Cinco curtas-metragens que abordam questões sobre a negritude e a história dos afro-brasileiros concorrerão ao Troféu Vitória – Júri Popular (acima, imagem do filme “Cinzas”, de Davi Nunes e Larissa Fulana de Tal)
 

Uma janela inédita no 23º Festival de Cinema de Vitória, a Mostra Cinema e Negritude nasce da importância de disseminar a memória e a história dos afro-brasileiros através do cinema. Em sessão única, a mostra apresentará cinco filmes com enfoque nas questões étnico-raciais e que concorrerão ao Troféu Vitória – Júri Popular. A exibição acontecerá no dia 18 de novembro, às 15 horas, no Teatro Carlos Gomes, Centro de Vitória-ES. A entrada é franca!

 

A Mostra Cinema e Negritude tem o objetivo de mostrar como a produção artística com o olhar e a estética negra tem crescido no país. Além disso, discutir as representações da negritude no cinema brasileiro no século XX é se deparar com escassos lugares de fala, embora o Brasil tenha a segunda maior população negra no mundo fora da África.

 

Para Erly Vieira, um dos curadores do 23º FCV, “o conjunto desses filmes, somados a vários títulos espalhados pelas outras mostras de curtas-metragens deste festival (como K-bela, Constelações, Montação, entre outros), permite-nos vislumbrar, aos poucos, a construção de um potente conjunto de imagens sobre as experiências vividas pela população negra no Brasil hoje – e que deva gerar inúmeros frutos no terreno dos longas-metragens, num futuro bastante próximo.”

 

Sobre os filmes
Um dos destaques da Mostra Cinema e Negritude é o documentário “Black out”, uma realização coletiva que discute a condição quilombola em Conceição das Crioulas, no sertão pernambucano, partindo das dimensões simbólica e estética de um apagão ocorrido na comunidade. A experiência de comunidade se traduz na escolha metalinguística de incorporar os registros das decisões do grupo sobre a edição do filme na própria narrativa do documentário, dando visibilidade às reivindicações usualmente silenciadas.

 

Já no campo da ficção, serão exibidas duas incursões focadas na experiência das periferias urbanas, ambas baianas: “Restos”, de Renato Chagas Gaiarsa (imagem ao lado), que apresenta a cidade sob a perspectiva de um gari, durante a greve de sua categoria, e “Cinzas”, de Davi Nunes e Larissa Fulana de Tal, que estilhaça os pressupostos de seu protagonista com uma potente provocação sobre a condição da mulher negra e pobre. Completando o programa, a ficção “Preto” apresenta um tema e universo raramente abordado no cinema nacional: o jovem negro, filho adotivo numa família de classe média-alta, e os diversos conflitos que decorrem dessa condição.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.

 

MOSTRA CINEMA E NEGRITUDE
23º Festival de Cinema de Vitória
SEXTA-FEIRA (18 de novembro), às 15 horas
Teatro Carlos Gomes – Centro de Vitória-ES

 

ENTRADA FRANCA

 

“Black Out” (Documentário, 13’, PE), de Adalmir José da SIlva, Felipe Peres Calheiros, Francisco Mendes, Jocicleide Valdeci de Oliveira, Jocilene Valdeci de Oliveira, Martinho Mendes, Paulo Sano, Sérgio Santos. Quilombo de Conceição das Crioulas, Salgueiro, sertão pernambucano, nordeste do Brasil. Um filme sobre o invisível.

 

“Cinzas” (Ficção, 15’, BA) de Davi Nunes e Larissa Fulana de Tal. Cinzas é um filme que trata do cotidiano de Toni, um personagem fictício, mas que se assemelha a vivência de muitos outros personagens reais.

 

“Preto” (Ficção, 21’, SP), de Elton de Almeida. Lucas foi adotado ainda bebê por uma família branca de classe média alta paulistana e, desde cedo, teve que se acostumar a ser sempre o diferente. Agora, no começo da vida adulta, encara conflitos cotidianos que colocam em xeque a figura que ele representa para os outros, nos diversos círculos em que procura se inserir. É obrigado a questionar sua identidade enquanto indivíduo, na busca por compreender o que o torna semelhante ou distinto dos muitos universos à sua volta.

 

“Procura-se Irenice” (Documentário, 25’, SP), de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça. O resgate de uma personagem silenciada. “Procura-se Irenice” é a busca por uma atleta esquecida. O encontro com uma história apagada pela ditadura.

 

“Restos” (Ficção, 16’, BA), de Renato Chagas Gaiarsa / Inédito em festivais. A cidade de Salvador passa por uma inesperada paralisação do serviço de limpeza pública. O apodrecimento gradual da cidade devido à greve e a reverberação desta situação aparecerão sob o olhar do gari Souza, cidadão humilde que não tem consciência de classe, mas cujo poder parece crescer a cada novo saco de lixo que se acumula em montanhas pela cidade afora.