Uma sequência de 10 filmes que marcaram a história da animação brasileira. Acima imagem da animação, “Dossiê Rê Bordosa”, de Cesar Cabral


O 23º Festival de Cinema de Vitória antecipa as comemorações para o centenário da animação brasileira com uma seleção do que há de mais expressivo no cinema deste gênero. Serão exibidos dez filmes nacionais, amplamente premiados em festivais e que marcaram a história da animação no Brasil. A Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação acontece no dia 16 de novembro (quarta-feira), a partir das 17 horas, no Teatro Carlos Gomes. A entrada é franca.


Ao longo dos anos, a animação brasileira conquistou uma posição de destaque no cinema, além de ter sofrido diversas transformações que culminou no aumento da produção de curtas e de longas do gênero. Muitos desses filmes são marcados pelo experimentalismo e alguns deles foram executadas por mestres reconhecidos pelo universo do desenho animado. Tanto em termos de técnica quanto de conteúdo, o cinema de animação brasileiro tem se destacado mundialmente. Exemplo disso é o longa-metragem “O Menino e o Mundo”,  de Alê Abreu, filme brasileiro que foi indicado ao Oscar deste ano na categoria Melhor Animação.


Não é à toa que os títulos selecionados para a mostra colecionam troféus oriundos de festivais nacionais e internacionais. E este acervo premiado de filmes faz com que a Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação seja uma janela  para relembrar a trajetória do cinema de animação no país.   

Filmes e homenagem

A Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação exibirá filmes produzidos nas últimas três décadas, começando, na exatidão cronológica, pelo ano de 1986. Foi nessa época que “Treiler – A Última Tentativa”, de José Maia e co-produzido por Otto Guerra e Lancast Mota, estreou nas telonas. O curta foi vencedor do Prêmio Coral de Animação no Festival de Havana (Cuba) e recebeu Prêmio especial do júri e de melhor curta gaúcho no Festival de Gramado, em 1987.  


novela2Otto Guerra aparece de novo na Mostra com o filme Novela” (1992), que também foi vencedor no Festival de Havana, além de ter recebido o prêmio de melhor filme no XI Rio-Cine Festival. O curta mostra o que acontece entre os intervalos comerciais das emissoras de televisão e histórias que são contadas e repetidas ano após ano.

Além de exibir esses dois filmes, Otto Guerra será o cineasta homenageado pelo 23º Festival de Cinema de Vitória, por sua representatividade no cinema de animação brasileiro. A homenagem acontece logo após a Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação, no Teatro Carlos Gomes, a partir das 19 horas.


Seguindo a linha do tempo da Mostra, serão exibidos os filmes “Espantalho” (1998), de Alê Abreu, que foi uma das produções de mais impacto das animações da década de 1990 e também “Amassa Que Elas Gostam” (1998), de Fernando Coster, que na época foi eleito o Melhor Filme no Festival de Brasília e recebeu Prêmio Especial de Animação no Festival de Gramado, no ano seguinte.


“Cebolas São Azuis” (1996), produzido pelo diretor Marão, também entra na lista da mostra. A animação se passa numa aldeia cujos habitantes exercem atividades manuais é invadida por um mago, que seqüestra todas as moças virgens e as transforma em cebolas azuis.


Representando as produções mais recentes, estão: “Deus é Pai” (1999), de Allan Sieber, que foi vencedor na mostra competitiva do Festival de Gramado; “Vida Maria” (2006), de Márcio Ramos, que mostra personagens e cenários modelados com texturas e cores pesquisadas e capturadas no Sertão Cearense, no Nordeste do Brasil, criando uma atmosfera realista e humanizada.


engolervilha_maraoDentre outras produções mais atuais, estão: Engolervilha (2003), de Marão (imagem ao lado), que é composto por vinhetas bizarras ou escatológicas. “Dossiê Rê Bordosa” (2008),  de Cesar Cabral, que revela os reais motivos que levaram o cartunista Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa personagem, e “Deixem Diana em Paz” (2013), de Júlio Cavani e Igor Bonatto, que conta a história de uma mulher que, após completar 30 anos, resolve largar tudo para dedicar a vida apenas ao mar e ao sono.


Sobre o Centenário da Animação Brasileira

A história da animação no Brasil nasce das primeiras obras cinematográficas animadas produzidas de formas mais artesanais e chega até a computação gráfica dos dias atuais. O lançamento do curta-metragem comercial “Kaiser”, em 22 de janeiro de 1917, do cartunista Álvaro Marins, marcou oficialmente o início da animação brasileira. A partir daí, o cinema de animação não parou de evoluir.


Os filmes, que eram basicamente comerciais para televisão, hoje estão presentes nas telonas e em vários outras janelas de exibição. Atualmente, segundo o animador e cartunista, Otto Guerra, existem hoje no país, só em produção e finalização, vinte e seis longas-metragens e outras dezenas de séries brasileiras do gênero. “São produções em película, papel, tintas, grafite, som magnético, moviola, stand de filmagem e até processos modernos de produção, como o formato 3D, compõem o cenário da animação brasileira”, explica o cineasta.


Sobre Otto Guerra

Um dos cinco brasileiros citados no livro que é a ‘bíblia’ da animação mundial, Animation Now, da editora alemã Tashen, o diretor gaúcho Otto Guerra completou 60 anos em 2016 e será homenageado pelo 23º Festival de Cinema de Vitória. O patamar que a animação brasileira atingiu no cenário mundial nos últimos anos mistura-se com a trajetória de quase 40 anos da empresa Otto Desenhos Animados, produtora criada pelo diretor. “Até que a Sbórnia nos Separe”, terceiro e último longa-metragem de Otto, é resultado de uma lenta evolução na produção de conteúdos e também na técnica da animação. O atual filme em produção do diretor é “A Cidade dos Piratas” que é baseado na obra da cartunista Laerte.


Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES. Maior evento de cinema do Espírito Santo, o Festival conta com uma extensa programação de exibições, lançamentos, oficinas, debates, homenagens e premiações. Todas as atividades são abertas ao público.


Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação

23º Festival de Cinema de Vitória
Quarta-Feira (16 de novembro), às 17 Horas

Teatro Carlos Gomes – Centro de Vitória


ENTRADA FRANCA!


Treiler – A Última Tentativa (Animação, 5’, RS, 1986), de José Maia, Otto Guerra e Lancast Mota. Treiler de uma suposta superprodução de animação gaúcha, que, obviamente, jamais será produzida.


Novela (Animação, 8’, RS, 1992), de Otto Guerra. O que acontece entre os intervalos comerciais no horário nobre de nossas emissoras de televisão? Quantas histórias são contadas e repetidas ano após ano? “Novela” é um segmento deste horário sagrado em que o país inteiro espera as cenas dos próximos capítulos.


Cebolas São Azuis (Animação, 12’, RJ, 1996), de Marão. Aldeia cujos habitantes exercem atividades manuais é invadida por um mago, que seqüestra todas as moças virgens e as transforma em cebolas azuis. Este, porém, é um mago tecnológico, que usa um controle remoto no lugar da varinha e não faz suas poções em um caldeirão, mas em um micro-ondas.

 

Amassa Que Elas Gostam (Animação/Ficção, 14’, SP, 1998), de Fernando Coster. Mulher solitária e casta descobre o amor de forma muito pouco convencional. Ao entrar, por engano, em um cinema pornô, se apaixona pelo protagonista, um atleta sexual feito de massa de modelar. Uma relação atípica que leva a um desfecho dramático e surpreendente.  


Espantalho (Animação, 10’, SP, 1998), de Alê Abreu. As lembranças de uma senhora se misturam com as descobertas de uma menina apaixonada por um espantalho.


Deus É Pai (Animação, 4’, RS, 1999), de Allan Sieber. Após milhares de anos de convivência, a relação de Deus com seu amado filho, Jesus, sofreu um inevitável desgaste. Para melhorar a relação, uma terapeuta passará por maus bocados.


Engolervilha, (Animação, 8’, RJ, 2003), de Marão. O sórdido, o pútrido e o fétido. O bizarro, o escatológico e o grotesco. Ervilhas, urina e galináceas.


Vida Maria (Animação, 9’, CE, 2006), de Márcio Ramos. Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.


Dossiê Rê Bordosa (Animação, 16’, SP, 2008), de Cesar Cabral. Fama? Ego inflado? Espírito de porco? Quais os reais motivos que levaram Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa criação? Este documentário em animação stop motion investiga este vil crime.  


Deixem Diana em Paz (Animação, 10’, PE, 2013), de Júlio Cavani e Igor Bonatto. No auge de sua carreira profissional e acadêmica, Diana não tem tempo para descansar por causa do trabalho e dos estudos. Quando completa 30 anos de idade, ela resolve largar tudo para dedicar a vida apenas ao mar e ao sono.