Entrevista com o “Irmão do Jorel” - 24º Festival de Cinema de Vitória

Em setembro de 2017, um episódio inédito da série “Irmão do Jorel” foi exibido na programação do 24º Festival de Cinema de Vitória. Nesta sexta-feira (02), a animação criada e dirigida por Juliano Enrico poderá novamente ser assistida na telona pelo público capixaba na sessão que encerra a versão itinerante do Festival. A exibição acontecerá às 19 horas no Cine Metrópolis, na Ufes/Campus Goiabeiras, em Vitória-ES.

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“Irmão do Jorel” é a primeira série de animação original do Cartoon Network realizada na América Latina e fez sua estreia em 2014. Dois anos depois, estreava a segunda temporada, ambas com 26 episódios cada uma. Em 2017, o projeto da série teve a terceira temporada confirmada pelo Cartoon Network.

Nascido em Vitória, Juliano Enrico  é cofundador do grupo de humor TV Quase e responsável, ao lado de Daniel Furlan e Raul Chequer, pela série de ficção “O Último Programa do Mundo, exibida na MTV Brasil, no YouTube e no FX. Atuou e fez parte da equipe de criação/roteiro do “Adnight” para a TV Globo. Também atuou nas séries Overdose (MTV Brasil), “Décimo Andar” (Canal Brasil) e no longa “A Noite da Virada” (O2 Filmes) e Copa de Elite (Glaz). Dirigiu o documentário “Touro Moreno” para TV Cultura e apresentou o “Acesso” (MTV) e “Caravana no Ar” (TBS).

Nesta entrevista, Juliano fala sobre o processo de criação e de desenvolvimento da série “Irmão do Jorel”.

Desde quando surgiu a ideia do personagem e da série? Conte um pouco desse processo de concepção do mundo do “Irmão do Jorel” antes da Cartoon.

Eu desenhava e minha família sempre me apoiou. Eu ganhava massinha de modelar e canetinha de presente de aniversário e sempre tive facilidade de enxergar personagens pelos lugares onde passei. Acho que o Irmão do Jorel é fruto da manipulação da minha memória e isso foi ganhando outras dimensões à medida que outras pessoas foram se envolvendo no processo criativo. Fotos e objetos antigos sempre me ajudaram na concepção e na ampliação desse universo. O elefante de porcelana, por exemplo, é um desses objetos. Esse elefante aparece nos episódios finais da segunda temporada e é um elemento decisivo na vida do Irmão do Jorel e da Lara, sua melhor amiga.

Que aspectos da história mais gera identificação do público? Que personagens “cresceram” com o desenrolar das temporadas?

Acho que existe um vínculo afetivo do público com muitos personagens. Quando eu esboçava as primeiras histórias, meu objetivo era criar algo que tivesse significados diferentes dependendo da idade de quem assiste. A ideia era fazer um programa pra toda a família, mas eu não imaginei que isso realmente fosse acontecer. É legal ser abordado por pessoas dizendo que assistem com o pai ou a sobrinha ou a avó… O legal disso é que quanto mais populares são os personagens, mais coisas legais podemos fazer com eles. Acho que Irmão do Jorel e Lara cresceram muito ao longo das duas temporadas e ganharão novas camadas na terceira, assim como o resto da família. Aos poucos alguns mistérios vão sendo revelados e outros novos vão surgindo: qual é o nome do Irmão do Jorel? A Lara vai voltar? Quantos anos tem a Gigi? O Jorel fala? Quantos empregos tem o Wonderlay? De onde veio o Gesonel? Qual é o passado do Steve Magal?

Humor para adulto e para criança, a série consegue ter empatia desses dois públicos, como explica isso?

Não escrevemos tentando adivinhar numa bola de cristal o que adultos ou crianças gostariam de assistir ou quais seriam as tendências do mercado. Existe um desejo de ser atual e relevante, mas ao mesmo tempo somos fieis aos personagens e aos nossos impulsos criativos. Nos preocupamos com os conflitos humanos por trás de cada episódio e com o ritmo e a variedade das piadas e gags. Existe uma vontade de ver coisas impossíveis e absurdas acontecendo paralelo a tudo isso. Confesso que explodir coisas é sempre muito divertido, assim como ficar pensando em falas pra Vovó Juju. Com relação à produção, existem diálogos muito próximos com o Cartoon Network e uma compreensão do canal com o projeto desde sua fase de desenvolvimento.

Consegue apontar mudanças no modo de criar de uma temporada para outra? No que a experiência interferiu na sequência da série?

Fazer uma série é sempre um trabalho em constante evolução, seja animação ou live action. O modo de produção vai evoluindo assim como as possibilidades criativas vão se renovando. Sobre o aspecto criativo: criar uma lógica entre os personagens desse universo é tão importante quanto a quebra dela. Quando temos muitos episódios produzidos e muitas pessoas conhecendo esses personagens, mais possibilidades surgem. Fazer uma temporada sabendo que teremos outra logo em seguida também é muito legal, porque sabemos que teremos a mesma equipe e que aquelas histórias todas podem se conectar formando novos arcos dramáticos. A despedida da Lara jamais seria algo tocante se não tivéssemos acompanhado as aventuras dela ao lado do Irmão do Jorel por duas temporadas. A jornada desse personagem acaba se tornando algo vivo, quase como se tivesse vontade própria.