A 14ª edição da Mostra Foco Capixaba apresenta quatro curtas-metragens produzidos no Espírito Santo, durante a programação do 32º Festival de Cinema de Vitória. São obras de uma nova safra do audiovisual capixaba, que segue a todo vapor nas produções de curtas, médias e longas-metragens. O Festival, que transforma a cidade de Vitória na capital do cinema brasileiro, conta com patrocínio da Petrobras e patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.

A sessão da Mostra Foco Capixaba será realizada no dia 19 de julho, às 19 horas, no Teatro Glória (Sesc Glória). Os filmes que serão exibidos são: Nosso Tempo a Sós (Júlio Costa, FIC, ES, 12’), Castelos de Areia (Giuliana Zamprogno, EXP, ES, 14’), A Última Sala (Gabriela Busato e Júlio Cesar, DOC, ES, 20’) e Os Cravos (Renan Amaral, FIC, ES, 15’).

A curadoria da 14ª Mostra Foco Capixaba é formada por Flavia Candida, Waldir Segundo e Viviane Pistache. “O cinema, como espelho e lente, dissolve e recompõe o mundo. Em tempos de reconfiguração dos afetos e das formas de ver, os filmes se tornam espaços de reinvenção do olhar — não mais como instrumento de controle, mas como gesto de escuta”, avaliaram.

Gravado nas cidades de Alegre e Guaçuí, o filme Nosso Tempo a Sós, de Julio Costa, apresenta o interior do Espírito Santo “como cenário pitoresco, mas como território de subjetividades”, pontua a curadoria, que complementa: “A ficção se ancora em Guaçuí, mas o que pulsa é o tempo interno dos personagens, suas pausas, silêncios e hesitações. O interior, aqui, não é atraso, mas potência de reinvenção — um lugar onde o tempo desacelera para que o afeto possa emergir”.

O filme Castelos de Areia é construído com fitas VHS de família e ambientadas na década de 1990 em Vitória. “A memória se torna matéria plástica. O experimentalismo do filme não é apenas estético, mas existencial: as imagens se desfazem como lembranças que resistem ao esquecimento. Há um apego ao efêmero, ao que escapa, ao que não se fixa — como castelos que o mar insiste em apagar. Nesse gesto, o filme se aproxima de uma ética da fragilidade, onde o que importa não é a permanência, mas o rastro”, disse a comissão de seleção sobre a produção. 

Uma dupla de estagiários do icônico Cine Metrópolis, os diretores Gabriela Busato e Júlio Cesar propõem uma reflexão sobre o último cinema de rua de Vitória em A Última Sala. “É nesse território da memória que o filme finca sua bandeira. O documentário sobre o último cinema erótico de Vitória é, antes de tudo, um gesto de preservação de uma memória LGBT+ que insiste em sobreviver. Mais do que nostalgia, o filme é resistência: ao registrar os corpos, os desejos e os afetos que ali circularam, ele reinscreve no presente uma história que o tempo tentou apagar. A sala escura, que antes abrigava o prazer, agora abriga a memória prestes a sumir”, analisa o trio de curadores.

Uma espécie de “exercício de escrita criativa autoimposto” fez com que o diretor de Os Cravos, Renan Amaral, em 2019, caminhasse para a produção do curta-metragem. “A saúde mental, tema tantas vezes silenciado, ganha aqui contornos de delicadeza e urgência. O filme não grita, mas sussurra — e é nesse sussurro que reside sua força. A câmera se aproxima dos gestos mínimos, dos olhares desviados, das palavras não ditas. É um cinema que cuida, que acolhe, que entende que a dor não precisa ser espetáculo para ser real”.

32° Festival de Cinema de Vitória conta com patrocínio da Petrobras e com patrocínio institucional do Instituto Cultural Vale e do Banestes, através da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. Conta com o apoio da TV Gazeta, da Rede Gazeta, da Carla Buaiz Joias, do Canal Brasil e do Hotel Senac Ilha do Boi, da TVE e do Fórum dos Festivais. Conta também com parceria do Sesc Espírito Santo. A realização é da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte – IBCA.

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