Este ano serão exibidos seis curtas-metragens com temática LGBT. Acima, imagem da ficção paulista “Lightrapping”, de Márcio Miranda Perez


Janela exclusiva para filmes cuja temática principal é a diversidade sexual, a 6ª edição da Mostra Quatro Estações do 23º Festival de Cinema de Vitória exibirá produções de várias partes do Brasil, que dão visibilidade às questões do público LGBT e expressam as múltiplas identidades sexuais. Este ano serão exibidos seis curtas-metragens, a partir das 23h de sexta-feira (18/09), no Teatro Carlos Gomes. A entrada é franca.


Um grito de urgência pela diversidade, a 6ª Mostra Quatro Estações acontece em um momento da história brasileira marcado pelo retrocesso político que ameaça uma série de direitos conquistados. A seleção deste ao ano apresenta obras que buscam ir na contramão dos tempos de incertezas atuais: menos polarizações e mais ambiguidades nos temas e pontos de vista. Os filmes da mostra concorrem ao Troféu Marlene, objeto com adereço criado pela estilista e produtora cultural Stael Magesck, como prêmio de Melhor Filme.


Conheça um pouco dos filmes
Tido com filme de “macho”, o faraoeste ganha novas camadas de significado para tratar do universo homoerótico em “A vez de matar, a vez de morrer”, do diretor Giovani Barros. Nessa ficção sul-mato-grossense não existe polícia, não existe lei e a vingança tem que ser feita com as próprias mãos, assim como faziam os caubóis de antigamente. Já a urbanidade paulistana, “Lighttrapping”, de Márcio Miranda Perez, retrata um universo onde os pais de família têm suas taras e fetiches ao mesmo tempo secretos e desavergonhados.


Em “Lovedoll”,  de Débora Zanatta e Estevan de La Fuente, o prazer individual se destaca: um pacote que chega pelos correios é o suficiente para fazer companhia pelo resto da noite. É o prazer feminino sem limites e sem imposições interpretando qualquer papel que seu corpo desejar. Já “Ingrid”, documentário do mineiro Maick Hannder, o recado é direto: ninguém é obrigado a nada nessa vida, e se não nos sentimos confortáveis, a mudança é bem-vinda. Afinal, o corpo de uma mulher trans é, sim, um corpo de mulher.


cuscuz-peitinho_1Outros filmes que completam a mostra são: “Para minha mãe”, ficção de Wislan Esmeraldo, que retrata os problemas familiares que todos nós temos, o passado que sempre nos é cobrado uma hora ou outra. Completa a seleção “Cuscuz Peitinho” (imagem ao lado), de Rodrigo Sena e Julio Castro, que retrata um contexto muito pouco explorado pelos curtas brasileiros: a vida dos gays de periferia nordestinos, no caso, em Natal, no Rio Grande do Norte.


Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.


6ª MOSTRA QUATRO ESTAÇÕES

23º Festival de Cinema de Vitória

SEXTA-FEIRA (18 de novembro), às 23h

Teatro Carlos Gomes – Centro de Vitória


ENTRADA FRANCA!


“A Vez de Matar, A Vez de Morrer” (Ficção, 25’, MS), de Giovani Barros. O Homem, o orgulho, a vingança.


“Cuscuz Peitinho” (Ficção, 16’, RN), de Rodrigo Sena e Julio Castro. Karol, 27 anos, sempre esteve aos cuidados da tia conservadora. Em sua ausência ele permite se descobrir com a ajuda de um novo amigo.


“Ingrid” (Documentário, 7’, MG), de Maick Hannder. Uma mulher e seu corpo.


“Lightrapping” (Ficção, 22’, SP), de Márcio Miranda Perez. Gustavo é um fotógrafo que registra corpos de homens nus em espaços públicos de São Paulo. Uma noite, o jovem Pedro o acompanha, curioso e indeciso sobre participar ou não do projeto. A cidade será testemunha da jornada.


“Lovedoll” (Ficção, 12’, PR), de Débora Zanatta e Estevan de La Fuente. Paula mora sozinha em seu apartamento. Ela está sentada no sofá assistindo televisão. A campainha toca, é o carteiro que lhe faz a entrega de uma caixa contendo uma boneca inflável. A partir desse encontro, a solidão abre espaço para a fantasia e Paula transforma-se aos poucos – adereços femininos vão dando lugar às fantasias homoeróticas da personagem.


“Para Minha Mãe” (Ficção, 22’, CE), de Wislan Esmeraldo. Amor antigo não enferruja.