Em sessão única, a 3ª Mostra Outros Olhares exibirá uma seleção que enfatiza as múltiplas raízes culturais do curta-metragem nacional. Acima, imagem do documentário gaúcho “Sesmaria”, de Gabriela Richter Lamas


Em sua terceira edição, a Mostra Outros Olhares apresenta um panorama da produção cinematográfica brasileira e se afirma como um espaço de convivência entre cineastas veteranos e diretores estreantes. Na seleção deste ano, o público irá assistir a cinco filmes que equilibram múltiplas raízes estéticas e culturais e diferentes vozes no processo de construção do cinema. Em sessão única, a 3ª Mostra Outros Olhares acontecerá no dia 16 de novembro, às 15h, no Theatro Carlos Gomes.


Com filmes nos gêneros documentário e ficção, a 3ª Mostra Outros Olhares dará vazão ao que há de mais latente na ampla e fértil safra de filmes brasileiros deste ano: a urgência de deflagrar, através da imagem, as mazelas políticas de um tempo. Se a política no cinema está na forma como um filme reconfigura seu olhar sobre um espaço, tempo, indivíduos e cotidianos, é inevitável que a sugestão de um panorama possível se submeta a vontade que esses filmes têm de registrar, imaginar ou reinventar o real. Trata-se de olhares outros, peculiares e múltiplos, sensíveis para além dos regimes tradicionais de significação e de linguagem.


Um pouco sobre os filmes
Gravado no Rio Grande do Sul, em “Sesmaria”, de Gabriela Richter Lamas, a própria narrativa se desmonta e se refaz, embebe o filme aos poucos em uma atmosfera tenebrosa, opaca e incognoscível. O que inicialmente parece ser um filme meramente contemplativo, se desconstrói e se metamorfoseia em um filme monstruoso.


cordilheira-de-amora-ii_3Em “Auto Copa Park”, do estreante João Atala, a apropriação dos aspectos comuns de um filme de horror se expandem por todos os lados e contaminam o cotidiano do manobrista noturno de um edifício-garagem no efervescente bairro de Copacabana. Já no documentário “Cordilheira de Amora II” (imagem ao lado), da também estreante Jamille Fortunato, uma índia Guarani Kaiowá, de 9 anos, transforma seu quintal num experimento do mundo. Ela cria histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos.


Completam a seleção da mostra os filmes “Os Cuidados Que Se Tem com os Cuidados que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos”, de Gustavo Vinagre e “Na Missão, com Kadu”, gravado em Pernambuco e Minas Gerais, dos diretores Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito.


Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.


5ª MOSTRA OUTROS OLHARES
23º Festival de Cinema de Vitória
QUARTA-FEIRA (16 de novembro), às 15h
Teatro Carlos Gomes – Centro de Vitória


ENTRADA FRANCA!


“Auto Copa Park” (Ficção, 24’, RJ), de João Atala . Durante a noite, em algum lugar em Copacabana, em meio a todos os prédios e a todas as pessoas, algo de sobrenatural acontece com Marcos.


“Cordilheira de Amora II” (Documentário, 12’, MS), de Jamille Fortunato. Uma índia Guarani Kaiowá, Cariane Martines de 9 anos, transforma seu quintal num experimento do mundo. Ela cria histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos. É um documentário espontâneo, filmado com celular na Aldeia Amambai, no Mato Grosso do Sul, fronteira do Brasil com o Paraguai.


“Na Missão, com Kadu” (Documentário, 28’, PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito. O encontro, a conversa, a lembrança, a tragédia.


“Os Cuidados Que Se Tem com os Cuidados que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos” (Ficção, 20’, SP), de Gustavo Vinagre. Tan precisa chorar.


“Sesmaria” (Ficção, 23’, RS), de Gabriela Richter Lamas. Durante 50 anos como fumicultores em Sesmaria, Wilhelm e Hilda não deixaram de colher nenhuma safra. Neste ano, Wilhelm não plantará. O que mais, além da vida, se leva com a morte?