Na primeira noite do Festival de Cinema de Vitória, a emoção tomou conta do público e dos convidados presentes no Teatro Carlos Gomes. Com a 6ª Mostra Foco Capixaba, a homenagem à atriz Margareth Galvão, a Sessão Especial do desenho “Irmão do Jorel” e a exibição do filme “Como Nossos Pais”, na abertura da 7ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, a programação empolgou a plateia, que lotou o teatro do começo ao fim da noite.

 

Homenageada capixaba, a atriz e dramaturga Margareth Galvão disse se sentir muito honrada com o tributo e lembrou a importância das artes como ferramenta de promoção da igualdade para índios, negros e mulheres. “A emoção já começa aqui embaixo”, disse, ainda na plateia, pouco antes de receber o Troféu Vitória por sua rica trajetória. “Como não ficar feliz? Trabalho há 43 anos com teatro e há 20 anos com cinema. Como não se sentir feliz com uma homenagem dessas?”.

 

Juliano Enrico, criador do desenho “Irmão do Jorel | Foto: Tati Hauer/ Galpão IBCA

O criador do desenho animado “Irmão do Jorel”, Juliano Enrico, se emocionou ao subir no palco do Teatro Carlos Gomes ao lado do seu pai, o diretor de teatro e cinema Luiz Tadeu Teixeira. Para Teixeira, a sensação de ver o sucesso de um filho é “a melhor coisa do mundo”. Já Enrico enfatizou que o Festival de Cinema de Vitória foi o embrião de sua caminhada no audiovisual.

 

Segundo Juliano, foi no festival que conheceu alguns dos parceiros que colaboram com ele no desenho em uma oficina de animação ministrada pelo cineasta Otto Guerra. “Conheci os amigos da TV Quase no festival de 2002, quando ainda se chamava Vitória Cine Vídeo”.

 

Resistência

 

Matheus Nachtergaele e Jéssica Freitas | Foto: Tati Hauer/ Galpão IBCA

Apresentadores da primeira noite, Jéssica Freitas e Matheus Nachtergaele compartilharam o sentimento de felicidade. Foi a primeira vez de Jéssica apresentando um festival. “É um evento que eu não podia perder”, disse. Para o ator Matheus Nachtergaele, os festivais de cinema em geral “se tornaram peça de resistência num país que sofre desmonte de humanidades”.

 

“Todos os festivais de cinema, teatro e outras artes estão sofrendo cortes de verbas. Neste momento no Brasil permanecer vivo é difícil, e festivais como este são muito importantes. Dão acessibilidade e mostram para as pessoas o que produzimos de melhor (no cinema), com sessões gratuitas”, elogiou.

 

Laís Bodanzky, diretora de “Como Nossos Pais” | Foto: Tati Hauer/ Galpão IBCA

Diretora do primeiro filme exibido na 7ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, “Como Nossos Pais”, Laís Bodanzky elogiou a consciência de curadoria das mostras. “O espaço da tela tem que ser ocupado por várias vozes. É importante valorizar a diversidade e a produção local. Aqui tem mostra local, mostra de negros, mostra de mulheres. Você tem uma diversidade de vozes, e se você for ver, é uma memória que o festival está fazendo; é um registro histórico”, comentou.

 

O 24º Festival de Cinema de Vitória segue até sábado (confira a programação aqui), com atividades ao longo de todo o dia. As mostras e homenagens acontecem no Teatro Carlos Gomes, e os debates com realizadores ocorrem no Hotel Senac Ilha do Boi. Já a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) sedia as oficinas.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 24º Festival de Cinema de Vitória acontece entre os dias 11 e 16 de setembro e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, e da Petrobras, com o apoio institucional da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, da Cesan, da Secretaria de Cultura da Universidade Federal do Espírito Santo, do Banestes e do Canal Brasil, e com o apoio da Rede Gazeta, da Prefeitura de Vitória, ArcelorMittal, da Academia Internacional de Cinema, da CiaRio, da Mistika e da Link Digital.