Uma mistura de ficção e documentário, “Xale” retrata o esforço de um brasileiro em resgatar a memória de seus antepassados


Lançado durante o Festival do Rio 2016, o filme “Xale”, primeiro longa-metragem do carioca Douglas Soares, será exibido fora de competição no 23º Festival de Cinema de Vitória. A exibição acontecerá durante a Sessão Especial no próximo dia 15 de novembro, às 23 horas, no Teatro Carlos Gomes, Centro de Vitória-ES.


Ora com recursos documentais, ora com cenas claramente ensaiadas, o longa-metragem retrata o esforço de um brasileiro em resgatar a memória de seus antepassados armênios, testemunhada apenas por sua avó, Araci, surpreendida por um princípio de Alzheimer. Entre essa inevitável perda de memória e a vontade de recuperar lembranças de tempos passados, a relação entre avó e neto se desenvolve na tela.


“Decidi fazer este filme para ela, como uma forma de trazer as paisagens e os sons de um passado desconhecido, tendo como linguagem a fragmentação de um cérebro frágil. Para mim, o filme funciona como um jogo para que a minha avó exercite o pouco que lhe resta das memórias”, explica o diretor do filme.


O elenco principal é formado por Araci Vanassian (avó) e Douglas Soares (neto e diretor), que interpretam os papéis de suas próprias vidas e atuam em locações reais. Douglas cuida e mora com sua avó no famoso bairro carioca de Copacabana, conhecido pelo alto índice de moradores da terceira idade, coexistindo com a mais frenética juventude.


Aos poucos, ele percebe que algo está acontecendo com a memória de Dona Araci. Ela não se lembra de acontecimento recentes, enquanto as antigas recordações permanecem vivas. Sua avó passa a conviver com o passado de seus pais, que vieram da Armênia na 1ª Guerra mundial, fugindo do genocídio praticado pelo governo Turco.


Sobre o diretor
Formado em direção cinematográfica pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Douglas Soares é graduando em História da Arte pela UERJ. Trabalha como assistente para diretores como Nelson Pereira dos Santos e Allan Ribeiro e é diretor do curta “Minha Tia, Meu Primo”, documentário que participou de 20 festivais no Brasil. Co-dirigiu o premiado “A Dama do Peixoto” em 2011 (Habana Film Festival), e foi produtor e diretor assistente do longa “Esse Amor Que Nos Consome” (World Cinema Amsterdam), dirigido por Allan Ribeiro e exibido no Brasil e no exterior nos anos de 2012 e 2013. Seu último curta “Contos da Maré” (Uppsala Internationella Kortfilmfestival | Bosphorus Film Festival), foi escolhido como melhor curta documentário e melhor trilha sonora no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2013).


Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.