A atriz, diretora, produtora e ativista cultural, Verônica Gomes foi a Homenageada Capixaba do 32º Festival de Cinema de Vitória. A artista participou, na tarde deste sábado (19), da Coletiva de Imprensa da Homenageada, que aconteceu no Hub ES+, no Centro Histórico de Vitória. A coletiva marcou o lançamento do Caderno da Homenageada, escrito por Leonardo Vais e Paulo Gois, que também mediaram o bate-papo.
O Festival tem patrocínio da Petrobras e patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.
Figura ativa da produção cultural no Espírito Santo, a artista tem uma trajetória expressiva nos palcos e, nos últimos anos, mantém uma relação de proximidade com o audiovisual, além de ser uma presença de destaque na militância cultural capixaba. “Estou muito feliz aqui, muito emocionada com essa homenagem que o 32º FCV está fazendo sobre minha vida como atriz, produtora, diretora, tudo que fiz e faço nessa jornada”, disse Verônica Gomes na abertura da Coletiva.
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Visivelmente emocionada, ela falou sobre o reconhecimento de sua trajetória. “É muito bom ser homenageada em vida. Me veio um filme de tudo o que vivi, na minha mente. Minha família tem muita presença na minha vida artística. Meu filho sempre fala que não pode nascer alguém, que eu falo que vai ser atriz, sonoplasta, fico falando de funções da vida artística, e ele goza da minha cara. Desde pequenininha eu via essa imagem na minha mente”.
Confira alguns trechos do bate-papo:
Juventude
“Sempre fui muito múltipla, sempre fiz tudo dentro da arte. Comecei cedo, numa escola, aquela coisa de você escrever poesia e fazer expressão corporal. Iniciei minha vida artística assim. Minha rua tinha muitas repúblicas e eu sempre era chamada para fazer expressão corporal nas festas de domingo (risos).”
Trabalho
“Eu tinha essa veia artística e aqui não tinha graduação em Artes Cênicas. Fiz vestibular e me formei em Jornalismo. Trabalhei na TVE, e eu já fazia teatro. Na época eu tinha que acompanhar o governador, essas coisas, então nos fins de semana eu tinha que estar no palco e não continuei na TVE. Fiz concurso para a Prefeitura de Vitória e me lotaram na Secretaria de Cultura. Foi bom, porque trabalhava quatro horas e me dedicava à arte o dia todo. E vou continuar assim até eu morrer”.
Estreia no cinema
“Fiz muito espetáculo dirigindo, atuando, produzindo, e em 1994 tive essa aproximação com cinema, com o filme Lamarca (dirigido por Sérgio Rezende), e aí fui convidada para ser segunda assistente de direção. Não fiz como atriz, fiquei um mês na produção do Lamarca e foi uma experiência linda.”
Diretores
“Quem me botou mesmo, quando senti que podia fazer cinema, foi Luiz Carlos Lacerda, o Bigode. Fiz um curso com ele, que criou um personagem para mim. Fui fazer e ele falava toda hora: a câmera gosta muito de você. E eu pensava: se ele está falando isso… E aí eu comecei a acreditar que eu poderia fazer cinema. Sempre que ele me encontrava, ele falava. Depois disso, fiz Os Primeiros Soldados, do Rodrigo de Oliveira, e ele também falou isso pra mim, de ter que fazer mais cinema. Depois veio o Diego Zon, maravilhoso na minha vida”.
Sérgio Penna
“Tinha medo de fazer um filme e me ver na tela. O teatro te expande! Nossos gestos são imensos, nossa voz tem que ser projetada, e eu precisava ouvir dos diretores como eu me comportava como atriz, como vivia aquela personagem. Sergio Penna (preparador de atores para cinema e TV) me preparou por três anos, no Rio de Janeiro. Muitos atores e atrizes se preparam com ele. Estudei muitos filmes e exercícios que ele dava, como o Cinema Instantâneo, técnica dele. Tudo me ajudou muito como atriz. Sergio Penna me ajudou tremendamente. Se consigo fazer alguma coisa de cinema é por causa dele e depois o Bigode (Luiz Carlos Lacerda)”.
TV
“Nunca fiz TV, mas por quê? Por um descuido, displicência. Luiz Antônio Rocha (diretor de elenco) havia mandado uma mensagem para mim, para fazer a novela Velho Chico (na TV Globo). Não sei se foi pelo Facebook ou pelo Instagram, mas eu não vi, só vi seis meses depois”.
Linguagem
“Existe uma diferença entre a linguagem cinematográfica e a linguagem teatral. O cinema fica na memória. Quando interpreto teatro, cada interpretação é diferente, a cada vez que subo no palco. Quando a gente está no camarim, sofro muito, porque teatro é presença e cinema é memória. A diferença do teatro e do cinema é essa”.
O 32° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Petrobras e com patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Rede Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil e do Hotel Senac Ilha do Boi, da TVE e do Fórum dos Festivais. Conta também com parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.