Seu nome está no livro que é considerado a “bíblia” da animação mundial. Ele dirigiu animações premiadas em festivais nacionais e internacionais, além de ter acompanhado ativamente a evolução do cinema de animação no Brasil. Aos 60 anos de idade, com mais 15 filmes produzidos, Otto Guerra, cineasta e animador brasileiro, será homenageado pelo 23º Festival de Cinema de Vitória, no dia 16 de novembro, às 19 horas, no Teatro Carlos Gomes – Centro de Vitória-ES.

 

Otto Guerra possui uma vasta carreira como diretor de animação. Em 1978, abriu a produtora Otto Desenhos Animados, onde produziu seu primeiro filme, “O Natal do Burrinho” que, na época, recebeu prêmio de melhor Curta-Metragem Gaúcho no Festival de Gramado. Para ele, participar do Festival de Cinema de Vitória é uma forma de rememorar a carreira: “lembra os bons tempos do Festival de Gramado da década de 1970 e 1980: quente numa cidade muito bonita e autêntica. Mas, sobretudo, é uma imensa honra. Receber uma homenagem é uma espécie de legitimação da carreira, ainda mais do prestigiado Festival de Vitória que, atualmente, é o melhor em todos os sentidos. Existe uma paixão na execução, a cidade de Vitória acolhe os convidados e faz filas para assistir às sessões”.

 

Segundo Otto, a animação brasileira está atravessando o melhor momento durante os 100 anos de existência, e se iguala ao teto mundial do gênero, tanto em técnica, quanto em conteúdo: “nunca pensei que veria um momento como esse no Brasil. Existe hoje no país, só em produção e finalização, 26 longas metragens e dezenas de séries brasileiras, além de inúmeros curtas metragens, desde experimentais até filmes que nascem clássicos e que estão sendo executado por mestres reconhecidos pelo universo mundial de desenho animado”, comenta.

 

Nascido em Porto Alegre, Otto também dirigiu animações que se destacaram dentro e fora do Brasil. Filmes como “Treiler – A última tentativa” (1986), “O reino azul” (1989) e “Novela” (1992) foram vencedores do prêmio Coral de Animação no Festival de Havana, Cuba.

 

Em 1994, lançou o seu primeiro longa-metragem como diretor: “Rocky Hudson”. Essa produção foi vencedora do prêmio especial do júri no festival de Brasília e selecionada para os festivais de Havana e Hiroshima. Em 2006, Otto lançou “Wood Stock: sexo, orégano e rock’n’roll” no 10º Cine-PE, onde o longa ganhou o prêmio especial do júri. O atual filme em produção do diretor é “A Cidade dos Piratas” que é baseado na obra da cartunista Laerte.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.
 
Filmografia:
 
Curtas-metragens
– O Natal de Burrinho (35 mm) – 5 min – 1984
– As Cobras (35 mm) – 6 min – 1985
– Treiler – A Última Tentativa (35 mm) – 5 min – 1986
– O Reino Azul (35 mm) – 14 min – 1989
– Novela (35 mm) – 8 min – 1992
– O Arraial (35 mm) – 14 min – 1997
– Cavaleiro Jorge (35mm) – 14min – 2000
– Nave Mãe (35mm) – 12min – 2004
– Boa Noite, Martha (HD) – Série de 22 episódios de 2minutos
– Castillo y el Armado (HD) – Curta-metragem, 10 minutos – Co-direção de Pedro Harres
– Bruxarias (HD) – Longa-metragem em co-produção com Continental Producciones, Espanha – Lançamento em outubro de 2016
– A Pequena Vendedora de Fósforos (HD) – Curta-metragem, 13 minutos – Co-direção de Kyoko Yamashita – 2013
 
Longas-metragens
– Rocky&Hudson (35 mm) – 63 min – 1994
– Wood&Stock: Sexo, Orégano E Rock’n’Roll (35mm)– 85 min 2006
– Até que a Sbórnia nos Separe (35mm) – 80 minutos – 2014 – Co-direção de Ennio Torresan
– A Cidade dos Piratas (35mm) – 75min – em produção