Crescer ouvindo que nenhum pai ou mãe desejaria ter um filho com deficiência. É dessa memória íntima e dolorosa do diretor  Victor Di Marco que nasce Pequeno London, curta-metragem que também conta com a co-direção de  Márcio Picoli e que foi selecionado para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória. A obra, que aborda a deficiência como uma forma singular de inteligência corporal e tensiona a lógica eugenista ainda presente na sociedade, será exibida na noite do dia 20 de julho de 2026, no Sesc Glória.

Os diretores propõem uma mudança de perspectiva sobre a deficiência, afastando-se da lógica negativa. “A deficiência, historicamente, costuma ser vista por uma lógica negativa: como falha, fracasso ou prejuízo. No entanto, entendemos a deficiência como uma forma singular de inteligência corporal, uma característica própria daquele corpo e de sua maneira de existir no mundo”, afirmam os diretores.

O filme ganha ainda mais atualidade diante dos debates recentes sobre aborto de crianças com deficiência: “‘Pequeno London torna-se ainda mais atual ao tensionar uma questão que já estava presente desde a concepção do filme: o quanto nossa sociedade ainda opera sob uma lógica profundamente eugenista, na qual a ciência e a medicina frequentemente são direcionadas para a ideia de correção e cura, em vez do cuidado, da autonomia e da valorização das vidas com deficiência.”

Segundo os diretores, a produção do filme  foi um processo bonito e coletivo, mas também desafiador, especialmente por ser a primeira vez que os diretores trabalhavam com crianças e um protagonista infantil. Isso exigiu uma escuta diferente, mais tempo de construção e uma dinâmica de set bastante específica.

A escolha do ator para o papel de  protagonista, por si só, tornou-se um reflexo simbólico do próprio filme. Durante a seleção, os diretores tiveram uma surpresa adversa. “A escolha do protagonista, inclusive, acabou dialogando profundamente com a própria proposta do roteiro. Durante o processo de seleção, encontramos uma dificuldade inesperada: ao lerem a história, muitos pais de crianças com deficiência não autorizavam a participação dos filhos, justamente por discordarem do tema ou da forma como o filme tensionava determinadas questões.” Esse obstáculo terminou por evidenciar a tensão dramática que move o filme. “De certa maneira, isso acabou reafirmando um dos conflitos centrais do próprio filme, tornando o processo ainda mais simbólico.”

A seleção para o 33º FCV desperta nos diretores uma expectativa especial, especialmente pela memória afetiva de exibições anteriores: “A expectativa é muito grande. Quando nosso último filme, ‘ZAGÊRO’, foi exibido no Festival de Vitória, tivemos uma sessão extremamente marcante, talvez uma das mais memoráveis da nossa trajetória. Embora Pequeno London seja um filme bastante diferente do que costumamos fazer, acreditamos muito no seu potencial de conexão com o público. É uma obra mais sutil e sensível, mas justamente por isso capaz de provocar reflexões profundas e diálogos importantes. Estamos muito curiosos para perceber como o público irá receber essa experiência.”

33° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Vale e o copatrocínio do Banestes, através da Lei RouanetMinistério da CulturaGoverno Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil, do Fórum dos Festivais, do Sheraton Vitória Hotel, da Conecta Acessibilidade, da TVE Espírito Santo e  do Canal Like. Conta também com o apoio cultural da Vol Service e a parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA

33º Festival de Cinema de Vitória
30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas
Quando: 20 de julho de 2026, 19h 
Local: Sesc Glória
Entrada Gratuita
Pequeno London 
Victor Di Marco e Márcio Picoli 
(FIC, Cor, RS, 15’, 2026)
Classificação indicativa: Livre
Sinopse: London tem uma deficiência e um pequeno desejo: o feto de sua mãe.

Fotos: Divulgação

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