Quem o conhece bem de perto sabe que ele está sempre pronto para destilar, de forma bem humorada, ironias e críticas sobre a realidade. Estamos falando de Markus Konká que, neste ano, comemora quatro décadas de sua carreira no cinema. Ator, bailarino, coreógrafo e diretor, ele completou 62 anos no último mês de março e será homenageado na noite de encerramento do 23º Festival de Cinema de Vitória, no próximo dia 19 de novembro, no Teatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória-ES.

 

Um dos mais expressivos artistas atuantes nas artes cênicas e no cinema do Espírito Santo, Konká possui um percurso artístico que transita pelo teatro, cinema e dança. Na telona, atuou em cerca de 40 filmes, entre curtas e longas-metragens. Foi dirigido por importantes nomes do cinema nacional: Nelson Xavier, Ruy Guerra, Hector Babenco, Hugo Carvana, Arnaldo Jabour, Carlos Diegues e Neville de Almeida. No Espírito Santo, atuou em filmes de Amylton de Almeida, Luiza Lubiana, Virgínia Jorge, Sáskia Sá, Luiz Tadeu Teixeira, Edson Ferreira, entre outros.

konka_0928Ele atuou nos três longas-metragens do diretor Rodrigo Aragão (“O Mangue Negro”, “A Noite do Chupa Cabras” e “Mar Negro) e está no elenco de “Os Incontestáveis”, de Alexandre Serafini – produção que fará sua estreia na noite de encerramento do 23º Festival de Cinema de Vitória (imagem ao lado). Na ocasião, Konká estará presente para receber o abraço do público e será lançado o Caderno do Homenageado Capixaba – publicação impressa com reportagem e imagens sobre a trajetória do artista.

 

Sobre sua paixão por atuar no cinema, Konká diz “sou um ator universal, sou ator do mundo, posso ser homem, mulher, posso ser tudo no cinema. Essa é uma grande felicidade em ser ator: poder ser diversos personagens, a possibilidade de ser o que quiser no cinema”.

 

Markus Konká também trabalha como professor de artes cênicas, é preparador cênico com especialização em expressão corporal e preparador de elenco para cinema. No Espírito Santo, também desenvolveu trabalhos como coreógrafo para escolas de samba. Em 2009, dirigiu “Meninos da Guarani”, documentário que retrata e discute os processos de exclusão social de jovens e adolescentes da Avenida Guarani, localizada em Jacaraípe, município da Serra. Atualmente, está finalizando seu segundo documentário: “Olha o Sambão do Povo Aí Gente”.

 

Graças ao seu trânsito pela dança e pelo teatro, desenvolveu uma proposta de interpretação corporal chamada “Pluridimensional”, método em que reúne técnicas da dança clássica, do jazz contemporâneo e da dança afro e que tem sido ministrado por ele em cursos e formações livres.

 

Konká também foi funcionário do Departamento Estadual de Cultura do Espírito Santo, instituição que deu origem à atual Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo. Na TV, integrou o elenco da novela “A Escrava Isaura” (1977 / TV Globo) e “Dona Beija” (1986 / TV Manchete). Recentemente, interpretou o personagem “Pocu” da série “Dois Irmãos”, minissérie inédita da TV Globo com a direção de Luiz Fernando Carvalho que deve ir ao ar em 2017.


Entre o Rio de Janeiro e Vitória

Nascido no Rio de Janeiro, também foi na Cidade Maravilhosa que Konká iniciou sua carreira nos palcos, primeiro como dançarino e depois como ator. Ainda na infância, na década de 1960, mudou-se com sua família para o Espírito Santo: seu pai, o paraibano e funcionário da Aeronáutica Sebastião Ribeiro, sua mãe, a capixaba Euvinda Paulino, e seus irmãos Orlando e Rosa Maria. Foi no seu familiar que desenvolveu o gosto pelo mundo artístico, em especial, pela poesia e pela música, mas também pelas artes cênicas. Dos três filhos, era considerado o mais peralta, mas também o mais talentoso.

 

Aos 17 anos, retorna para o Rio de Janeiro para fazer a faculdade de Psicologia, curso que ele abandona tempos depois para dedicar-se às artes. Lá, inicia sua formação em dança com Tatiana Leskova, Dalau Achcar e Aldo Lotufo, cursa a Escola de Teatro Martins Pena e fez a graduação em Interpretação na Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (Fefierj), instituição que deu origem à Unirio. Antes disso, o jovem Konká chegou a tentar entrar para o Teatro Municipal do Rio, mas não se adaptou devido à “caretice”, segundo suas palavras, do balé clássico.

 

Na dança, majoritariamente, participou de trabalhos como solistas e de performances. Em parte, a escolha por essa vertente se deveu à sua aproximação com Hélio Eichbauer - importante cenógrafo brasileiro e um dos fundadores da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Na dança, majoritariamente, participou de trabalhos como solistas e de performances. Em parte, a escolha por essa vertente se deveu à sua aproximação com Hélio Eichbauer – importante cenógrafo brasileiro e um dos fundadores da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Em 1976, faz sua primeira atuação nos palcos cariocas na peça “Gota D’Água”, texto de Chico Buarque e Paulo Pontes sob a direção de Gianni Rato. Na sequência, participou do espetáculos “A Morta”, texto de Oswald de Andrade sob a direção de Nelson Xavier e Klaus Vianna, e “Vidigal: Memórias de Um Sargento de Milícias”, também dirigido por Gianni Rato, e “Esperando Godot”, dirigido por Luiz Antônio.

 

Na década de 1990, Konká volta para o Espírito Santo e passa atuar em autos dirigidos por Renato Saldino, Marcos Ortiz e José Luiz Gobby. Nos anos 2000, leva a público o recital poético “Meus Poetas / Minha Ilha” e “Afrodiziam”, ambos concebidos e dirigidos por ele próprio.

 

A estreia no teatro coincidiu com sua ida para o cinema, pois em 1976 ele atuou em seu primeiro filme: “A Queda”, de Ruy Guerra e Nelson Xavier. Integrou o elenco dos filmes “Os Trapalhões no Planalto dos Macacos” e “Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão”, ambos dirigidos por JB Tanko em 1976 e 1977 respectivamente. A partir daí, Konká atuou em longas-metragens de importantes diretores do cinema nacional: “Lucio Flávio, O Passageiro da Agonia” (1977), de Hector Babenco; “Se Segura Malandro” (1978), de Hugo Carvana; “Morto no Exílio” (1979), de Daniel Caetano e Micheline Bondi; “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabour; “Rio Babilônia” (1982), de Nerville de Almeida; “Quilombo dos Palmares” (1984), de Cacá Diegues; e “Lamarca” (1994), de Sérgio Rezende .

 

No Espírito Santo, além de inúmeros curtas-metragens e da trilogia de longas de Rodrigo Aragão, Konká atuou nos longa-metragens “O Amor Está no Ar” (1997), de Amylton de Almeida; “A Morte da Mulata” (2001), de Marcel Cordeiro; “Punhal” (2014), de Luiza Lubiana; “Entreturnos” (2014), de Edson Ferreira e, o ainda inédito, “Os Incontestáveis”, de Alexandre Serafini.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.