Uma ficção movida a conhaque, rock pesado, humor negro, psicodelia e que, nas entrelinhas, faz um caldo crítico à quase tudo: da família tradicional à luta pelo poder que, como temos o desprivilégio de observar atualmente, só gera mais poder. Isso é o que o público vai assistir em “Os Incontestáveis”, primeiro longa-metragem de Alexandre Serafini, que fará sua exibição de estreia na noite de encerramento do 23º Festival de Cinema de Vitória, no próximo dia 19 de novembro, no Teatro  Carlos Gomes, no Cento de  Vitória-ES. Na ocasião, também será feita a homenagem ao ator e bailarino Markus Konká que integra o elenco do filme.

 

Em “Os Incontestáveis”, os irmãos Bel e Mau viajam a bordo de um Opala 73 pelas estradas do Espírito Santo em busca de um carro, um Maverick 77, que pertenceu ao pai. Os dois personagens são interpretados por Fabio Mozine (baixista do Mukeka di Rato) e Will Just (guitarrista do The Muddy Brothers). A jornada os leva até a distante e esquecida vila de Cotaxé, palco de históricos conflitos de terra, fronteira e poder, onde os destinos dos irmãos e do lugar entrarão em rota de colisão.

 

O elenco do filme traz também os atores Tonico Pereira (o Mendonça, de “A Grande Família”) e Fernando Teixeira (“Baixio das Bestas”, “Aquarius”). O roteiro é fruto de uma parceria entre o diretor e o dramaturgo e escritor Saulo Ribeiro. A produção ficou a cargo da Horizonte Líquido e da Ladart Filmes. “Os Incontestáveis” foi contemplado pelo Edital de Produção de Longa-Metragem, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e conta ainda com apoio da Croma Produções e da Rede Marcela.

 

O diretor conta que a ideia do filmes surgiu numa viagem que o diretor fez em agosto de 2011, enquanto acompanhava meu curta-metragem “2 e Meio” em alguns festivais de cinema: “Saulo tinha me ligado, pedindo ajuda para desenvolver uma ideia que continha um Mustang. Depois de pensar por alguns dias, questionei se, em vez de Mustang, poderia ser um Maverick, um carro que tem mais a ver com o Brasil. Aí a coisa foi se formando e, no meu retorno, procurei Saulo e escrevemos a primeira versão do roteiro, em dois finais de semana. Essa versão foi pouco mexida, até iniciarmos a produção do longa, quando questões de logística, orçamento e a própria incorporação de elementos trazidos pelos atores provocaram alterações no texto original”.

 

Para direção do road movie, Serafini buscou referências em filmes “Corrida Sem Fim” (1971), de Monte Hellman, “Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia”, de Sam Peckinpah (1974), com pitadas do “O Incrível Exército de Brancaleone”, de Mario Monicelli (1966). A literatura também tem um certo peso na escrita e as influências vêm de Burgess, Saramago e Hunter Thompson.

 

Sobre Alexandre Serafini

foto-diretorAlexandre Serafini chegou ao cinema oriundo da formação em Comunicação Social na Universidade. No início de sua carreira aceitava qualquer função para estar presente num set. Assim, aprendeu o dia a dia das filmagens e a lidar com os profissionais dos diversos departamentos. Escreveu e dirigiu seu primeiro curta metragem “O Observador”, que foi lançado em 2005.

 

De lá pra cá, trabalhou como assistente de direção em alguns curtas e longas metragens e realizou outros dois curtas metragens de ficção. O último “2 e meio” foi selecionado em dez festivais de cinema sendo dois deles internacionais: 22º. Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Brasil e 10º. FIKE – Festival Internacional de Curtas-Metragens – Évora – Portugal. “Os Incontestáveis” é seu primeiro longa metragem e sua produção foi financiada pela Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória-ES.