Janela privilegiada do curta-metragem no 23º Festival de Cinema de Vitória, a 5ª Mostra Corsária exibirá, durante dois dias, filmes que apostam na experimentação de linguagem como forma de expansão artística do cinema. Realizada pela Galpão Produções, a Corsária apresenta em competição 13 curtas-metragens de diretores brasileiros, no Theatro Carlos Gomes, na quinta-feira (17) e na sexta-feira (18), sempre às 17 horas. A entrada é franca.

 

A 5ª Mostra Corsária apresenta um misto de autores já experientes, que realizam seus filmes mais arriscados, ao mesmo tempo em que mantém o espírito da dinâmica entre cinemas já estabelecidos e novos olhares. Os filmes dessa seleção geram um retrato bastante fiel e amplo do estado de invenção do cinema brasileiro hoje.

 

As produções em competição da 5ª Mostra Corsária serão avaliados por um júri composto por três profissionais da cadeia produtiva audiovisual brasileira. O júri premiará três filmes, sem ordem de classificação, com o Troféu Vitória.

 

Inspirada no filme Alma Corsária, de Carlos Reichenbach (1945-2012), a Mostra Corsária exibe filmes que buscam evidenciar as influências do diretor na nova geração de cineastas brasileiros.

 

Sobre os filmes Destacam-se na 5ª Mostra Corsária os filmes “Uma Noite e Meia”, de Susana Costa Amaral: um curta-metragem onde a protagonista se constrói por dentro e por fora. Nessa ficção, observa-se um sujeito que se descobre ao mesmo tempo em que busca para si uma forma de conter sua própria essência.

 

Nos curtas “Horror”, de Leonardo Bomfim, e “Ainda Me Sobra Eu”, de Taciano Valério, a linguagem parece não ter limites o que coloca em questão o lugar da poesia e do próprio cinema. Em “Santa Porque Avalanche”, de Paulo Victor Soares, e “Preparação para Exercício Aéreo – O Deserto, de Rubiane Maia e Luísa Nóbrega, a performance é meio usado para provocar o tensionamento da linguagem cinematográfica.

 

A produção experimental “XX Tape”, de Anderson Bardot, e a ficção “Ordenha”, de Diana Iliescu, têm o sexo como temática, mais especificamente, o momento do gozo. No primeiro, a lascividade é escancarada, no segundo, pelo contrário, a estratégia é esconder qualquer tipo de erotização explícita com uso do humor e da ironia.

 

As narrativas pessoais são a tônica do documentário “Abigail”, de Isabel Penoni e Valentina Homem, e da ficção goiana “Wendigo”, de Luciano Evangelista, curtas que apresentam complexas personagens centrais. A memória é tema do filme experimental “Os Mortos, de Stefano Calgaro e Pedro Achilles, curta que contrapõe fotografias de viagem à narrativa de Orfeu e Eurídice.


Curiosamente, o ato de voltar a narrativa para o campo da memória também faz-se presente nos filmes “Mãos que curam”, de Gustavo Vinagre e “O Rosto da Mulher Endividada”, de Renato Sircilli e Rodrigo Batista, com a diferença de que, aqui, a nostalgia está ligada à figura materna.   Completa a seleção, a ficção fluminense “Carruagem Rajante”, de Lívia Paiva e Jorge Polo, curta premiado pela 15ª Mostra do Filme Livre e que apresenta uma narrativa inquieta e em sintonia com a proposta da 5ª Mostra Corsária.  


Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória, e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura, da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Rede Gazeta. São parceiros desta edição o Governo Estado do Espírito Santo e a Universidade Federal do Espírito Santo. O evento ainda conta com o apoio cultural do Instituto Sincades e do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e com o apoio institucional do Canal Brasil.

 

5ª MOSTRA CORSÁRIA 23º Festival de Cinema de Vitória QUINTA E SEXTA-FEIRA (17 e 18 de novembro), às 17h Theatro Carlos Gomes – Centro de Vitória

ENTRADA FRANCA

(Quinta-feira 17/11)

“Ainda Me Sobra Eu” (Experimental, 15’, PE), de Taciano Valério. Mesmo morrendo ainda lhe sobra alguma coisa. Também, resta perguntar: de que lado você está?


“Abigail” (Documentário, 17’, RJ), de Isabel Penoni e Valentina Homem. Abigail Lopes, que viveu mais de 30 anos com o sertanista Francisco Meireles, une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.


“XX Tape” (Experimental, 13’, ES), de Anderson Bardot. Hashtags, tags, hiperlinks, fetiches, (des) preferências, ausências, matizes. Uma proposta audiovisual de desconstrução da fita, do som e da imagem virtual pornográfica.


“Ordenha” (Ficção, 12’, RJ), de Diana Iliescu. Jovem garota prefere se alimentar de produtos cosméticos ao invés de viver uma ardente paixão.


“Uma Noite e Meia” (Ficção, 13’, RJ), de Susana Costa Amaral. Só porque vagamos sozinhos não significa que estamos chegando a algum lugar.


“O Rosto da Mulher Endividada” (Documentário, 27’, SP), de Renato Sircilli e Rodrigo Batista. Os rostos de dez mulheres, mães dos criadores do [pH2]: estado de teatro, ampliam o rosto de Helena Fracasso e ensaiam as desgraças que acometeram sua vida.


(Sexta-feira 18/11)

“Carruagem Rajante” (Ficção, 21’, RJ), de Lívia de Paiva e Jorge Polo. Enquanto a estrada se transforma, ele também, criando uma brisa que se espalha.


“Horror”, (Ficção, 24’, RS), de Leonardo Bomfim. Cada garoto inventa uma história.


“Mãos Que Curam” (Documentário, 20’, SP), de Gustavo Vinagre. Marta prepara um bolo para a chegada de seu filho.


“Os Mortos” (Experimental, 12’, SP) de Stefano Calgaro e Pedro Achilles. As fotografias da viagem de um casal para Três Corações. Em paralelo, Orfeu fala sobre Eurídice à Baca.


“Preparação para Exercício Aéreo – O Deserto” (Experimental, 10’, ES), de Rubiane Maia e Luísa Nóbrega. Preparação para Exercício Aéreo é um vídeo no qual busca-se investigar através da performance as relações entre o corpo, a mobilidade e a leveza por meio de uma pesquisa inspirada no desejo humano de voar, seja ele real ou metafórico. O projeto foi realizado no Deserto de Sal em Uyuni, Bolívia.


“Santa Porque Avalanche” (Experimental, 18’, CE), de Paulo Victor Soares. Quatro amigos inscrevem-se no concurso da garota molhada, fogem e apaixonam-se pela morte.     “Wendigo” (Ficção, 3’, GO), de Luciano Evangelista. Um japonês relembra encontros que tivera durante suas viagens.