas, séries, ficções, documentários e shows que apresentam retratos da cultura brasileira. O acervo do canal conta com obras dos mais importantes cineastas brasileiros e de várias fases do nosso cinema, com uma grade que conta a história da sétima arte do país. O que pauta o canal é a diversidade, com uma programação plural, composta por muitos discursos e sotaques. A palavra de ordem é liberdade – desde as chamadas e vinhetas até cada atração que vai ao ar.
O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio da Petrobras e da Vale e com o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, da Stone Milk, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
