O bate-papo sobre o filme “A Fera na Selva” marcou a programação do 24º Festival de Cinema de Vitória, na manhã desta quinta-feira (14), no Hotel Senac Ilha do Boi. O diretor e ator Paulo Betti e o roteirista Rafael Romão contaram sobre bastidores da obra, inspirada no livro homônimo de Henry James. A 20ª turma do Curso de Residência da Rede Gazeta participou do encontro.

 

Romão contou que, normalmente, as pessoas imaginam o diretor de cinema como uma figura controladora, semelhante a um técnico de futebol. Mas, segundo ele, no caso de “A Fera na Selva”, toda a equipe tinha voz e se sentia muito à vontade. “Ficou todo mundo realizado com o resultado”, contou.

 

Paulo Betti, que dirige o filme ao lado de Eliane Giardini e Lauro Escorel, destacou a importância de divulgar o livro adaptado e convocou a plateia para um grupo de leitura de Henry James, que pode desembocar em futuras exibições do filme aqui em Vitória.

 

Acostumado ao teatro, Betti disse sentir a diferença do aplauso apoteótico do palco para a reação do público à exibição. “Eu tenho que afinar minha percepção pela receptividade do público no cinema. Ontem  [no Teatro Carlos Gomes] foi muito boa, muito calorosa” explicou.

 

Para ele, negar o teatro seria como matar pai e mãe. “Minha história com o teatro sobrepõe minha história do cinema. Tenho orgulho de ser um ator de teatro. Nós somos mais livres que o cinema. O teatro é real, ele está na sua frente. Você faz até com zero dinheiro. Acho o teatro básico, muito básico”, comentou.

 

Betti e Eliane Giardini adaptaram o mesmo livro para teatro antes de chegarem às telonas compartilhando a direção com Lauro Scorel. O filme contém narração como elemento, e foi elogiado por espectadores cegos no 45º Festival de Cinema de Gramado, onde foi exibido com audiodescrição.

 

Betti disse que tentou ser bastante fiel ao livro no filme. “Tentei ser fiel ao máximo à minha loucura e à do personagem”, explicou. Para Romão, não abandonar o livro é um ato político.

 

Paulo Betti em bate-papo com alunos do Curso de Residência da Rede Gazeta | Foto: Claudio Postay/ Galpão IBCA

Os estudantes do Curso de Residência elogiaram o bate-papo. Para a jornalista Thamara Machado, de 25 anos, a discussão foi bem plural. “Não foi uma coisa engessada. Parecia um bate-papo, uma roda de conversa”. Ela ainda elogiou a relação do filme com a literatura. “Gostei da ideia de compartilhar o livro, porque incentiva a leitura”.

O publicitário Renato Conceiçãos, 26, saiu inspirado do debate. “Betti mostra que a linguagem da arte na verdade é muito subjetiva, porque permite que cada um tenha seu próprio olhar. Para mim a arte é isso: você integrar pessoas, unir pessoas numa mesma visão e fazer com que elas percebam que não estão sozinhas”.

 

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 24º Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, e da Petrobras, com o apoio institucional da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, da Cesan, da Secretaria de Cultura da Universidade Federal do Espírito Santo, do Banestes e do Canal Brasil, e com o apoio da Rede Gazeta, da Prefeitura de Vitória, ArcelorMittal, da Academia Internacional de Cinema, da CiaRio, da Mistika e da Link Digital.