Patri escreve, narra e atua em A Pele do Ouro, documentário dirigido pelas cineastas Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, que parte dos diários da protagonista para revisitar memórias marcadas pela infância na Venezuela e pelos riscos assumidos na busca do sonhado ouro na Amazônia brasileira. Nos cadernos que acumula ao longo do caminho, onde escreve e desenha o que vive, revela a condição da mulher no garimpo, onde, assim como a terra, tudo é revirado e explorado. Selecionado para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória, o filme será exibido no dia 20 de julho de 2026, às 19h, no Sesc Glória.

A ideia de produzir A Pele do Ouro surgiu a partir de uma relação de confiança construída com Patri desde 2017. Na época, uma das diretoras, Marcela Ulhoa, cursava o mestrado em Letras na Universidade Federal de Roraima e atuava como voluntária em aulas de português para migrantes venezuelanos em um projeto de extensão. Patri foi uma de suas alunas e, certo dia, compartilhou seus escritos.

Os cadernos de Patri sempre tiveram uma potência narrativa muito marcante e despertaram o interesse de Marcela, que inclusive baseou sua dissertação de mestrado na análise desses textos. Ao longo dos anos, Patri expressava a vontade de alcançar mais pessoas com sua história, frequentemente mencionando o sonho de escrever um livro, projeto ainda em construção.

Em 2023, com a abertura do edital Paulo Gustavo em Boa Vista e a trajetória prévia de Marcela no audiovisual, surgiu a ideia de transformar os escritos de Patri em um filme. “Patri acolheu a proposta com entusiasmo e, junto a uma equipe de cinema que já vinha trabalhando em outros projetos em Roraima, foi assim que o filme começou a ganhar forma”, contam as diretoras. 

O filme foi, desde o início, construído de forma compartilhada com a Patri, junto a uma equipe que já trabalhava em parceria há anos em Roraima, baseada em relações de confiança, afinidade e amizade, inclusive com ela. “O olhar da Patri foi central para a construção da narrativa. Como o filme parte de sua própria experiência, ela esteve presente e contribuiu ativamente em todas as etapas do processo, ajudando a definir caminhos, refletindo sobre as imagens e compartilhando suas percepções. Essa troca constante tornou a criação profundamente colaborativa.”

Embora a filmagem tenha acontecido ao longo de uma semana, a pré-produção foi extensa e bastante cuidadosa. Houve um trabalho minucioso de edição do texto, decupagem imagética, seleção de arquivos pessoais da Patri, escolha de locações e reconstrução de cenários marcantes de sua trajetória, como o “fuscon”, o barraco de lona onde vivia no garimpo e realizava programas. O filme foi sendo construído a partir de uma espécie de bricolagem entre imagens de arquivo registradas durante os anos em que Patri esteve no garimpo e uma construção visual poética, capaz de revisitar e dar forma às suas memórias.

Uma das curiosidades mais marcantes sobre A Pele do Ouro é que ele foi um filme realizado por mães. Durante as filmagens, as duas diretoras, Yare e Marcela, assim como a própria Patri, viviam intensamente a maternidade, com filhos ainda muito pequenos, alguns ainda em fase de amamentação. Diante desse contexto, a produção precisou se adaptar a uma realidade que muitas vezes não é considerada nos sets de filmagem. Havia pausas para a amamentação, uma organização constante da rotina das crianças junto às gravações e o apoio de babás contratadas pela produção para que o trabalho no set ocorresse com mais tranquilidade. Além disso, outra curiosidade é que o diretor de fotografia, Daniel Tancredi, é casado com Marcela Ulhoa, fazendo com que a logística do cuidado estivesse bem presente no cotidiano do set.

As diretoras destacam que essa vivência também ressignificou sua prática cinematográfica. “De certa forma, essa experiência também transformou nossa maneira de fazer cinema. Ela trouxe reflexões importantes sobre a necessidade de criar condições concretas para a participação de mulheres, especialmente mães, no audiovisual. Pensar em estruturas de produção mais humanas, inclusivas e possíveis também faz parte do processo criativo.”

A seleção para o 33º Festival de Cinema de Vitória foi recebida com alegria pela equipe do filme. “Chegar ao Festival de Cinema de Vitória é uma oportunidade de compartilhar essa história com novos espectadores, ampliar as conversas e reflexões que o filme propõe, continuar levando as narrativas e realidades de Roraima para diferentes partes do Brasil.”

As diretoras refletem sobre o significado desse encontro com o público capixaba. “A exibição é um momento muito importante desse processo, porque é quando o filme encontra o público. É muito significativo ver uma história construída em Roraima, atravessada pelas realidades da Amazônia e das mulheres que vivem esse território, chegando às telas do Espírito Santo e dialogando com pessoas de contextos diferentes. É nesse encontro que o cinema ganha ainda mais sentido.”

O 33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e  do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA

33º Festival de Cinema de Vitória
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Quando: 20 de julho de 2026, 19h
Local: Sesc Glória
Entrada Gratuita
A Pele do Ouro 
Marcela Ulhoa e Yare Perdomo
(DOC, Cor, RR, 15’, 2025)
Classificação indicativa: 16 anos
Sinopse: Patri escreve, narra e atua em “A Pele do Ouro”, documentário que parte de seus diários íntimos para revisitar memórias marcadas pela infância na Venezuela e pelos riscos assumidos na busca do sonhado ouro na Amazônia brasileira. Nos cadernos que acumula ao longo do caminho, onde escreve e desenha o que vive, revela a condição da mulher no garimpo, onde, assim como a terra, tudo é revirado e explorado.

Fotos: Divulgação

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